{"id":987255,"date":"2025-08-08T08:47:29","date_gmt":"2025-08-08T11:47:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=987255"},"modified":"2025-08-08T09:05:41","modified_gmt":"2025-08-08T12:05:41","slug":"a-importancia-da-figura-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-importancia-da-figura-do-pai\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia da figura do pai\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Itacir Brassiani<br \/>\nBispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Para falar de Deus, Jesus recorre \u00e0 experi\u00eancia humana do pai. Ele chama e nos ensina a chamar Deus de \u201cpapai\u201d. Assim, por um lado, o amor e a confian\u00e7a em Deus dependem da experi\u00eancia que temos do pai biol\u00f3gico ou afetivo, e, por outro, a paternidade precisa se inspirar em Deus, que \u00e9 sua figura plena e acabada. Assim, a experi\u00eancia humana da paternidade nos ajuda a compreender Deus, e a descoberta da paternidade de Deus pode purificar a rela\u00e7\u00e3o com nosso pai biol\u00f3gico.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">N\u00e3o chegaremos a compreender o que significa dizer que Deus \u00e9 como um pai sem apagar e imagem de Deus que o cristianismo veiculou a partir da idade m\u00e9dia. A catequese medieval apresentou Deus como algu\u00e9m cuja vontade escapa \u00e0 nossa compreens\u00e3o, que pode querer tudo e o seu contr\u00e1rio, um ser com caracter\u00edsticas de tirano e arbitr\u00e1rio. E Jesus crucificado \u00e9 visto e apresentado como a primeira v\u00edtima dessa vontade tir\u00e2nica.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A modernidade ocidental reagiu a essa imagem distorcida, mutilada e mutiladora de Deus. Pensadores da estatura de Marx, Nietzsche, Freud e Sartre criticaram, com raz\u00e3o, essas imagens limitadas e deformadas de divindade e paternidade: uma vontade absolutista, cega e exterior ao sujeito, identificada com a lei, a ordem e o limite, que age como um freio \u00e0 liberdade humana e impede que as pessoas cheguem \u00e0 maturidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Mas, com isso, a modernidade acabou apagando e eliminando a figura do pai na vida social. Eliminando o pai, questionando a lei e eliminando os limites, ela deu \u00e0 luz um pensamento d\u00e9bil, eliminou a verdade e desconfiou de tudo. O ser humano passou a sentir-se inseguro, perdido, sem refer\u00eancias. E acabou fabricando para si outros pais e mitos substitutivos: Hitler, Mussolini, celebridades diversas do espet\u00e1culo e do esporte.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Para superar este paradoxo, o Cardeal Martini prop\u00f5e situar a figura do pai em outro horizonte. Ele diz que o ser humano carrega em si dois dinamismos concorrentes: a inquietude diante da morte, do limite e da finitude; o desejo de descoberta, de curiosidade, de plenitude. E, para suportar esta tens\u00e3o, busca a divers\u00e3o, e leva isso ao extremo na sociedade contempor\u00e2nea: faz tudo para eludir o limite e para iludir a morte.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Nesse contexto, o Cardeal Martini insere o verdadeiro rosto da paternidade, tanto humana como divina: o pai \u00e9 a certeza de uma origem e um futuro, de uma refer\u00eancia firme. Assim, o pai \u00e9 resgata a nossa identidade de seres humanos e de filhos de Deus. Redescobrindo o papel positivo do pai, da lei e dos limites, o ser humano descobre tamb\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 uma liberdade indiferente e sem sentido, mas uma liberdade para crescer em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude, uma liberdade para o bem.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Freud nos lembra que o pai \u00e9 tamb\u00e9m aquele que afasta o filho da m\u00e3e, permitindo que ele desenvolva a autonomia e se engaje na vida do mundo. Assim, a figura do pai nos ajuda a ter o justo olhar sobre o outro. \u00c9 \u00e0 luz da paternidade que a fraternidade e a dimens\u00e3o do outro como irm\u00e3o e irm\u00e3 se manifestam. Na vida crist\u00e3, \u00e9 a paternidade de Deus que nos ajuda a avan\u00e7ar com aud\u00e1cia e confian\u00e7a, a abandonar-nos em Deus, como Jesus o fez. E isso \u00e9 essencial para o equil\u00edbrio da sociedade e para o equil\u00edbrio pessoal.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Itacir Brassiani Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) &nbsp; &nbsp; Para falar de Deus, Jesus recorre \u00e0 experi\u00eancia humana do pai. Ele chama e nos ensina a chamar Deus de \u201cpapai\u201d. 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