{"id":988959,"date":"2025-09-14T11:50:49","date_gmt":"2025-09-14T14:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=988959"},"modified":"2025-09-18T11:56:42","modified_gmt":"2025-09-18T14:56:42","slug":"a-cruz-trono-da-vitoria-e-sinal-do-amor-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-cruz-trono-da-vitoria-e-sinal-do-amor-de-deus\/","title":{"rendered":"A Cruz, trono da vit\u00f3ria e sinal do amor de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Dom Anuar Battisti<br \/>\nArcebispo em\u00e9rito de Maring\u00e1 (PR)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, neste domingo celebramos a festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9, pois nela se revela ao mesmo tempo a dor da humanidade ferida pelo pecado e a grandeza do amor de Deus que salva. Ao olhar para a cruz, n\u00e3o contemplamos apenas um instrumento de supl\u00edcio, mas o trono da gl\u00f3ria de Cristo e o sinal da vit\u00f3ria sobre o mal e a morte.<\/p>\n<p>Na primeira leitura, do livro dos N\u00fameros (Nm 21,4-9), vemos o povo que, no deserto, impaciente e desconfiado, murmurava contra Deus e contra Mois\u00e9s. Por causa de sua rebeldia, foram atingidos pelas serpentes venenosas, mas o Senhor, em sua miseric\u00f3rdia, indicou um rem\u00e9dio: levantar uma serpente de bronze, para que todo aquele que a olhasse fosse salvo. Esse epis\u00f3dio j\u00e1 apontava para o mist\u00e9rio de Cristo: assim como a serpente foi levantada no deserto, tamb\u00e9m o Filho do Homem seria levantado na cruz, tornando-se fonte de vida para todos que n\u2019Ele crerem.<\/p>\n<p>O salmo responsorial (Sl 77\/78) recorda a infidelidade de Israel, mas sobretudo a paci\u00eancia de Deus, que n\u00e3o abandonou seu povo. O refr\u00e3o nos convida a n\u00e3o esquecer as obras do Senhor, mas a guardar no cora\u00e7\u00e3o sua miseric\u00f3rdia. A cruz \u00e9 justamente essa mem\u00f3ria viva: todo crist\u00e3o que contempla o madeiro sagrado reconhece nele a obra suprema do amor de Deus, que n\u00e3o nos trata segundo os nossos pecados, mas abre diante de n\u00f3s um caminho de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na segunda leitura, a carta de S\u00e3o Paulo aos Filipenses (Fl 2,6-11), o ap\u00f3stolo proclama o grande hino cristol\u00f3gico: Jesus, sendo de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o se apegou \u00e0 sua igualdade com Deus, mas humilhou-se, assumiu a forma de servo e fez-se obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e lhe deu o nome acima de todo nome. A cruz, que parecia fracasso, tornou-se caminho de glorifica\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica da f\u00e9 \u00e9 esta: quanto mais Cristo se abaixa, mais o Pai o eleva. Por isso, diante da cruz, todo joelho se dobra e toda l\u00edngua proclama que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor.<\/p>\n<p>O Evangelho de Jo\u00e3o (Jo 3,13-17) aprofunda este mist\u00e9rio: \u201cAssim como Mois\u00e9s levantou a serpente no deserto, assim \u00e9 necess\u00e1rio que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna.\u201d E o evangelista acrescenta a frase que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de toda a Boa Nova: \u201cDeus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unig\u00eanito, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna.\u201d A cruz, portanto, \u00e9 a suprema manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus, n\u00e3o um gesto de condena\u00e7\u00e3o, mas de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, ao celebrarmos a Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, somos convidados a olhar para ela n\u00e3o com medo, mas com esperan\u00e7a; n\u00e3o como derrota, mas como vit\u00f3ria. O mundo muitas vezes foge da cruz, prefere caminhos f\u00e1ceis, busca apenas o sucesso e o prazer imediato. Mas a f\u00e9 crist\u00e3 nos ensina que \u00e9 pela cruz que chegamos \u00e0 vida plena. N\u00e3o se trata de buscar sofrimentos por si mesmos, mas de reconhecer que, unidos a Cristo, at\u00e9 as dores inevit\u00e1veis da vida podem se transformar em oferenda de amor e em fonte de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a cruz deve estar no centro de nossas vidas. N\u00e3o apenas como sinal pendurado na parede ou no pesco\u00e7o, mas como atitude de entrega, de servi\u00e7o, de amor que se doa sem medida. O crist\u00e3o n\u00e3o foge da cruz, mas a assume na certeza de que nela est\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o. Por isso, cada gesto de paci\u00eancia, cada ato de perd\u00e3o, cada ren\u00fancia por amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio da cruz redentora de Cristo.<\/p>\n<p>Que neste domingo renovemos nossa f\u00e9 no Crucificado e Ressuscitado. Diante da cruz, reconhe\u00e7amos nossas fragilidades, mas tamb\u00e9m a grandeza do amor que nos sustenta. Que possamos, como a serpente de bronze no deserto, levantar bem alto a cruz de Cristo no meio do mundo, para que todos os que a contemplarem encontrem esperan\u00e7a e vida nova. E que nossa vida, marcada pela cruz, seja tamb\u00e9m sinal de salva\u00e7\u00e3o para os que convivem conosco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Anuar Battisti Arcebispo em\u00e9rito de Maring\u00e1 (PR) Irm\u00e3os e irm\u00e3s, neste domingo celebramos a festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9, pois nela se revela ao mesmo tempo a dor da humanidade ferida pelo pecado e a grandeza do amor de Deus que salva. 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