{"id":989141,"date":"2025-09-21T15:02:23","date_gmt":"2025-09-21T18:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=989141"},"modified":"2025-09-24T15:17:25","modified_gmt":"2025-09-24T18:17:25","slug":"xxv-domingo-do-tempo-comum-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/xxv-domingo-do-tempo-comum-3\/","title":{"rendered":"XXV Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Cardeal Orani Tempesta<br \/>\nArcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste vig\u00e9simo quinto domingo do Tempo Comum, somos convidados a meditar sobre a nossa vida como um dom recebido de Deus. Nada do que temos \u00e9 apenas fruto do nosso esfor\u00e7o ou da nossa intelig\u00eancia: tudo nos \u00e9 dado por Aquele que \u00e9 a fonte da vida. A sa\u00fade, as oportunidades, a f\u00e9, a fam\u00edlia, o trabalho, at\u00e9 mesmo o tempo que temos a cada dia, tudo \u00e9 presente do Senhor. E porque tudo \u00e9 dom, tudo \u00e9 tamb\u00e9m responsabilidade. O Evangelho nos apresenta a par\u00e1bola do administrador, a quem o Senhor pede: \u201cPresta contas da tua administra\u00e7\u00e3o\u201d (Lc 16,2). Essa palavra nos recorda que nada \u00e9 absolutamente nosso, mas tudo \u00e9 dom de Deus a ser cuidado com amor e partilhado com justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira leitura (Am 8,4-7), o profeta Am\u00f3s levanta a voz contra uma realidade dura e concreta: a explora\u00e7\u00e3o dos pobres pelos poderosos. Ele denuncia a fraude nos neg\u00f3cios, a manipula\u00e7\u00e3o das medidas, a gan\u00e2ncia que transforma pessoas em mercadorias. \u00c9 impressionante como palavras escritas h\u00e1 tantos s\u00e9culos s\u00e3o sempre atuais. Em uma sociedade marcada pelo consumismo, pela sede insaci\u00e1vel de lucro e pelo descarte dos mais fr\u00e1geis, a voz de Am\u00f3s ressoa como um alerta de Deus. E o Senhor n\u00e3o \u00e9 indiferente: \u201cNunca mais esquecerei o que eles fizeram!\u201d (Am 8,7). Isso significa que Deus n\u00e3o esquece as l\u00e1grimas do pobre, n\u00e3o ignora a dor do trabalhador injusti\u00e7ado, n\u00e3o fecha os olhos para a corrup\u00e7\u00e3o que sufoca os indefesos. Essa leitura nos ensina que n\u00e3o h\u00e1 verdadeira prosperidade quando ela se constr\u00f3i sobre a injusti\u00e7a. A riqueza que oprime n\u00e3o \u00e9 b\u00ean\u00e7\u00e3o, mas maldi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura (1Tm 2,1-8), S\u00e3o Paulo alarga o nosso horizonte. Ele nos pede que fa\u00e7amos ora\u00e7\u00f5es e s\u00faplicas por todos, especialmente pelos que governam, porque Deus \u201cquer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade\u201d (1Tm 2,4). Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma beleza extraordin\u00e1ria: a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio de alguns, mas \u00e9 oferecida a todos. Cristo \u00e9 o \u00fanico mediador, o \u00fanico Senhor, e se entregou em resgate n\u00e3o apenas por um grupo, mas por toda a humanidade. Por isso, a ora\u00e7\u00e3o da Igreja deve ser universal, sem excluir ningu\u00e9m. A f\u00e9 aut\u00eantica nos impede de fechar o cora\u00e7\u00e3o em preconceitos ou interesses restritos: ela nos abre ao bem comum, ao cuidado com a vida social, \u00e0 busca da paz. Rezar pelos governantes n\u00e3o \u00e9 bajula\u00e7\u00e3o, mas consci\u00eancia de que tamb\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">eles precisam de luz e sabedoria para governar com justi\u00e7a. O crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser ponte, intercessor, algu\u00e9m que traz o mundo inteiro para dentro do cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho (Lc 16,1-13), encontramos a par\u00e1bola do administrador infiel. \u00c0 primeira vista, o texto pode causar estranhamento, porque o administrador foi desonesto. Mas Jesus n\u00e3o exalta a fraude; Ele ressalta a esperteza de algu\u00e9m que, diante de uma crise, soube agir rapidamente para garantir o futuro. O que o Senhor deseja nos ensinar \u00e9 que tamb\u00e9m n\u00f3s precisamos de decis\u00e3o e prontid\u00e3o quando se trata do Reino de Deus. Se os filhos deste mundo sabem ser criativos em seus interesses passageiros, quanto mais n\u00f3s dever\u00edamos ser criativos, ousados e perseverantes nas coisas eternas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa par\u00e1bola nos lembra que tudo o que temos \u00e9 provis\u00f3rio e relativo. Somos administradores, n\u00e3o donos. O dinheiro, as posses, o prest\u00edgio, a sa\u00fade, at\u00e9 mesmo a vida, tudo nos \u00e9 confiado por um tempo, e o Senhor espera que usemos esses dons com sabedoria. \u00c9 por isso que Jesus chama o dinheiro de \u201cinjusto\u201d: n\u00e3o porque seja mau em si mesmo, mas porque \u00e9 sempre trai\u00e7oeiro, sempre limitado, sempre sujeito a corromper. Se n\u00e3o somos fi\u00e9is no pouco, como poderemos receber o muito? Se n\u00e3o administramos com retid\u00e3o aquilo que passa, como Deus nos confiar\u00e1 o que n\u00e3o passa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem central do Evangelho \u00e9 clara: tudo o que temos deve ser usado para o bem, para ajudar o pr\u00f3ximo, para semear justi\u00e7a e solidariedade. Quando Jesus afirma que n\u00e3o podemos servir a Deus e ao dinheiro, n\u00e3o se trata apenas de escolher entre dois caminhos opostos, mas de discernir o que realmente ocupa o nosso cora\u00e7\u00e3o. O dinheiro pode ser um bom servo, mas \u00e9 sempre um p\u00e9ssimo senhor. Se nossas conquistas forem instrumentos de servi\u00e7o, ser\u00e3o b\u00ean\u00e7\u00e3o; mas, se se tornarem \u00eddolos, escravizar\u00e3o a alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor nos chama, portanto, a viver os mandamentos n\u00e3o como regras frias, mas como um caminho de vida que nos educa para o amor. \u201cN\u00e3o roubar\u00e1s\u201d, \u201cn\u00e3o cobi\u00e7ar\u00e1s\u201d, \u201cn\u00e3o levantar\u00e1s falso testemunho\u201d: cada um desses mandamentos nos recorda que a fidelidade nas pequenas coisas revela a verdade do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 na retid\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es, no respeito pelo outro, na honestidade do trabalho, na palavra fiel que se constr\u00f3i a santidade. A par\u00e1bola do administrador nos desafia a ser fi\u00e9is no\u00a0pouco, para que possamos receber o muito: a vida eterna, o bem verdadeiro que n\u00e3o se perde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde est\u00e1 o nosso tesouro, a\u00ed est\u00e1 tamb\u00e9m o nosso cora\u00e7\u00e3o. Se colocamos nossa confian\u00e7a apenas nos bens que passam, corremos o risco de perder o Bem que n\u00e3o passa. Mas, se aprendemos a colocar nossa vida em Deus, usando o que temos como instrumentos de amor, de partilha e de justi\u00e7a, ent\u00e3o caminhamos com seguran\u00e7a rumo \u00e0s moradas eternas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que este domingo seja para n\u00f3s um momento de exame de consci\u00eancia: como administramos o nosso tempo, os dons que recebemos, o trabalho, os bens materiais? Temos usado tudo isso como sinais do Reino ou como instrumentos de ego\u00edsmo? Que possamos pedir ao Senhor a gra\u00e7a de sermos administradores fi\u00e9is, para que, no dia em que Ele nos chamar, possamos ouvir de seus l\u00e1bios: \u201cFoste fiel no pouco, vem participar da alegria do teu Senhor\u201d (cf. Mt 25,21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) Neste vig\u00e9simo quinto domingo do Tempo Comum, somos convidados a meditar sobre a nossa vida como um dom recebido de Deus. 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