{"id":985980,"date":"2025-07-14T10:19:44","date_gmt":"2025-07-14T13:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=985980"},"modified":"2025-07-14T10:24:03","modified_gmt":"2025-07-14T13:24:03","slug":"licoes-do-bom-samaritano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/licoes-do-bom-samaritano\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es do Bom Samaritano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jos\u00e9 Ionilton Lisboa de Oliveira<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo da Prelazia do Maraj\u00f3 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho do 15\u00ba Domingo do Tempo Comum, Ano C de nossa Liturgia,\u00a0Lucas 10, 25-37\u00a0\u2013 temos usa do fato da vida\u00a0do Bom Samaritano, para ensinar ao Mestre da Lei em seu tempo e hoje a n\u00f3s o que devemos fazer para receber como heran\u00e7a a vida eterna.\u00a0Jesus lhe provoca e ele mesmo responder: amar a Deus e amar ao pr\u00f3ximo como a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mestre querendo fugir da realidade, a partir do que Jesus estava lhe ensinando, perguntou a Jesus quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo. Jesus, tamb\u00e9m aqui, n\u00e3o d\u00e1 a resposta pronta. Jesus responde contando a par\u00e1bola do Bom Samaritano e no fim ajuda o Mestre da Lei a entender que a pergunta \u00e9 outra, ou seja, n\u00e3o deve ser quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo, mas, sim de quem eu estou sendo pr\u00f3ximo. Disse Jesus ao Mestre da Lei, \u201cna tua opini\u00e3o, qual dos tr\u00eas foi o pr\u00f3ximo do homem que caiu nas m\u00e3os dos assaltantes? Ele respondeu: aquele que usou de miseric\u00f3rdia para com ele. Jesus disse: Vai e faze a mesma coisa\u201d (vv. 36-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus assim nos ensina que para herdar a vida eterna, precisamos ir ao encontro dos \u201cassaltados\u201d de nosso tempo, jogados \u00e0 margem (\u00e0 beira do caminho) e ter compaix\u00e3o, aproximar-se, cuidar, socorrer, ser solid\u00e1rio, gastar tempo com os empobrecidos, exclu\u00eddos e marginalizados de nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que possamos refazer a hist\u00f3ria da par\u00e1bola e aplic\u00e1-la a n\u00f3s, hoje:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pessoa que cai nas m\u00e3os dos assaltantes: esta pessoa assaltada se atualiza em todas as pessoas que t\u00eam seus direitos assaltados, negados: trabalhadores, os sem sa\u00fade, sem educa\u00e7\u00e3o, sem assist\u00eancia social, os prejudicados com o desvio de dinheiro p\u00fablico, os que ficam sem pol\u00edtica p\u00fablicas porque a maioria dos deputados federais e senadores votaram contra a cria\u00e7\u00e3o de um imposto para quem ganha muito, para assim isentar do imposto de renda quem ganha menos, os prejudicados com as famigeradas emendas secretas de deputados e senadores&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sacerdote e Levita que v\u00eaem o homem ca\u00eddo, quase morto e foram indiferentes, seguiram adiante para chegar logo no templo para rezar. Estes podemos ser cada um de n\u00f3s, quando, tamb\u00e9m, somos indiferentes com a situa\u00e7\u00e3o das pessoas que s\u00e3o v\u00edtimas das injusti\u00e7as e por isto sofrem, s\u00e3o exclu\u00eddas, vivem \u00e0 margem da sociedade. Pensemos se a gente, tamb\u00e9m, n\u00e3o faz assim, deixa o pobre sofrendo, abandonado, e vamos para a Igreja celebrar a Eucaristia, rezar o ter\u00e7o, fazer adora\u00e7\u00e3o a Cristo na Eucaristia, participar de uma reuni\u00e3o para organizar o C\u00edrio de Nazar\u00e9, ensaiar os cantos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samaritano: inimigo dos judeus, estava viajando. Interrompeu a viagem, viu, sentiu compaix\u00e3o, aproximou-se, fez curativos, colocou em seu animal, levou a uma pens\u00e3o, cuidou dele, pagou a despesa da pens\u00e3o, pediu para tomarem conta dele, compromete-se a pagar a diferen\u00e7a na volta de sua viagem. Hoje o samaritano somos n\u00f3s, quando temos compaix\u00e3o dos empobrecidos, dos sofredores, fazemo-nos presente na vida deles (aproximar-se), buscamos ajud\u00e1-los (fez curativos), nos solidarizamos efetivamente (levar para a pens\u00e3o e pagar), incentivamos a outras pessoas a serem solid\u00e1rias e ajudarem (recomendou que tomasse conta dele). Poderemos ser um bom samaritano sozinho, um a boa samaritana sozinha ou comunitariamente atrav\u00e9s de uma das pastorais sociais de nossa Igreja ou de uma ONG \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o Governamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco na Carta Enc\u00edclica Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social dedica o cap\u00edtulo dois para comentar esta par\u00e1bola. Vale a pena a gente ler na \u00edntegra esta catequese. Partilho aqui alguns de seus ensinamentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 63. Conta Jesus que havia um homem ferido, estendido por terra no caminho, que fora assaltado. Passaram v\u00e1rios ao seu lado, mas\u2026 foram-se, n\u00e3o pararam. Eram pessoas com fun\u00e7\u00f5es importantes na sociedade, que n\u00e3o tinham no cora\u00e7\u00e3o o amor pelo bem comum. N\u00e3o foram capazes de perder uns minutos para cuidar do ferido ou, pelo menos, procurar ajuda. Um parou, ofereceu-lhe proximidade, curou-o com as pr\u00f3prias m\u00e3os, p\u00f4s tamb\u00e9m dinheiro do seu bolso e ocupou-se dele. Sobretudo deu-lhe algo que, neste mundo apressado, questionamos tanto: deu-lhe o seu tempo. Tinha certa mente os seus planos para aproveitar aquele dia a bem das suas necessidades, compromissos ou desejos. Mas conseguiu deixar tudo de lado \u00e0 vista do ferido e, sem o conhecer, considerou-o digno de lhe dedicar o seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 64. Com quem te identificas? \u00c9 uma pergunta sem rodeios, direta e determinante: a qual deles te assemelhas? Precisamos de reconhecer a tenta\u00e7\u00e3o que nos cerca de se desinteressar dos outros, especialmente dos mais fr\u00e1geis. Digamos que crescemos em muitos aspectos, mas somos analfabetos no acompanhar, cuidar e sustentar os mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis das nossas sociedades desenvolvidas. Habituamo-nos a olhar para o outro lado, passar \u00e0 margem, ignorar as situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 elas nos atingirem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 66. \u00c9 melhor n\u00e3o cair nesta mis\u00e9ria. Fixemos o modelo do bom samaritano. \u00c9 um texto que nos convida a fazer ressurgir a nossa voca\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os do pr\u00f3prio pa\u00eds e do mundo inteiro, construtores de um novo v\u00ednculo social. Com os seus gestos, o bom samaritano fez ver que \u00aba exist\u00eancia de cada um de n\u00f3s est\u00e1 ligada \u00e0 dos outros: a vida n\u00e3o \u00e9 tempo que passa, mas tempo de encontro\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 67. Diante de tanta dor, \u00e0 vista de tantas feridas, a \u00fanica via de sa\u00edda \u00e9 ser como o bom samaritano. Qualquer outra op\u00e7\u00e3o nos deixa ou com os assaltantes ou com os que passam adiante, sem se compadecer com o sofrimento do ferido na estrada. A par\u00e1bola mostra-nos as iniciativas com que se pode refazer uma comunidade a partir de homens e mulheres que assumem como pr\u00f3pria a fragilidade dos outros, n\u00e3o deixam se constituir uma sociedade de exclus\u00e3o, mas se fazem pr\u00f3ximos, levantam e reabilitam o ca\u00eddo, para que o bem seja comum. Ao mesmo tempo, a par\u00e1bola nos ad verte sobre certas atitudes de pessoas que s\u00f3 olham para si mesmas e n\u00e3o atendem \u00e0s exig\u00eancias inevit\u00e1veis da realidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 68. Viver indiferentes \u00e0 dor n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o poss\u00edvel; n\u00e3o podemos deixar ningu\u00e9m ca\u00eddo \u00abnas margens da vida\u00bb. Isto deve indignar-nos de tal maneira que nos fa\u00e7a descer da nossa tranquilidade, nos deixando atingir pelo sofrimento humano. Isto \u00e9 dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 79. O samaritano do caminho partiu sem esperar reconhecimentos nem obrigados. A dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o era a grande satisfa\u00e7\u00e3o diante do seu Deus e na pr\u00f3pria vida e, consequentemente, um dever. Todos temos uma responsabilidade pelo ferido que \u00e9 o nosso povo e todos os povos da terra. Cuidemos da fragilidade de cada homem, cada mulher, cada crian\u00e7a e cada idoso, com a mesma atitude solid\u00e1ria e sol\u00edcita, a mesma atitude de proximidade do bom samaritano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli Tutti\u00a0n\u00ba 81. O samaritano foi quem se fez pr\u00f3ximo do judeu ferido. Para se tornar pr\u00f3ximo e presente, ultrapassou todas as barreiras culturais e hist\u00f3ricas. A conclus\u00e3o de Jesus \u00e9 um pedido: \u00abVai e faz tu tamb\u00e9m o mesmo\u00bb (Lc 10, 37). Por outras palavras, desafia-nos a deixar de lado toda a diferen\u00e7a e, em presen\u00e7a do sofrimento, fazer-nos vizinhos a quem quer que seja. Assim, j\u00e1 n\u00e3o digo que tenho \u00abpr\u00f3ximos\u00bb a quem devo ajudar, mas que me sinto chamado a tornar-me eu um pr\u00f3ximo dos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jos\u00e9 Ionilton Lisboa de Oliveira Bispo da Prelazia do Maraj\u00f3 (PA) &nbsp; No Evangelho do 15\u00ba Domingo do Tempo Comum, Ano C de nossa Liturgia,\u00a0Lucas 10, 25-37\u00a0\u2013 temos usa do fato da vida\u00a0do Bom Samaritano, para ensinar ao Mestre da Lei em seu tempo e hoje a n\u00f3s o que devemos fazer para receber &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/licoes-do-bom-samaritano\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Li\u00e7\u00f5es do Bom Samaritano<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/985980"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=985980"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/985980\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":985983,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/985980\/revisions\/985983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=985980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=985980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=985980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}