{"id":993593,"date":"2026-01-12T09:15:12","date_gmt":"2026-01-12T12:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=993593"},"modified":"2026-01-12T09:17:25","modified_gmt":"2026-01-12T12:17:25","slug":"guerra-e-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/guerra-e-paz\/","title":{"rendered":"Guerra e paz\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Geraldo dos Reis Maia<br \/>\nBispo de Ara\u00e7ua\u00ed (MG)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-ccp-border-between=\"0px none #000000\" data-ccp-padding-between=\"0px\"><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335572071&quot;:0,&quot;335572072&quot;:0,&quot;335572073&quot;:4278190080,&quot;335572075&quot;:0,&quot;335572076&quot;:0,&quot;335572077&quot;:4278190080,&quot;335572079&quot;:0,&quot;335572080&quot;:0,&quot;335572081&quot;:4278190080,&quot;335572083&quot;:0,&quot;335572084&quot;:0,&quot;335572085&quot;:4278190080,&quot;335572087&quot;:0,&quot;335572088&quot;:0,&quot;335572089&quot;:4278190080,&quot;469789798&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789802&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789806&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789810&quot;:&quot;nil&quot;,&quot;469789814&quot;:&quot;nil&quot;}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Com esse t\u00edtulo, o escritor russo Liev Tolst\u00f3i se consagrou na literatura universal,\u00a0criando um novo\u00a0estilo liter\u00e1rio, um misto de realidade, fic\u00e7\u00e3o e romance. A obra foi lan\u00e7ada num peri\u00f3dico da \u00e9poca, entre os anos 1865 e 1869, e trazia como cen\u00e1rio as guerras napole\u00f4nicas, no contexto da invas\u00e3o russa. A riqueza e o realismo de seus pormenores, assim como suas numerosas descri\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, fazem com que este seja considerado um dos maiores livros da Hist\u00f3ria da Literatura. O autor aborda a complexidade da guerra com suas s\u00e9rias consequ\u00eancias hist\u00f3ricas e humanas.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Aquela n\u00e3o foi a \u00faltima vez que a R\u00fassia se envolveu em situa\u00e7\u00e3o de guerra&#8230; Vale lembrar a atua\u00e7\u00e3o da R\u00fassia nas duas guerras mundiais e\u00a0em\u00a0outras guerras mais recentes, como foi o caso da Crim\u00e9ia, da S\u00edria e, nesses \u00faltimos anos, da Ucr\u00e2nia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil compreender a complexidade das guerras. Certos simplismos aparentes manifestam nossa dificuldade em aprofundar as causas hist\u00f3ricas de conflitos que causam tantos danos. Numa guerra, a primeira v\u00edtima \u00e9 a verdade. H\u00e1, ainda, os interesses de ag\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o que atuam a servi\u00e7o de ideologias.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Toda guerra representa o fracasso do di\u00e1logo, o fracasso do respeito pela dignidade do ser humano, o fracasso da humanidade. Praticamente em tempo real, assistimos cenas atrozes e dram\u00e1ticas vindas dos campos de guerra. S\u00e3o inocentes sendo dizimados, crian\u00e7as e idosos privados de esperan\u00e7a; fam\u00edlias destru\u00eddas e desterradas; resid\u00eancias e pr\u00e9dios bombardeados; pra\u00e7as e parques destru\u00eddos; pessoas indesejadas sendo atadas em postes e ridicularizadas; soldados e civis prisioneiros de guerra sendo humilhados publicamente&#8230; O cen\u00e1rio \u00e9 ca\u00f3tico: fogo, fuma\u00e7a, destro\u00e7os, corpos abandonados. O ser humano manifesta o seu lado mais letal e patol\u00f3gico.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Dif\u00edcil compreender que tenhamos chegado a esse n\u00edvel de desumanidades. Parece que perdemos a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e o caminho da paz, como nos recordou o saudoso Papa Francisco: \u201cAdoecemos de gan\u00e2ncia, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferen\u00e7a e paralisar pelo ego\u00edsmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardi\u00f5es do nosso pr\u00f3ximo e da pr\u00f3pria casa comum\u201d (Ato de consagra\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora, 23\/03\/2022).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Definitivamente, n\u00e3o aprendemos as li\u00e7\u00f5es da pandemia que atravessamos. Foram tantos os sonhos de humanidade que acalent\u00e1vamos enquanto assist\u00edamos, at\u00f4nitos, os caminh\u00f5es a transportar corpos de v\u00edtimas da Covid-19 para cremat\u00f3rios. Quando \u00e9ramos privados do relacionamento f\u00edsico, fechados em nossos lares, faz\u00edamos projetos de crescer em humanidade. Bastou come\u00e7ar a tirar as m\u00e1scaras cir\u00fargicas para vermos cair tamb\u00e9m nossas m\u00e1scaras humanas e voltarmos \u00e0 mesquinhez e \u00e0 hipocrisia de antes, sem nos corar de vergonha&#8230;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">As cenas da invas\u00e3o da Venezuela causam nova consterna\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos acostumados com cenas de guerras na \u00c1frica, na Asia, no Oriente M\u00e9dio&#8230; Eram rostos indiferentes para n\u00f3s: negros africanos, morenos iraquianos, curdos, l\u00edbios, s\u00edrios, vietnamitas. Isso j\u00e1 fazia parte de certa \u201cbanalidade do mal\u201d, e nem\u00a0faz\u00edamos\u00a0 mais\u00a0conta disso. Os rostos das v\u00edtimas da guerra agora nos s\u00e3o familiares. S\u00e3o rostos latino-americanos, fei\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, gente como a gente. N\u00e3o d\u00e1 mais para banalizar as atrocidades cometidas pelos invasores e dominadores. Parece que esses rostos mais familiares nos causam mais consterna\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Como compreender que irm\u00e3os lutam contra irm\u00e3os? Afinal, tanto russos como ucranianos, norte-americanos e venezuelanos procedem de uma mesma ra\u00e7a, a ra\u00e7a humana. A quest\u00e3o \u00e9 bem complexa.\u00a0Exige vis\u00e3o hist\u00f3rica, reflex\u00e3o geopol\u00edtica e compreens\u00e3o dos interesses ideol\u00f3gicos de domina\u00e7\u00e3o. Esses interesses se desnudaram de pudor. Ficam escancarados os interesses por dom\u00ednio de regi\u00f5es, por fontes de energia como o petr\u00f3leo, as terras raras e os minerais cr\u00edticos. O sistema insaci\u00e1vel e voraz precisa ser alimentado por novas fontes de energia, ainda que isso possa significar o desprezo pelo ser humano, pela soberania de na\u00e7\u00f5es e pela Casa Comum. No entanto, nada disso justifica as atrocidades cometidas.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Le\u00e3o XIV nos falou sobre a necessidade de edificarmos uma cultura de paz desarmada e desarmante. Para isso, o Papa convida lideran\u00e7as espirituais e lideran\u00e7as mundiais para edificar a cultura da paz.\u00a0 Por fim, ele cita a esperan\u00e7a prof\u00e9tica sobre o ju\u00edzo de Deus: \u201cEle julgar\u00e1 as na\u00e7\u00f5es, e dar\u00e1 as suas leis a muitos povos, os quais transformar\u00e3o as suas espadas em relhas de arados, e as suas lan\u00e7as, em foices. Uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o levantar\u00e1 a espada contra outra, e n\u00e3o se adestrar\u00e3o mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos \u00e0 luz do Senhor\u201d (Is\u202f2, 4-5).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Mesmo sem conseguir compreender a complexidade das guerras e suas consequ\u00eancias nefastas, continuemos acreditando que \u201coutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Continuemos a tecer,\u00a0pacienciosamente, as novas rela\u00e7\u00f5es, baseadas no respeito pela dignidade humana, nos valores \u00e9ticos e evang\u00e9licos, na justi\u00e7a do Reino e no di\u00e1logo que constr\u00f3i humanidade.\u00a0Em meio \u00e0 hipocrisia do expansionismo ocidental, aos corpos dilacerados pelas armas e \u00e0s inverdades da m\u00eddia, ousemos sonhar: \u201cQue a dor n\u00e3o me seja indiferente, que a morte n\u00e3o me encontre um dia solit\u00e1rio sem ter feito o que eu queria&#8230; Que a injusti\u00e7a n\u00e3o me seja indiferente&#8230; Que a guerra n\u00e3o me seja indiferente&#8230; Que a mentira n\u00e3o me seja indiferente&#8230; Que o futuro n\u00e3o me seja indiferente\u201d (Le\u00f3n\u00a0Gieco).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Geraldo dos Reis Maia Bispo de Ara\u00e7ua\u00ed (MG) \u00a0 Com esse t\u00edtulo, o escritor russo Liev Tolst\u00f3i se consagrou na literatura universal,\u00a0criando um novo\u00a0estilo liter\u00e1rio, um misto de realidade, fic\u00e7\u00e3o e romance. 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