{"id":976516,"date":"2025-01-24T16:26:28","date_gmt":"2025-01-24T19:26:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=976516"},"modified":"2025-01-24T16:30:31","modified_gmt":"2025-01-24T19:30:31","slug":"a-urgencia-da-promocao-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-urgencia-da-promocao-da-esperanca\/","title":{"rendered":"A urg\u00eancia da promo\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">Dom Antonio de Assis Ribeiro, SDB<\/span><br \/>\nBispo e eleito para Macap\u00e1 (AP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o do Ano Santo 2025 nos estimula \u00e0 reflex\u00e3o sobre muitos e grav\u00edssimos fen\u00f4menos humanos fortemente presentes na era contempor\u00e2nea e que est\u00e3o em profundo contraste com a dignidade e a voca\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3. Um desses fen\u00f4menos \u00e9 a crise de Esperan\u00e7a. Essa realidade foi acusada pelo Papa Francisco na carta &#8220;Spes non confundit&#8221;, a bula de proclama\u00e7\u00e3o do Ano Jubilar. No mundo de hoje, &#8220;muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham com ceticismo e pessimismo para o futuro como se nada lhes pudesse proporcionar felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o Jubileu seja, para todos, ocasi\u00e3o de reanimar a esperan\u00e7a!\u201d (N. 1). Tamb\u00e9m o Papa Bento XVI, na Enc\u00edclica &#8220;Spe Salve&#8221; (2007), refletiu sobre a crise da Esperan\u00e7a no cristianismo observando, como causas, diversos fen\u00f4menos: o progresso tecnicista, o racionalismo, a crise da f\u00e9, o ate\u00edsmo filos\u00f3fico (cf. SS, 16-28, 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro \u201cEsperan\u00e7a sem otimismo\u201d, o fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Terry Eagleton, tamb\u00e9m se coloca nessa mesma perspectiva de Bento XVI ressaltando que uma esperan\u00e7a fundada nas previs\u00f5es profissionais n\u00e3o gera alegria, nem otimismo. Essa esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 virtude, \u00e9 expectativa! A aut\u00eantica esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 previs\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez conversando com um grupo de moradores de rua; ouvi muitas hist\u00f3rias, dramas, desgostos, frustra\u00e7\u00f5es; apesar de verbalizarem o desejo de sair da rua, n\u00e3o viam perspectivas de mudan\u00e7a e por isso, se acomodavam. Questionados sobre a fam\u00edlia, emprego e possibilidade de serem acolhidos por alguma institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica, as respostas foram semelhantes: a fam\u00edlia est\u00e1 perdida, emprego n\u00e3o vale a pena e nas institui\u00e7\u00f5es h\u00e1 muitas exig\u00eancias sendo melhor a liberdade da rua. Essa situa\u00e7\u00e3o de desesperan\u00e7a, aus\u00eancia de tens\u00e3o para o futuro, tamb\u00e9m j\u00e1 encontrei em muitos ex-presidi\u00e1rios, dependentes qu\u00edmicos, desempregados. O ser humano \u00e9 capaz de perder o exerc\u00edcio de sua subjetividade e, com ela, perde a capacidade de esperan\u00e7ar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou citando situa\u00e7\u00f5es extremas, todavia, esses sentimentos de fracasso, derrota, aniquilamento, aus\u00eancia de perspectiva de futuro est\u00e1 presente tamb\u00e9m em muitas categorias de pessoas que vivem em outras situa\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de vida completamente diferentes. A falta de Esperan\u00e7a nos leva ao &#8220;cinismo existencial&#8221;, ou seja, descr\u00e9dito em tudo, levando-nos a experimentar o sentimento de aus\u00eancia de inquietude que neutraliza a nossa capacidade de lutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cinismo foi uma corrente filos\u00f3fica grega da antiguidade (a.C). que pregava o total desprendimento dos bens terrenos, at\u00e9 dos prazeres. Os c\u00ednicos tinham como ideal de vida, viver como os c\u00e3es, sem preocupa\u00e7\u00f5es sendo capazes de se adaptar a qualquer realidade. De fato, a palavra cinismo vem do grego kynism\u00f3s, que significa &#8220;como um c\u00e3o&#8221;. Esse animal se adapta em qualquer situa\u00e7\u00e3o e sempre feliz ao lado do seu dono!<\/p>\n<p>Quem perdeu a esperan\u00e7a est\u00e1 em estado de autoabandono, sem preocupa\u00e7\u00f5es para com o presente e nem sonhos para o futuro. Essa situa\u00e7\u00e3o de quietude \u00e9 consequ\u00eancia, em geral, de graves males como a fragilidade psicol\u00f3gica, o pessimismo, derrotismo, o niilismo como descren\u00e7a no sentido da vida (pensamento negativo). Todo esse conjunto de males, frutos da crise da f\u00e9 e da Esperan\u00e7a, tem contribu\u00eddo para o aumento do \u00edndice de suic\u00eddio nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ano Jubilar \u00e9 oportunidade para educar para a Esperan\u00e7a que gera nas pessoas senso de responsabilidade, luta, vis\u00e3o positiva da vida, transcend\u00eancia, pensamento positivo, enfrentamento das adversidades com firmeza de \u00e2nimo; somos peregrinos e, por isso, a nossa Esperan\u00e7a \u00e9 proativa, din\u00e2mica, criativa. O cultivo da virtude da Esperan\u00e7a nos estimula a preservar a nossa mente de toda forma de bloqueio. O homem \u00e9, por sua natureza, um ser voltado para o futuro onde est\u00e1 a sua plenitude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro, SDB Bispo e eleito para Macap\u00e1 (AP) A proclama\u00e7\u00e3o do Ano Santo 2025 nos estimula \u00e0 reflex\u00e3o sobre muitos e grav\u00edssimos fen\u00f4menos humanos fortemente presentes na era contempor\u00e2nea e que est\u00e3o em profundo contraste com a dignidade e a voca\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3. Um desses fen\u00f4menos \u00e9 a crise de &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-urgencia-da-promocao-da-esperanca\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A urg\u00eancia da promo\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/976516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=976516"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/976516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":976518,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/976516\/revisions\/976518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=976516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=976516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=976516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}