{"id":993236,"date":"2025-12-30T13:18:05","date_gmt":"2025-12-30T16:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=993236"},"modified":"2025-12-30T13:19:01","modified_gmt":"2025-12-30T16:19:01","slug":"dom-antonio-assis-quais-frutos-se-espera-do-ano-jubilar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-antonio-assis-quais-frutos-se-espera-do-ano-jubilar\/","title":{"rendered":"Quais frutos se espera do Ano Jubilar?"},"content":{"rendered":"<p>Dom Ant\u00f4nio de Assis Ribeiro<br \/>\nBispo da Diocese de Macap\u00e1 (AP)<\/p>\n<p>Estamos concluindo o Ano Jubilar que nos convidou a reacender em n\u00f3s a chama da Esperan\u00e7a reavivando em n\u00f3s a consci\u00eancia de que somos peregrinos e estamos caminhando rumo \u00e0 p\u00e1tria celeste! O c\u00e9u \u00e9 o Santu\u00e1rio para o qual todos n\u00f3s estamos caminhando; \u00e9 isso que nos diz a Palavra de Deus. Estamos a caminho da<br \/>\nnossa p\u00e1tria definitiva. Disse Jesus: \u201cQue o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se perturbe, pois na casa do meu Pai h\u00e1 muitas moradas\u201d (Jo 14,1-2); \u201cse a nossa habita\u00e7\u00e3o terrestre, esta tenda em que vivemos for dissolvida, possu\u00edmos uma casa que \u00e9 obra de Deus&#8230;\u201d (2Cor 5,1).<\/p>\n<p>Neste mundo somos estrangeiros; estamos em busca da nossa meta projetada por Deus (cf. 1Pd 1,17; Hb 13,14). Essa \u00e9 nossa voca\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo nosso sonho: o para\u00edso. A esperan\u00e7a exerce um papel fundamental em nossa vida; ela nos motiva, estimula, empurra, mobiliza, conforta, nos d\u00e1 seguran\u00e7a: \u201ca esperan\u00e7a n\u00e3o<br \/>\ncausa decep\u00e7\u00e3o porque o Amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es\u201d (Rm 5,5).<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a nos d\u00e1 conforto: \u201cos sofrimentos do tempo presente n\u00e3o se comparam com a gl\u00f3ria futura que dever\u00e1 ser revelada em n\u00f3s\u201d (Rm 8,18); \u201cn\u00e3o haver\u00e1 mais morte; n\u00e3o haver\u00e1 mais choro, nem grito, nem dor&#8230; Tudo passou e passamos para uma nova vida\u201d (Ap 21,4). A esperan\u00e7a nos educa a olhar para o futuro, para frente, n\u00e3o parar, nunca desanimar do bem, n\u00e3o desistir! A esperan\u00e7a nos livra do desespero porque nos fala de supera\u00e7\u00e3o, pr\u00eamio, gl\u00f3ria, vit\u00f3ria, recompensa nos estimulando \u00e0 perseveran\u00e7a!<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a nos diz que vale a pena lutar, vale a pena superar momentos dif\u00edceis, que neste mundo tudo \u00e9 passageiro! A Esperan\u00e7a nos educa \u00e0 paci\u00eancia! Quem tem esperan\u00e7a vive com mais serenidade, otimismo, alegria, senso empreendedor porque est\u00e1 sempre motivado para fazer o bem!<\/p>\n<p>O ano jubilar como temas peregrinos da Esperan\u00e7a, muito al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, foi um intenso exerc\u00edcio das muitas formas de manifestarmos a nossa esperan\u00e7a viva, pois ela n\u00e3o \u00e9 vazia; ela se faz exerc\u00edcio de abertura aos outros, de Caridade, de solidariedade, de partilha, de luta pela promo\u00e7\u00e3o da paz, da justi\u00e7a, da reconcilia\u00e7\u00e3o, da experi\u00eancia de compaix\u00e3o, da Alegria, da firmeza de \u00e2nimo, sabedoria de vida!<\/p>\n<p>Compromissos permanentes e frutos do ano jubilar:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>1. Manter as portas abertas do ser humano<\/h4>\n<p>Um dos s\u00edmbolos mais significativos de um ano jubilar \u00e9 a \u201cPorta Santa\u201d. Neste Jubileu de 2025, por desejo do Papa Francisco, as Portas Santas foram abertas apenas em Roma nas bas\u00edlicas de S\u00e3o Pedro, S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o (catedral de Roma), Santa Maria Maior e S\u00e3o Paulo Fora dos Muros. Uma exce\u00e7\u00e3o foi a abertura de uma Porta Santa no complexo penitenci\u00e1rio de Rebibbia, em Roma. Essas Portas v\u00e3o se fechar, mas fomos convidados a manter permanentemente abertas outras portas: todas aquelas que fazem parte da viv\u00eancia da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>A abertura da Porta Santa significa um convite para a entrada numa intensa experi\u00eancia de Deus e de abertura da fraternidade. Isso deve continuar! O disc\u00edpulo de Jesus deve estar continuamente aberto ao bem, mas<br \/>\nprofundamente fechado a tudo o que se op\u00f5e ao Reino de Deus. Portanto, precisamos abrir as portas do cora\u00e7\u00e3o que nos leva a experi\u00eancia da Caridade; necessitamos da abertura da porta da mente que nos leva a compreender as realidades do mundo e as exig\u00eancias da justi\u00e7a e da paz; animados pela f\u00e9 devemos continuamente abrir as portas dos sentidos (vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, tato, olfato e paladar), pois nos proporcionam a possibilidade de sentir os outros e d\u00e3o peso para rela\u00e7\u00f5es humanas; enfim, mantenhamos abertas as portas dos nossos templos, das nossas par\u00f3quias, das nossas pastorais, dos nossos movimentos eclesiais e institui\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, pois fechados perdem a raz\u00e3o de ser. Enfim, manter abertas as portas do ser humano e da vida pastoral da Igreja!\u00a0A abertura da \u201cPorta Santa\u201d significou um convite para a entrar no Reino de Cristo que nos educa para o Amor. Por isso, n\u00e3o adianta passar pela porta santa de um santu\u00e1rio se a porta do cora\u00e7\u00e3o e da mente continuarem trancadas. Jesus Cristo \u00e9 a Porta (cf. Jo 10,3); ent\u00e3o entrar no seu interior significa assumir a pr\u00e1tica do amor, da acolhida, da solidariedade, do perd\u00e3o, da miseric\u00f3rdia, da compaix\u00e3o, da justi\u00e7a, da reconcilia\u00e7\u00e3o. Essa porta \u00e9 estreita porque \u00e9 exigente, pois requer de n\u00f3s discernimento, escolha, esfor\u00e7o, ades\u00e3o profunda, mudan\u00e7a interior (cf. Mt 7,13), convers\u00e3o permanente.<\/p>\n<h4>\n2. Aprofundar o sentido da esperan\u00e7a<\/h4>\n<p>A virtude da Esperan\u00e7a foi, ao longo do ano santo, tema de reflex\u00e3o em muitos eventos como encontros, retiros, palestras, celebra\u00e7\u00f5es&#8230; Vivemos num mundo profundamente marcado pela car\u00eancia da Esperan\u00e7a. Essa realidade se expressa atrav\u00e9s de muitos fen\u00f4menos como o pessimismo, o derrotismo, a fragilidade psicol\u00f3gica, murmura\u00e7\u00e3o, hipocondria, a descren\u00e7a (niilismo), o pensamento negativo, passivismo, o desespero, o suic\u00eddio&#8230; A falta de esperan\u00e7a estimula a cultura da morte! Todavia, a reflex\u00e3o sobre a virtude da\u00a0Esperan\u00e7a nos estimula a viver com alegria, a cultivar o otimismo, a manter a firmeza de \u00e2nimo, a alimentar a coragem, a zelar pela resili\u00eancia e capacidade de enfrentar os problemas da vida com serenidade e sabedoria.<\/p>\n<h4>\n3. Revigorar a consci\u00eancia da unidade das virtudes teologais<\/h4>\n<p>Concluindo este ano jubilar a Igreja espera de n\u00f3s que estejamos revigorados no insepar\u00e1vel amor a Deus e ao pr\u00f3ximo; que estejamos mais conscientes da insepar\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o entre F\u00e9, Esperan\u00e7a e Amor! Essas tr\u00eas virtudes sintetizam a totalidade do dinamismo do disc\u00edpulo de Jesus Cristo. Elas est\u00e3o profundamente relacionadas entre si: da f\u00e9 deriva a Esperan\u00e7a e, por sua vez, se traduz concretamente no dinamismo do amor, ou seja, em atitudes coerentes de um aut\u00eantico peregrino que trabalha pelo Reino de Deus e caminha rumo \u00e0 sua plenitude!<\/p>\n<h4>\n4. Renovar o compromisso de fraternidade<\/h4>\n<p>O que se espera de cada um de n\u00f3s ao final do ano jubilar? Que tenha sido um ano em que renovamos a nossa consci\u00eancia de sermos filhos de Deus chamados a viver fraternalmente, a fazer com mais frequ\u00eancia a necess\u00e1ria a experi\u00eancia da reconcilia\u00e7\u00e3o, do perd\u00e3o, da pr\u00e1tica da justi\u00e7a e a estarmos abertos para um estado de permanente convers\u00e3o. Atitudes de indiferen\u00e7a, fechamento, \u00f3dio e vingan\u00e7a invalidam o ano jubilar! \u00c0 medida em que crescemos na consci\u00eancia de sermos filhos de Deus, naturalmente tende a aumentar em n\u00f3s o compromisso de permanente exerc\u00edcio de fraternidade com os outros! A requalifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es dentro da fam\u00edlia deve fazer parte desta lista de compromissos. Os frutos do ano jubilar devem ser vistos de sentidos em<br \/>\ncada fam\u00edlia cat\u00f3lica.<\/p>\n<h4>\n5. Renovar o amor \u00e0 Igreja<\/h4>\n<p>O ano jubilar foi proclamado pela Igreja dentro de um contexto de intensa renova\u00e7\u00e3o da vida eclesial que j\u00e1 assumiu uma s\u00e9rie de compromissos bem concretos: a comunh\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o, a sinodalidade, a missionariedade (ser Igreja em sa\u00edda), a alegria do an\u00fancio do Evangelho&#8230; Ap\u00f3s o ano jubilar a Igreja espera de cada um de n\u00f3s que tenhamos crescido na consci\u00eancia do nosso dever de promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial em todos os contextos e n\u00edveis; que tenhamos fortalecido em n\u00f3s o compromisso de participa\u00e7\u00e3o na vida pastoral da Igreja com suas muitas necessidades superando a simples frequ\u00eancia aos Sacramentos; que estejamos mais convictos de que apesar da diversidade de sujeitos, carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios, formamos uma \u00fanica fam\u00edlia e devemos caminhar juntos, evitando toda e qualquer forma de paralelismo e dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se espera de cada um de n\u00f3s ao final do ano jubilar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida da Igreja? Que estejamos com o nosso cora\u00e7\u00e3o cheio de paix\u00e3o mission\u00e1ria, disposto a superar toda e qualquer forma de comodismo, conformismo e a \u201cpastoral da manuten\u00e7\u00e3o\u201d que s\u00f3 deseja conservar e n\u00e3o \u201cavan\u00e7a para \u00e1guas mais profundas\u201d na evangeliza\u00e7\u00e3o (Lc 5,4). Sem paix\u00e3o mission\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 aut\u00eantica Esperan\u00e7a crist\u00e3! Assim como o Esp\u00edrito Santo impeliu Jesus para ir ao encontro dos mais pobres (cf. Lc 4,1-4) assim tamb\u00e9m deve acontecer com<br \/>\na Igreja. Por isso precisamos de par\u00f3quias abertas e inquietas (agentes de pastorais), capazes de manifestar a presen\u00e7a da Igreja com estruturas vis\u00edveis, em todas as \u00e1reas dos bairros, condom\u00ednios, \u00e1reas de ocupa\u00e7\u00e3o, assentamentos, comunidades ribeirinhas, quilombolas, ind\u00edgenas&#8230;.<\/p>\n<p>Uma Igreja com o cora\u00e7\u00e3o pastoralmente renovado \u00e9 capaz de revitalizar todas as suas pastorais e minist\u00e9rios! Somente assim ela ser\u00e1 capaz de testemunhar a Alegria do an\u00fancio do evangelho a todos aqueles que desconhecem a pessoa do Salvador da humanidade aquele que disse: \u201ceu vim para que todos tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 10,10).<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s o ano Santo, liturgicamente falando chega ao seu final, mas permanecem n\u00f3s o compromisso de alimentar cotidianamente a nossa santidade atrav\u00e9s das boas obras, da bondade de cora\u00e7\u00e3o, da<br \/>\nqualifica\u00e7\u00e3o das nossas rela\u00e7\u00f5es com os outros, da nossa firmeza de \u00e2nimo diante das dificuldades, paci\u00eancia e perd\u00e3o a quem precisa. Portanto, continuemos a testemunhar a nossa f\u00e9 cat\u00f3lica atrav\u00e9s do amor a Jesus Cristo,<br \/>\ndo engajamento na Igreja, dos compromissos profissionais da nossa vida quotidiana, na fam\u00edlia! A santidade \u00e9 um compromisso permanente que \u00e9 feita de atitudes concretas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Ant\u00f4nio de Assis Ribeiro Bispo da Diocese de Macap\u00e1 (AP) Estamos concluindo o Ano Jubilar que nos convidou a reacender em n\u00f3s a chama da Esperan\u00e7a reavivando em n\u00f3s a consci\u00eancia de que somos peregrinos e estamos caminhando rumo \u00e0 p\u00e1tria celeste! 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