{"id":989278,"date":"2025-09-26T12:05:51","date_gmt":"2025-09-26T15:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=989278"},"modified":"2025-09-26T12:11:01","modified_gmt":"2025-09-26T15:11:01","slug":"universidade-de-ensino-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/universidade-de-ensino-integral\/","title":{"rendered":"Universidade de Ensino Integral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<br \/>\nArcebispo de Santa Maria (RS)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As universidades, tal como as conhecemos hoje, nasceram no cora\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica. Nos s\u00e9culos XII e XIII, centros de saber como Bolonha, Paris e Oxford floresceram a partir das escolas catedrais e mon\u00e1sticas, onde o estudo era insepar\u00e1vel da vida espiritual. Ali, mestres e estudantes uniam o rigor intelectual \u00e0 busca de sentido \u00faltimo, cultivando um saber que n\u00e3o se limitava \u00e0 utilidade pr\u00e1tica, mas se orientava para a verdade. Foi nesse ambiente, moldado pela f\u00e9 e pela raz\u00e3o, que surgiram as bases do m\u00e9todo acad\u00eamico, do di\u00e1logo entre disciplinas e da liberdade de investiga\u00e7\u00e3o, caracter\u00edsticas essenciais da tradi\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria ocidental.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edzes e esp\u00edrito origin\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Veritatis Gaudium, do Papa Francisco, convida as institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior \u2014 especialmente as cat\u00f3licas e eclesi\u00e1sticas \u2014 a recuperar e renovar esse esp\u00edrito origin\u00e1rio. A universidade n\u00e3o deve restringir-se \u00e0 transmiss\u00e3o de conhecimento t\u00e9cnico ou cient\u00edfico, mas deve ser um espa\u00e7o de busca compartilhada pela verdade, onde o rigor da pesquisa se une \u00e0 abertura ao mist\u00e9rio da vida.<\/p>\n<p>Excel\u00eancia, nesse sentido, n\u00e3o significa apenas alcan\u00e7ar altos \u00edndices acad\u00eamicos ou rankings internacionais, mas formar mentes cr\u00edticas, \u00e9ticas e criativas, capazes de responder aos desafios complexos do nosso tempo. A Veritatis Gaudium lembra que isso exige di\u00e1logo interdisciplinar, liberdade de pesquisa e compromisso \u00e9tico. O saber precisa ser integral, conectando ci\u00eancia, filosofia, teologia, artes e cultura, sempre em vista da dignidade humana e da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p><strong>Excel\u00eancia e espiritualidade em di\u00e1logo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a excel\u00eancia isolada corre o risco de se tornar est\u00e9ril se n\u00e3o estiver enraizada na espiritualidade. Na vida universit\u00e1ria, espiritualidade n\u00e3o significa apenas devo\u00e7\u00e3o pessoal, mas uma atitude permanente de escuta, humildade intelectual e abertura ao outro. \u00c9 a \u201calegria da verdade\u201d \u2014 veritatis gaudium \u2014 que brota quando o conhecimento encontra o amor e o servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma universidade que integra espiritualidade em sua rotina acad\u00eamica cria um ambiente no qual o saber n\u00e3o \u00e9 usado para dominar, mas para libertar; n\u00e3o serve para inflar vaidades, mas para promover comunh\u00e3o. A dimens\u00e3o espiritual mant\u00e9m viva a pergunta pelo \u201cpara qu\u00ea\u201d do conhecimento e impede que a t\u00e9cnica e a ci\u00eancia se tornem fins em si mesmas.<\/p>\n<p><strong>Universidade como laborat\u00f3rio cultural<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Veritatis Gaudium tamb\u00e9m prop\u00f5e que a universidade seja um \u201claborat\u00f3rio cultural\u201d para novas formas de di\u00e1logo entre f\u00e9 e raz\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, local e global. Esse di\u00e1logo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel onde h\u00e1 excel\u00eancia acad\u00eamica e abertura espiritual, reconhecendo que toda verdade \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na Verdade que \u00e9 Deus.<\/p>\n<p>Num mundo fragmentado, com crise de sentido e r\u00e1pidos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, a combina\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia e espiritualidade \u00e9 urgente. A primeira garante a solidez e a relev\u00e2ncia do conhecimento; a segunda garante que esse conhecimento seja orientado para um futuro mais justo, fraterno e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, a universidade que une essas duas dimens\u00f5es continua fiel \u00e0s suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas e se torna um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o integral, onde se aprende n\u00e3o apenas a pensar, mas tamb\u00e9m a viver; n\u00e3o apenas a inovar, mas tamb\u00e9m a servir; n\u00e3o apenas a buscar a verdade com intelig\u00eancia, mas tamb\u00e9m com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) As universidades, tal como as conhecemos hoje, nasceram no cora\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica. Nos s\u00e9culos XII e XIII, centros de saber como Bolonha, Paris e Oxford floresceram a partir das escolas catedrais e mon\u00e1sticas, onde o estudo era insepar\u00e1vel da vida espiritual. 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