{"id":975807,"date":"2025-01-03T16:38:09","date_gmt":"2025-01-03T19:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=975807"},"modified":"2025-01-03T16:38:45","modified_gmt":"2025-01-03T19:38:45","slug":"esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/esperanca\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Dom Geraldo dos Reis Maia<br \/>\nBispo de Ara\u00e7ua\u00ed (MG)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Ano Santo da Gra\u00e7a, caminhamos com a fecunda consci\u00eancia com a qual o querido Papa Francisco nos brindou: somos \u201cPeregrinos de esperan\u00e7a\u201d, acreditando que \u201ca esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona\u201d (Rm 5,5), como nos s\u00e3o indicados tema e lema escolhidos para o Jubileu 2025.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 mesmo a esperan\u00e7a? Em sentido concreto \u00e9 o \u201cato de esperar aquilo que se deseja\u201d, explica o dicion\u00e1rio. \u201cExpectativa na aquisi\u00e7\u00e3o de um bem que se deseja. \u00c9 a segunda das tr\u00eas virtudes teologais, simbolizada por uma \u00e2ncora ou pela cor verde\u201d (Michaelis). Numa perspectiva subjetiva, esperan\u00e7a \u00e9 entendida como \u201csentimento de quem v\u00ea como poss\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o daquilo que deseja; confian\u00e7a em coisa boa; aquilo ou aquele de que se espera algo, em que se deposita a expectativa\u201d (Houaiss).<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a nossa de cada dia foi cantada em verso e prosa pela nossa rica m\u00fasica popular brasileira. A inesquec\u00edvel voz de Elis Regina imortalizou a sua teimosia: \u201cA esperan\u00e7a dan\u00e7a\/ Na corda bamba de sombrinha\/ (&#8230;) A esperan\u00e7a equilibrista\/ Sabe que o show de todo artista\/ Tem que continuar\u201d (O b\u00eabado e o equilibrista, Aldir Blanc\/ Jo\u00e3o Bosco). Trata-se de um tema que descortina o horizonte: \u201cAmanh\u00e3\/ Est\u00e1 toda a esperan\u00e7a\/ Por menor que pare\u00e7a\/ Existe e \u00e9 pra vicejar\u201d (Amanh\u00e3, Guilherme Arantes). E se faz persistente: \u201cQuando n\u00e3o houver esperan\u00e7a\/ Quando n\u00e3o restar nem ilus\u00e3o\/ Ainda h\u00e1 de haver esperan\u00e7a\/ Em cada um de n\u00f3s\u201d (Enquanto houver sol, Tit\u00e3s).<\/p>\n<p>Outras can\u00e7\u00f5es, mesmo sem citar o termo \u201cesperan\u00e7a\u201d, cantam o \u201cesperan\u00e7ar\u201d. Assim ilustrou Chico Buarque, em tempos de ditadura: \u201cApesar de voc\u00ea\/ Amanh\u00e3 h\u00e1 de ser\/ Outro dia\u201d (Apesar de voc\u00ea). Tamb\u00e9m foi cantada a dinamicidade da esperan\u00e7a: \u201cSei que nada ser\u00e1 como est\u00e1\/ Amanh\u00e3 ou depois de amanh\u00e3\/ Resistindo na boca da noite um gosto de Sol\u201d (Nada ser\u00e1 como antes, Milton Nascimento\/ Ronaldo Bastos). Esperan\u00e7a \u00e9 tema que ilustra o recorrente: \u201cO Sol j\u00e1 nasceu na estrada nova\/ E mesmo que eu impe\u00e7a, ele vai brilhar\u201d (Estrada Nova, Oswaldo Montenegro\/ Mogol).<\/p>\n<p>Mais do que esperan\u00e7a, Paulo Freire falou do esperan\u00e7ar: \u201c\u00c9 preciso ter esperan\u00e7a, mas esperan\u00e7a do verbo esperan\u00e7ar; porque tem gente que tem esperan\u00e7a do verbo esperar. E esperan\u00e7a do verbo esperar n\u00e3o \u00e9 esperan\u00e7a, \u00e9 espera. Esperan\u00e7ar \u00e9 se levantar, esperan\u00e7ar \u00e9 ir atr\u00e1s, esperan\u00e7ar \u00e9 construir, esperan\u00e7ar \u00e9 n\u00e3o desistir! Esperan\u00e7ar \u00e9 levar adiante, esperan\u00e7ar \u00e9 juntar-se com outros para fazer de outro modo\u201d (Pedagogia da esperan\u00e7a, 1992, p. 110-111). Nessa perspectiva, Juvenal Arduini nos garante: \u201cAinda h\u00e1 esperan\u00e7a porque a hist\u00f3ria n\u00e3o terminou\u201d (Destina\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, 1989, p. 177).<\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro documento do seu pontificado, o Papa Francisco nos alertava: \u201cN\u00e3o deixemos que nos roubem a esperan\u00e7a! \u201d (EG, 86). O pr\u00f3prio Papa Francisco nos explica o significado desta palavra que lhe \u00e9 t\u00e3o especial, talvez at\u00e9 mesmo uma das marcas de seu rico pontificado, ao lado da palavra alegria.<\/p>\n<p>Segundo o Papa, esperan\u00e7a \u201c\u00e9 a mais humilde das tr\u00eas virtudes teologais, porque fica escondida. A esperan\u00e7a \u00e9 um risco, uma virtude, n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o\u201d (Medita\u00e7\u00e3o, 29\/10\/2015). \u201c\u00c9 uma virtude que nunca decepciona: se nela esperares, nunca ser\u00e1s desiludido\u201d; \u00e9 uma virtude concreta, \u201cde todos os dias porque \u00e9 um encontro com Jesus Cristo\u201d (Medita\u00e7\u00e3o, 23\/10\/2018).<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 o ar que se respira. Perder a esperan\u00e7a \u00e9 como parar de respirar, perde-se a vida. \u00c9 como lan\u00e7ar uma \u00e2ncora na outra margem e agarrar-se \u00e0 corda. \u00c9 viver voltados para a revela\u00e7\u00e3o do Senhor (cf. Medita\u00e7\u00f5es, 29\/10\/2019). \u201cA esperan\u00e7a \u2013 afirma Francisco \u2013 faz-nos entrar na escurid\u00e3o de um futuro incerto, para caminhar na luz. \u00c9 bela a virtude da esperan\u00e7a; d\u00e1-nos tanta for\u00e7a para caminhar na vida\u201d (Audi\u00eancia, 28\/12\/2016).<\/p>\n<p>Como peregrinos de esperan\u00e7a, temos um longo caminho pela frente! Na sua Bula de convoca\u00e7\u00e3o para o Jubileu, o Papa Francisco nos chama a \u201colhar para o futuro com esperan\u00e7a\u201d. Isso significa \u201cter uma vis\u00e3o da vida carregada de entusiasmo para transmitir\u201d (SNC, 9). Continua o Papa: \u201cNo Ano Jubilar, somos chamados a ser sinais palp\u00e1veis de esperan\u00e7a para muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem em condi\u00e7\u00f5es de dificuldade\u201d (SNC, 10). E Francisco recorda os presidi\u00e1rios, os doentes, os jovens, os migrantes, os idosos, especialmente os av\u00f4s e as av\u00f3s, os milhares de milh\u00f5es de pobres (cf. SNC, 10-15).<\/p>\n<p>O Papa lan\u00e7a dois apelos fortes em favor da esperan\u00e7a: \u201cos bens da terra se destinam a todos, e n\u00e3o a poucos privilegiados\u201d, pensando de maneira especial nas pessoas que s\u00e3o privadas de \u00e1gua e de alimentos: \u201ca fome \u00e9 uma chaga escandalosa no corpo da nossa humanidade e convida a todos a um despertar de consci\u00eancia\u201d. O segundo apelo do Papa se refere ao perd\u00e3o das d\u00edvidas, e ele aponta a necessidade de supera\u00e7\u00e3o da \u201cd\u00edvida ecol\u00f3gica\u201d. \u201cSe queremos verdadeiramente preparar no mundo o caminho da paz, precisamos nos empenhar em superar as causas remotas das injusti\u00e7as, reformular as d\u00edvidas injustas e impag\u00e1veis e saciar os famintos\u201d (SNC, 16).<\/p>\n<p>Neste esperan\u00e7ar, n\u00e3o estamos sozinhos. Francisco nos lembra que \u201cMaria nos ensina a virtude da esperan\u00e7a; at\u00e9 quando tudo parece sem sentido, ela permanece sempre confiante no mist\u00e9rio de Deus, at\u00e9 quando Ele parece desaparecer por culpa do mal do mundo. Que nos momentos de dificuldade, Maria, a M\u00e3e que Jesus ofereceu a todos n\u00f3s, possa sempre amparar os nossos passos e dizer ao nosso cora\u00e7\u00e3o: \u2018Levanta-te! Olha em frente, olha para o horizonte\u2019, porque Ela \u00e9 M\u00e3e de esperan\u00e7a\u201d (Catequese, 03\/05\/2017).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Geraldo dos Reis Maia Bispo de Ara\u00e7ua\u00ed (MG) Neste Ano Santo da Gra\u00e7a, caminhamos com a fecunda consci\u00eancia com a qual o querido Papa Francisco nos brindou: somos \u201cPeregrinos de esperan\u00e7a\u201d, acreditando que \u201ca esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona\u201d (Rm 5,5), como nos s\u00e3o indicados tema e lema escolhidos para o Jubileu 2025. 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