{"id":990173,"date":"2025-10-20T09:14:44","date_gmt":"2025-10-20T12:14:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=990173"},"modified":"2025-10-20T10:29:55","modified_gmt":"2025-10-20T13:29:55","slug":"dilexi-te-o-amor-aos-pobres-como-coracao-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dilexi-te-o-amor-aos-pobres-como-coracao-do-evangelho\/","title":{"rendered":"Dilexi te: o amor aos pobres como cora\u00e7\u00e3o do Evangelho\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Natal (RN)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Dilexi te<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, do Papa Le\u00e3o XIV (4 de outubro de 2025), constitui um dos primeiros atos magisteriais de seu pontificado e manifesta uma clara linha de continuidade com o Papa Francisco, de quem o novo Pont\u00edfice herdou o projeto inicial do texto. Essa continuidade se expressa n\u00e3o apenas no t\u00edtulo \u2014 que dialoga diretamente com a enc\u00edclica <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Dilexit nos<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, sobre o amor humano e divino do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u2014, mas sobretudo na \u00eanfase dada \u00e0 dimens\u00e3o evang\u00e9lica do amor preferencial pelos pobres como caminho de santifica\u00e7\u00e3o pessoal e renova\u00e7\u00e3o eclesial.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O documento parte de fontes b\u00edblicas como fundamento do compromisso crist\u00e3o com a promo\u00e7\u00e3o humana e o cuidado dos pobres. Desde a frase inicial \u2014 que abre e d\u00e1 t\u00edtulo ao texto, \u00abEu te amei\u00bb (Ap 3,9), dirigida a uma comunidade crist\u00e3 sem prest\u00edgio nem recursos, exposta \u00e0 viol\u00eancia e ao desprezo \u2014, recorda-se que o amor divino se manifesta, antes de tudo, na aten\u00e7\u00e3o aos pequenos e esquecidos.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A partir da revela\u00e7\u00e3o feita a Mois\u00e9s \u2014 \u201cEu vi a afli\u00e7\u00e3o do meu povo\u201d (Ex 3,7-10) \u2014, o Papa mostra que o amor de Deus em rela\u00e7\u00e3o aos pobres se traduz em escuta, compaix\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o. A pobreza, portanto, n\u00e3o \u00e9 um acaso nem um simples dado social, mas um lugar teol\u00f3gico onde Deus se revela e fala \u00e0 humanidade: \u201co contato com quem n\u00e3o tem poder nem grandeza \u00e9 um modo fundamental de encontro com o Senhor da hist\u00f3ria. Nos pobres, Ele ainda tem algo a dizer-nos\u201d (n. 5). Cristo, o Messias pobre, encarna plenamente essa op\u00e7\u00e3o divina: \u201csendo rico, fez-se pobre por v\u00f3s, para vos enriquecer com a sua pobreza\u201d (2Cor 8,9). Assim, o amor aos pobres deixa de ser mera benefic\u00eancia para tornar-se express\u00e3o concreta da f\u00e9 no Deus que se fez pobre e pr\u00f3ximo dos \u00faltimos.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Le\u00e3o XIV demonstra que a aten\u00e7\u00e3o e o cuidado com os pobres n\u00e3o derivam de ideologias nem de modismos sociais, mas t\u00eam natureza teologal, enraizada no pr\u00f3prio mist\u00e9rio da f\u00e9 crist\u00e3. Para o Papa, essa atitude brota do Evangelho e da vida de Jesus, que se fez pobre e caminhou entre os marginalizados, e foi vivida com fidelidade pelas primeiras comunidades crist\u00e3s, que partilhavam os bens \u201cde modo que entre eles n\u00e3o havia necessitados\u201d (At 4,34). Assim, o amor aos pobres n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o circunstancial, mas uma dimens\u00e3o essencial da f\u00e9 e da comunh\u00e3o eclesial. Por isso, Le\u00e3o XIV mostra que a aten\u00e7\u00e3o aos pobres n\u00e3o \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, mas uma constante da vida e da miss\u00e3o da Igreja.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Recorrendo amplamente \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica e mon\u00e1stica, o Papa evoca figuras como S\u00e3o Louren\u00e7o, Santo Agostinho, S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo e S\u00e3o Bas\u00edlio Magno, para evidenciar que, desde os primeiros s\u00e9culos, o cuidado dos pobres foi compreendido como ato de f\u00e9 e express\u00e3o do amor a Cristo, e n\u00e3o como simples gesto moral ou social. A vida mon\u00e1stica, por exemplo, aparece como \u201cescola de caridade\u201d, e os mosteiros, como \u201clugares de ref\u00fagio e partilha\u201d. Le\u00e3o XIV recorda, assim, que a solidariedade evang\u00e9lica \u00e9 elemento constitutivo da identidade crist\u00e3 e n\u00e3o fruto de circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O texto tamb\u00e9m busca unir os \u00faltimos tr\u00eas pontificados \u2014 Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco \u2014 num mesmo horizonte de amor social e espiritual, mostrando que o cuidado dos pobres \u00e9 express\u00e3o da \u00fanica f\u00e9 da Igreja. Le\u00e3o XIV refor\u00e7a a dimens\u00e3o transcendental da caridade: \u00e9 preciso \u201cestabelecer com Deus o Reino de justi\u00e7a\u201d antes de pretender construir estruturas sociais justas. A a\u00e7\u00e3o caritativa, portanto, n\u00e3o substitui o Evangelho, mas brota dele e o torna vis\u00edvel na hist\u00f3ria.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma importante men\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o \u201cIgreja dos pobres\u201d, retomando o Cardeal Lercaro no Conc\u00edlio Vaticano II e o Papa Francisco (n. 84). A op\u00e7\u00e3o pelos pobres aparece, ent\u00e3o, como consequ\u00eancia do amor de Cristo, que v\u00ea no pobre uma categoria teol\u00f3gica: amar o pobre \u00e9 amar o pr\u00f3prio Senhor (cf. Mt 25,40).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Por fim, Le\u00e3o XIV prop\u00f5e uma Igreja que \u201csaiba apenas amar\u201d, n\u00e3o como idealismo ing\u00eanuo, mas como resposta teol\u00f3gica a tempos marcados por \u00f3dio, polariza\u00e7\u00f5es e fundamentalismos. O amor, enraizado em Cristo, \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a capaz de reconciliar f\u00e9 e hist\u00f3ria, ora\u00e7\u00e3o e compromisso, transcend\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o social. Assim, <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Dilexi te<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> \u00e9, ao mesmo tempo, continuidade e novidade: continuidade do magist\u00e9rio de Francisco e novidade do estilo espiritual de Le\u00e3o XIV, que imprime ao texto um tom de unidade e reconcilia\u00e7\u00e3o para uma Igreja chamada a redescobrir no amor aos pobres o n\u00facleo do Evangelho.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso\u00a0 Arcebispo de Natal (RN) &nbsp; &nbsp; A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Dilexi te, do Papa Le\u00e3o XIV (4 de outubro de 2025), constitui um dos primeiros atos magisteriais de seu pontificado e manifesta uma clara linha de continuidade com o Papa Francisco, de quem o novo Pont\u00edfice herdou o projeto inicial do texto. &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dilexi-te-o-amor-aos-pobres-como-coracao-do-evangelho\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Dilexi te: o amor aos pobres como cora\u00e7\u00e3o do Evangelho\u00a0<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":105,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/990173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/105"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=990173"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/990173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":990175,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/990173\/revisions\/990175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=990173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=990173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=990173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}