{"id":976803,"date":"2025-01-31T17:01:29","date_gmt":"2025-01-31T20:01:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=976803"},"modified":"2025-02-03T11:27:17","modified_gmt":"2025-02-03T14:27:17","slug":"em-que-tempos-estamos-vivendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/em-que-tempos-estamos-vivendo\/","title":{"rendered":"Em que tempos estamos vivendo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span data-olk-copy-source=\"MessageBody\"> Dom Leomar Brustolin<br \/>\nArcebispo de Santa Maria (RS)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos Como podemos definir o tempo em que estamos vivendo? O racionalismo da modernidade entrou em crise, mas o que veio depois? H\u00e1 muitas respostas para essas perguntas, sob diversas perspectivas, nem sempre convergentes.<\/p>\n<p>A Filosofia, por exemplo, apresenta reflex\u00f5es sobre a era da hipermodernidade, do p\u00f3s-moralismo e da sociedade da decep\u00e7\u00e3o, conforme as categorias definidas por Gilles Lypovetsky, al\u00e9m da teoria da complexidade formulada por Edgar Morin. Na Sociologia, emergem concep\u00e7\u00f5es como a modernidade l\u00edquida, de Zygmunt Bauman, e a sociedade em rede, de Manuel Castells.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas ocorreram transforma\u00e7\u00f5es profundas no mundo e na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o da realidade. As inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e os novos meios de comunica\u00e7\u00e3o alteraram nossa rela\u00e7\u00e3o com o corpo, a cultura, a religi\u00e3o e at\u00e9 com Deus.<\/p>\n<p><strong>Impactos da p\u00f3s-modernidade na f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos identificar duas leituras principais sobre a realidade contempor\u00e2nea e sua influ\u00eancia no \u00e2mbito da f\u00e9. Para alguns estudiosos essa \u201cp\u00f3s-modernidade\u201d feriu tr\u00eas aspectos vitais da identidade religiosa: imagina\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e sentido de perten\u00e7a.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 superficialidade. A mem\u00f3ria pode ser sufocada pelo imediatismo. E o sentido de perten\u00e7a pode ser atropelado pelo ritmo fren\u00e9tico da vida cotidiana. H\u00e1 certa aus\u00eancia de repouso e de ra\u00edzes que induz a uma paralisia interior, apesar de todo frenesi exterior.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio cria uma aparente contradi\u00e7\u00e3o: ao mesmo tempo em que as pessoas est\u00e3o cada vez mais conectadas digitalmente, est\u00e3o menos conectadas consigo mesmas. O excesso de est\u00edmulos ao nosso redor dificulta o tempo necess\u00e1rio para o silencio, a reflex\u00e3o e o discernimento. Quando o desejo se torna cego e o afeto perde a dimens\u00e3o do compromisso, at\u00e9 mesmo a religi\u00e3o pode se reduzir \u00e0 mera aten\u00e7\u00e3o ou a um mero objeto de consumo, guiado pela l\u00f3gica de mercado.<\/p>\n<p><strong>Uma nova abertura espiritual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, h\u00e1 quem fa\u00e7a uma leitura mais positiva da situa\u00e7\u00e3o. Esse momento de crise do progresso e da racionalidade exagerada pode levar a uma consci\u00eancia diferenciada em dire\u00e7\u00e3o a uma nova espiritualidade. Levar a um despertar espiritual e a uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>Entendemos, ainda, que \u00e9 preciso ter uma postura equilibrada. Ou seja, n\u00e3o rejeitar completamente a cultura contempor\u00e2nea, mas tentando mold\u00e1-la \u00e0 nossa vis\u00e3o ideal. Assim como n\u00e3o podemos ignorar os desafios \u00e9ticos que essa nova realidade imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Como crist\u00e3os, somos chamados a discernir os acontecimentos e reconhecer os sinais da presen\u00e7a de Deus. Conforme a constitui\u00e7\u00e3o pastoral Gaudium \u201cCompete-nos, discernir os acontecimentos, nas exig\u00eancias e nas aspira\u00e7\u00f5es de nossos tempos [&#8230;], quais sejam os sinais verdadeiros da presen\u00e7a ou dos des\u00edgnios de Deus.\u201d (Gaudium et Spes n.1).<\/p>\n<p>Vivemos um tempo \u00fanico e irrepet\u00edvel. Tudo depende da forma como nos posicionamos diante da realidade. Abrir os olhos, cultivar o pensamento cr\u00edtico, escutar os sinais e perceber Deus em meio aos conflitos humanos \u2013 isso \u00e9 buscar a sabedoria da vida em meio aos revezes de todos os tempos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) &nbsp; Podemos Como podemos definir o tempo em que estamos vivendo? O racionalismo da modernidade entrou em crise, mas o que veio depois? H\u00e1 muitas respostas para essas perguntas, sob diversas perspectivas, nem sempre convergentes. 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