{"id":990696,"date":"2025-10-31T09:49:32","date_gmt":"2025-10-31T12:49:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=990696"},"modified":"2025-10-31T09:49:32","modified_gmt":"2025-10-31T12:49:32","slug":"a-morte-nao-existe-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-morte-nao-existe-mais\/","title":{"rendered":"A morte n\u00e3o existe mais\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br \/>\nBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Quando a morte procurou por n\u00f3s, a Igreja lhe apresentou o Cristo e disse: \u201cEle vive\u201d e n\u00f3s tamb\u00e9m viveremos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">N\u00e3o \u00e9 bravura ind\u00f4mita nem grito de guerra, \u00e9 heran\u00e7a recebida na madrugada de um Domingo long\u00ednquo no qual a morte tentou a \u00faltima palavra, mas a Palavra j\u00e1 havia sido dada, porque \u00e9 eterna.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ela, a Palavra, atravessou o tempo e ancorou no cora\u00e7\u00e3o de J\u00f3 que brandou: \u201cEu sei que o meu redentor esta\u0301 vivo\u201d, forjando uma mem\u00f3ria indel\u00e9vel que se dissiparia pelas pradarias do mundo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Isa\u00edas, tamb\u00e9m contemplou o monte onde Deus prepara um banquete. Entre ta\u00e7as de vinho e p\u00e3o partido em festa, ouviu-se a not\u00edcia que todos esperavam: \u201cO Senhor Deus eliminara\u0301 para sempre a morte e enxugara\u0301 as l\u00e1grimas de todas as faces\u201d. \u00c9 uma imagem de vit\u00f3ria e de consolo. A morte, que sempre tragou, foi tragada. O pranto, que sempre correu, foi recolhido; e, onde a morte reinava, \u00e9 outro que reina agora.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">No peso dos dias, Paulo viu no campo da hist\u00f3ria um movimento decisivo e observou que o primeiro feixe de trigo erguido ao sol pode ser chamado de prim\u00edcias. E, se o primeiro trigo se levanta, o campo inteiro o seguir\u00e1. A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fato isolado, mas \u00e9 a lei nova que entrou no tempo.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Desde a madrugada do t\u00famulo vazio, o tempo tem outro ingrediente. A pedra rolou para dar forma \u00e0 linguagem, para iniciar uma mem\u00f3ria e reengendrar o mundo. O que parecia fim concluiu-se como passagem. O que cham\u00e1vamos \u00faltimo tornou-se pr\u00f3logo, e nossas casas, pra\u00e7as e cemit\u00e9rios abriram-se para o evento da P\u00e1scoa.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Cristo reina com autoridade que levanta, e seu reinar aprumou as coisas. A ferida encontrou cura; a culpa, o perd\u00e3o; a noite, o amanhecer. Um a um, os antigos inimigos da humanidade v\u00e3o perdendo. Por \u00faltimo, a morte tamb\u00e9m perdeu. O Filho devolveu tudo \u00e0s m\u00e3os do Pai, e o mundo voltou a respirar como no primeiro dia. E, quando Deus for tudo em todos, n\u00e3o haver\u00e1 sobra de sil\u00eancio para a morte se esconder.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Jesus \u00e9 o Amigo que chegou na escurid\u00e3o e encontrou muitas janelas vigilantes. N\u00e3o vigia quem desconfia; vigia quem ama. E o amor sabe ouvir de longe o passo de quem vem e quando a claridade da aproxima\u00e7\u00e3o crescer na borda do c\u00e9u, a l\u00e2mpada e a aurora se tornam uma coisa s\u00f3 no dia novo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Entre essas imagens caminha um povo de lamparinas erguidas, vigiando sem cansa\u00e7o, porque sabe que o Esposo vem. E quando Ele chegar, tudo o que era pesado ser\u00e1 leve, e tudo o que era breve vai durar.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A morte n\u00e3o existe mais. Permanece, \u00e9 verdade, a sua sombra comprida nos vales da precariedade. Mas quem atravessou a P\u00e1scoa sabe que sombra n\u00e3o tem subst\u00e2ncia; \u00e9 s\u00f3 sinal de luz. Se ainda choramos, \u00e9 porque o riso precisa nascer inteiro. E nascer\u00e1.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">J\u00e1 come\u00e7ou! Come\u00e7ou naquela manh\u00e3 em que o jardim foi a primeira igreja, e o nome pronunciado pela voz do Ressuscitado devolveu Maria Madalena ao tempo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Quando a porta do \u00faltimo dia se abrir \u201c<\/span><span data-contrast=\"none\">Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplar\u00e3o, e n\u00e3o os olhos de outros<\/span><span data-contrast=\"auto\">\u201d, como profetizou J\u00f3. N\u00e3o verei a morte, verei o Vivente. E, vendo-O, entenderei sem palavras que, desde sempre, era isso que o meu cora\u00e7\u00e3o buscava quando chamava de morte aquilo que era esperan\u00e7a. Agora eu caminho leve, como quem sabe o caminho!<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha Mota Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0 \u00a0 Quando a morte procurou por n\u00f3s, a Igreja lhe apresentou o Cristo e disse: \u201cEle vive\u201d e n\u00f3s tamb\u00e9m viveremos.\u00a0 N\u00e3o \u00e9 bravura ind\u00f4mita nem grito de guerra, \u00e9 heran\u00e7a recebida na madrugada de um Domingo long\u00ednquo no qual a morte tentou &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-morte-nao-existe-mais\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A morte n\u00e3o existe mais\u00a0<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/990696"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=990696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/990696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=990696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=990696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=990696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}