{"id":994845,"date":"2026-02-12T13:37:22","date_gmt":"2026-02-12T16:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=994845"},"modified":"2026-02-12T13:38:37","modified_gmt":"2026-02-12T16:38:37","slug":"o-sofrimento-e-a-redencao-do-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-sofrimento-e-a-redencao-do-sentido\/","title":{"rendered":"O sofrimento e a\u00a0reden\u00e7\u00e3o do\u00a0sentido\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso<br \/>\nArcebispo de Natal (RN)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">\u00c0 luz da f\u00e9 crist\u00e3, o sofrimento n\u00e3o \u00e9 romantizado, mas assumido com serenidade\u00a0e esperan\u00e7a. O cristianismo n\u00e3o\u00a0nega\u00a0a dor, mas afirma que Deus a assumiu em si mesmo. No centro da f\u00e9 crist\u00e3 est\u00e1 a convic\u00e7\u00e3o de que o sofrimento humano foi habitado por Deus em Jesus Cristo. N\u00e3o se trata de uma explica\u00e7\u00e3o abstrata para a dor, mas de uma presen\u00e7a concreta que a redime por dentro.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O hino cristol\u00f3gico da Carta aos Filipenses exprime com profundidade esse mist\u00e9rio: Cristo, \u201csendo de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o se apegou ao ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo e tornando-se semelhante aos homens\u201d (Fl\u00a02,6-7). Nesse movimento de\u00a0<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">k\u00e9nosis<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, o Filho de Deus assume radicalmente a condi\u00e7\u00e3o humana em tudo, exceto o pecado. Conheceu\u00a0a rejei\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o, a solid\u00e3o, o medo e a ang\u00fastia e, por fim, \u201chumilhou-se a si mesmo, feito obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz\u201d (Fl\u00a02,8).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A cruz, portanto, n\u00e3o \u00e9 um atalho espiritual nem uma exalta\u00e7\u00e3o do sofrimento em si, mas o lugar onde a dor \u00e9 ressignificada. Pela obedi\u00eancia amorosa, Cristo transforma o sofrimento em oferta e a morte em passagem.\u00a0Deus o ressuscita, n\u00e3o anulando a cruz, mas revelando o seu sentido\u00a0mais profundo. A f\u00e9 n\u00e3o elimina o sofrimento, mas impede que ele se torne absurdo. Unido \u00e0 cruz de Cristo, o sofrimento deixa de ser mero peso e pode tornar-se lugar de matura\u00e7\u00e3o humana e espiritual.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O ap\u00f3stolo Pedro recorda que a prova\u00e7\u00e3o, embora dolorosa, pode tornar-se caminho de purifica\u00e7\u00e3o: \u201cPor isso, fiquem alegres, ainda que agora, por pouco tempo, voc\u00eas precisem suportar, a duras penas, diversas prova\u00e7\u00f5es. Isso para que a autenticidade da f\u00e9 que voc\u00eas t\u00eam\u00a0receba louvor, honra e gl\u00f3ria, quando Jesus se revelar. Porque a f\u00e9 que voc\u00eas t\u00eam \u00e9 muito\u00a0mais preciosa do que o ouro que desaparece\u00a0e \u00e9 provado pelo fogo\u201d (1Pd 1,6-7).\u00a0Assim como o ouro \u00e9 purificado no fogo, tamb\u00e9m a f\u00e9, quando provada pela dor com<\/span><b><span data-contrast=\"auto\">\u00a0<\/span><\/b><span data-contrast=\"auto\">verdade, \u00e9 depurada, amadurecida e revelada em sua autenticidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">\u00c9 nesse horizonte que a experi\u00eancia da amizade adquire verdadeira densidade teol\u00f3gica e existencial. O sofrimento torna-se mais suport\u00e1vel quando n\u00e3o \u00e9 vivido na solid\u00e3o, mas sustentado pela presen\u00e7a fiel de um amigo;\u00a0presen\u00e7a que se oferece n\u00e3o apenas nas palavras, mas tamb\u00e9m nos sil\u00eancios partilhados. A proximidade discreta, a escuta respeitosa, a paci\u00eancia que n\u00e3o exige mais do que o outro pode dar, o sil\u00eancio que acolhe e a palavra que n\u00e3o invade nem julga comp\u00f5em uma aut\u00eantica liturgia da amizade. Trata-se de um amor que n\u00e3o cobra nem pressiona, mas espera, acompanha e sustenta, \u00e0 maneira daquele amor descrito pelo ap\u00f3stolo: \u201co amor \u00e9 paciente\u2026 tudo sofre, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta\u201d (cf. 1Cor 13,4-7). N\u00e3o se trata de eliminar ou explicar a dor do outro, mas de permanecer com ele, sustentando-o enquanto atravessa a noite escura da alma e o aparente sil\u00eancio de Deus.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Quando a alma ferida encontra acolhimento sem exig\u00eancia de perfei\u00e7\u00e3o, o sofrimento deixa de ser destrutivo e pode tornar-se formativo. H\u00e1 dores que n\u00e3o decorrem de falhas morais, mas da pr\u00f3pria sensibilidade humana. Quanto mais nobre a alma \u2014 mais sens\u00edvel, marcada pela delicadeza espiritual e pela honestidade afetiva \u2014, tanto mais ela se exp\u00f5e \u00e0 dor, mas tamb\u00e9m se torna capaz de maior beleza, profundidade e verdade. N\u00e3o se trata de fraqueza, mas de humanidade em estado puro.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O sofrimento, quando assumido, acolhido, vivido e ressignificado, pode tornar-se lugar de reden\u00e7\u00e3o. O inverno n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. O sol, ainda que velado, n\u00e3o deixou de brilhar. E, \u00e0s vezes, basta uma amizade verdadeira para sustentar a travessia.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:567,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Santos Cardoso Arcebispo de Natal (RN) \u00a0 \u00c0 luz da f\u00e9 crist\u00e3, o sofrimento n\u00e3o \u00e9 romantizado, mas assumido com serenidade\u00a0e esperan\u00e7a. O cristianismo n\u00e3o\u00a0nega\u00a0a dor, mas afirma que Deus a assumiu em si mesmo. 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