{"id":984590,"date":"2025-06-13T12:14:51","date_gmt":"2025-06-13T15:14:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=984590"},"modified":"2025-06-13T14:11:29","modified_gmt":"2025-06-13T17:11:29","slug":"todos-na-mesma-barca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-na-mesma-barca\/","title":{"rendered":"Todos na mesma barca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Sempre forte e interpelante \u00e9 o gesto po\u00e9tico-espiritual do Papa Francisco, na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro &#8211; a pra\u00e7a das multid\u00f5es. Somente o Pont\u00edfice, trajando o branco da paz, em ora\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a vazia, naquele contexto de pandemia da COVID-19, que dizimou tantas vidas. Das palavras prof\u00e9ticas de Francisco ecoou a sabedoria do Evangelho inspirada na cena da tempestade que amedrontou os disc\u00edpulos de Jesus: \u201cNingu\u00e9m se salva sozinho. Todos est\u00e3o na mesma barca\u201d. Esta convic\u00e7\u00e3o \u00e9 uma sabedoria que se contrap\u00f5e ao orgulho pretensioso e \u00e0 ingratid\u00e3o, fundamentos da torre de Babel que \u00e9 monumento \u00e0 soberba humana. A consci\u00eancia de que se est\u00e1 em travessia, partilhando o trajeto de toda a humanidade, assevera a verdade de que todos est\u00e3o \u201cna mesma barca\u201d e s\u00f3 a humilde atitude de se reconhecer como membro de um mesmo \u201ccorpo\u201d, que \u00e9 a \u201cbarca\u201d, pode levar ao cultivo do sentimento de pertencimento, desdobrado na s\u00e1bia coragem para contribuir no enfrentamento da \u201ctempestade\u201d que leva perigo a todos.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Sabiamente, a Igreja Cat\u00f3lica, na sua tradi\u00e7\u00e3o e ensinamentos bimilenares, se reconhece como uma \u201cbarca\u201d, a \u201cbarca de Cristo\u201d, sob o leme comandado por Pedro, em uma travessia perigosa e exigente. A riqueza dessa met\u00e1fora, com for\u00e7a sapiencial e em tom de advert\u00eancia, \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 humanidade, \u00e0 fam\u00edlia de cada um, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. Em todos os contextos, ningu\u00e9m se salva sozinho. Essa incontest\u00e1vel verdade, para alicer\u00e7ar a corresponsabilidade de uns pelos outros, pede atitudes fundamentadas em adequada envergadura moral, espiritual e human\u00edstica, essencial a uma \u201ctravessia\u201d vitoriosa. Essa adequada envergadura n\u00e3o pode ser confundida com capacidade intelectual. Ali\u00e1s, causa perplexidade constatar que h\u00e1 cidad\u00e3os racional e intelectualmente muito capacitados, mas com s\u00e9rios comprometimentos humanos e emocionais.\u00a0\u00a0 Revelam essas lacunas na incompet\u00eancia para superar m\u00e1goas, na inabilidade para exercer a gratid\u00e3o pelo muito que receberam. Assim, julgam-se no direito de agir tiranicamente e tudo reduzir ao tamanho de suas emo\u00e7\u00f5es, ao seu modo de enxergar situa\u00e7\u00f5es, pessoas.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Os que se deixam contaminar pela ingratid\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o capazes de perceber: nas suas pr\u00f3prias conquistas tamb\u00e9m est\u00e3o inscritos aqueles com os quais se partilha a mesma \u201cbarca de travessia\u201d. A incapacidade para reconhecer a import\u00e2ncia do semelhante na pr\u00f3pria vida leva \u00e0 perda de oportunidades, alimenta o \u00f3dio, desencadeando ataques. Um caminho que pode at\u00e9 levar a conquistas ef\u00eameras, pois s\u00e3o alcan\u00e7adas com preju\u00edzos \u00e0 pr\u00f3pria \u201cbarca\u201d. A falta de compet\u00eancia para enxergar que \u201cningu\u00e9m se salva sozinho\u201d explica a escassez de lideran\u00e7as transformadoras. Ao inv\u00e9s de l\u00edderes, na sociedade surge cada vez mais pessoas enjauladas no cart\u00f3rio de seus interesses, situados no horizonte encurtado das convic\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Consequentemente, convive-se com preju\u00edzos de todo tipo, das impositivas depreda\u00e7\u00f5es ao meio ambiente, inflamando rea\u00e7\u00f5es perigosas da natureza, at\u00e9 o desrespeito a direitos, desconsiderando a dignidade humana, justificando os preconceitos, a propaga\u00e7\u00e3o de mentiras, autoritarismos e manipula\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">\u201cTodos na mesma barca\u201d deve ser interpelante princ\u00edpio existencial para fecundar uma espiritualidade do respeito e da gratid\u00e3o, da generosidade e da humildade, do compromisso com a vida de todos, para dissipar m\u00e1goas que multiplicam inimigos, \u00f3dios que justificam todo tipo de guerra. Esse princ\u00edpio existencial e espiritual- \u201ctodos na mesma barca\u201d &#8211; pode ter propriedades que alicer\u00e7am pertencimentos restauradores e promotores do bem comum. E, assim, qualificar a pol\u00edtica, iluminar procedimentos profissionais e garantir legalidades a funcionamentos institucionais, articular melhor os poderes de uma rep\u00fablica e amenizar as irrita\u00e7\u00f5es que t\u00eam pautado relacionamentos nos lares, nas redes sociais e em tantos outros ambientes. A espiritualidade do pertencimento m\u00fatuo e fraterno \u00e9 sa\u00edda para a supera\u00e7\u00e3o de naufr\u00e1gios com perdas irrevers\u00edveis, alimentados pela guerra de palavras.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ao inv\u00e9s de guerrear por palavras, cultivar a espiritualidade do pertencimento m\u00fatuo e fraterno. Ajuda nesse exerc\u00edcio acolher o que diz Santo Ant\u00f4nio, hoje celebrado: \u201cCessem as palavras, falem as obras\u201d. Palavras sem obras podem estar na contram\u00e3o da \u201cbarca\u201d, deixando-a \u00e0 deriva. Vale adotar princ\u00edpio evang\u00e9lico que \u00e9 regra de ouro: o outro \u00e9 sempre mais importante porque todos est\u00e3o na mesma \u201cbarca\u201d. Desconsiderar esse princ\u00edpio \u00e9 singrar rumo \u00e0 tempestade, perecer por cultivar sentimentos e atitudes que levam \u00e0s profundezas. Ainda h\u00e1 tempo de se salvar. O caminho \u00e9 se pautar pela consci\u00eancia de que todos est\u00e3o na mesma barca.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) &nbsp; \u00a0 Sempre forte e interpelante \u00e9 o gesto po\u00e9tico-espiritual do Papa Francisco, na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro &#8211; a pra\u00e7a das multid\u00f5es. 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