{"id":988702,"date":"2025-09-09T11:29:03","date_gmt":"2025-09-09T14:29:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=988702"},"modified":"2025-09-09T11:29:41","modified_gmt":"2025-09-09T14:29:41","slug":"a-cruz-lugar-onde-nasce-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-cruz-lugar-onde-nasce-a-esperanca\/","title":{"rendered":"A Cruz: lugar onde nasce a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span data-olk-copy-source=\"MessageBody\">Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<br \/>\nArcebispo de Santa Maria (RS)\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz nos convida a contemplar o madeiro no qual Cristo entregou a vida por n\u00f3s. Aos olhos do mundo, a cruz \u00e9 sinal de fracasso, humilha\u00e7\u00e3o e morte. Mas, na f\u00e9, descobrimos que ela \u00e9 o trono de Cristo, onde Ele reina pelo amor e inaugura um novo tempo para toda a humanidade: n\u00e3o mais o dom\u00ednio do pecado e da morte, mas o reinado da gra\u00e7a e da vida no Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Carta aos Romanos, Paulo ensina que o batismo nos une de tal forma \u00e0 cruz de Cristo que podemos dizer: fomos \u201csepultados com Ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova\u201d (Rm 6,4). Pela cruz, morremos para o pecado; pela ressurrei\u00e7\u00e3o, vivemos para Deus. A cruz n\u00e3o \u00e9, portanto, um epis\u00f3dio isolado da vida de Jesus: \u00e9 o ponto decisivo da hist\u00f3ria humana. Nela, o amor venceu o ego\u00edsmo, a obedi\u00eancia venceu a rebeldia, a vida venceu a morte.<\/p>\n<p><strong>A cruz: vit\u00f3ria que sustenta a esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo sabe que essa vit\u00f3ria n\u00e3o nos dispensa da luta. O pecado ainda tenta dominar \u201cos nossos membros\u201d (Rm 6,12), e as for\u00e7as de morte continuam presentes no mundo. Mas quem vive unido a Cristo j\u00e1 n\u00e3o pertence \u00e0 velha escravid\u00e3o. A cruz se torna, ent\u00e3o, a for\u00e7a que sustenta a nossa resist\u00eancia e o fundamento da nossa esperan\u00e7a: \u201ca esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo\u201d (Rm 5,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar a Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz \u00e9 reconhecer que nossa liberdade custou o pre\u00e7o do sangue de Cristo. Por isso, n\u00e3o podemos viver de forma superficial ou indiferente. Aquele que foi \u201cobediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz\u201d (Fl 2,8) nos chama a viver na novidade de vida, como servidores da justi\u00e7a e construtores de paz.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo 7 de Romanos lembra que, antes da cruz, est\u00e1vamos sob o peso da Lei, incapazes de cumprir plenamente a vontade de Deus. A cruz liberta desse \u201ccorpo de morte\u201d (Rm 7,24) e abre o caminho para o dom do Esp\u00edrito, que escreve a Lei no cora\u00e7\u00e3o e nos conduz \u00e0 vida eterna. Assim, a cruz n\u00e3o \u00e9 um fardo in\u00fatil, mas a ponte entre a nossa fragilidade e a miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p><strong>A espiritualidade da Cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver a espiritualidade da cruz significa aprender a olhar para a vida a partir do amor que se entrega totalmente. A cruz n\u00e3o \u00e9 um convite ao sofrimento pelo sofrimento, mas \u00e0 doa\u00e7\u00e3o livre que transforma o sofrimento em oferta de amor.<\/p>\n<p>Quando o crist\u00e3o carrega a sua cruz \u2014 seja nas lutas di\u00e1rias, nas ren\u00fancias silenciosas, no cuidado fiel pelos outros \u2014, ele se une ao caminho de Cristo e participa de sua obra redentora. A espiritualidade da cruz nos ensina a confiar mesmo quando n\u00e3o compreendemos, a perdoar quando fomos feridos, a servir quando seria mais f\u00e1cil recuar.<\/p>\n<p>Assim, a cruz se torna uma escola de humildade, fortaleza e miseric\u00f3rdia, moldando em n\u00f3s o cora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo, que venceu n\u00e3o com poder e viol\u00eancia, mas com a for\u00e7a mansa e invenc\u00edvel do amor.<\/p>\n<p><strong>A Cruz: reconcilia\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja proclama: \u201cN\u00f3s vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.\u201d A esperan\u00e7a crist\u00e3 nasce desse mist\u00e9rio: o Filho de Deus assumiu o que havia de mais doloroso e vergonhoso em nossa condi\u00e7\u00e3o humana e o transformou em fonte de vida. Quem abra\u00e7a a cruz, abra\u00e7a a certeza de que nada \u2014 nem o pecado, nem a morte \u2014 poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus (cf. Rm 8,39).<\/p>\n<p>A cruz permanece erguida no centro da hist\u00f3ria como sinal de definitivo de reconcilia\u00e7\u00e3o. \u00c9 nela que Deus nos reconcilia consigo e nos d\u00e1 a miss\u00e3o de reconciliar o mundo: fam\u00edlias feridas, sociedades divididas, povos em conflito. Olhar para a cruz \u00e9 deixar-se configurar ao Crucificado, para que tamb\u00e9m nossas palavras e gestos se tornem sementes de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Que, ao celebrarmos a Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, renovemos nossa decis\u00e3o de viver como batizados: mortos para o pecado, vivos para Deus, peregrinos de esperan\u00e7a. Pois na cruz encontramos a resposta para o clamor humano e a garantia de que a gra\u00e7a sempre ter\u00e1 a \u00faltima palavra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS)\u00a0 A liturgia da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz nos convida a contemplar o madeiro no qual Cristo entregou a vida por n\u00f3s. Aos olhos do mundo, a cruz \u00e9 sinal de fracasso, humilha\u00e7\u00e3o e morte. 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