{"id":998548,"date":"2026-04-05T06:03:38","date_gmt":"2026-04-05T09:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=998548"},"modified":"2026-04-02T16:12:39","modified_gmt":"2026-04-02T19:12:39","slug":"dom-leomar-pascoa-a-festa-de-um-novo-mundo-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-leomar-pascoa-a-festa-de-um-novo-mundo-possivel\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa: a festa de um novo mundo poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Santa Maria (RS)<\/strong><br \/>\n<strong>Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para a Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica da CNBB<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A palavra P\u00e1scoa tem origem no ambiente semita e significa \u201cpassagem\u201d. Nas antigas culturas agr\u00edcolas e pastorais, a passagem do inverno para a primavera era celebrada como sinal de renova\u00e7\u00e3o da vida. Na claridade da lua cheia, os pastores imolavam cordeiros e partilhavam uma refei\u00e7\u00e3o familiar que expressava a comunh\u00e3o da tribo.<\/p>\n<h3>A P\u00e1scoa no contexto do Povo de Israel<\/h3>\n<p>O povo de Israel assumiu esses elementos culturais e lhes deu um novo significado hist\u00f3rico e teol\u00f3gico. A P\u00e1scoa tornou-se a mem\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egito e da travessia do Mar Vermelho. As ervas amargas passaram a recordar a dureza da escravid\u00e3o; os p\u00e3es sem fermento evocavam a pressa da partida; a celebra\u00e7\u00e3o noturna recordava a noite em que Deus conduziu seu povo rumo \u00e0 liberdade (cf. Dt 16,1). Assim, a P\u00e1scoa tornou-se o memorial da a\u00e7\u00e3o libertadora de Deus na hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3>A P\u00e1scoa Crist\u00e3: Da Cruz \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os crist\u00e3os reconhecem em Jesus Cristo o cumprimento definitivo desse mist\u00e9rio. Nele, a P\u00e1scoa torna-se a passagem da morte para a vida, da cruz para a ressurrei\u00e7\u00e3o. O mist\u00e9rio pascal revela que o amor de Deus \u00e9 mais forte que o pecado e a morte. Como ensina Santo Agostinho: \u201cA ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a; aquilo que aconteceu na cabe\u00e7a acontecer\u00e1 tamb\u00e9m no corpo\u201d. Em Cristo ressuscitado, a humanidade recebe o perd\u00e3o, a reconcilia\u00e7\u00e3o e a promessa da vida eterna.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o pascal inicia-se na Quinta-feira Santa, quando a Igreja recorda a \u00daltima Ceia. Nela, Jesus lava os p\u00e9s dos disc\u00edpulos, entrega o mandamento do amor e institui a Eucaristia, antecipando sacramentalmente sua entrega na cruz. Na Sexta-feira Santa, a Igreja contempla o mist\u00e9rio da cruz, de onde \u201cpendeu a salva\u00e7\u00e3o do mundo\u201d. O sofrimento e a injusti\u00e7a s\u00e3o assumidos pelo Filho de Deus, que transforma o instrumento de morte em sinal de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na noite do S\u00e1bado Santo, a Vig\u00edlia Pascal celebra a vit\u00f3ria da luz. O fogo novo acende o C\u00edrio Pascal, sinal de Cristo ressuscitado que ilumina as trevas do mundo. A comunidade, reunida ao redor dessa luz, escuta as grandes leituras da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: da cria\u00e7\u00e3o do mundo \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do Egito, das promessas prof\u00e9ticas ao an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o. A liturgia valoriza tamb\u00e9m o Batismo, passagem do pecado para a vida nova em Cristo. Renovando as promessas batismais, os crist\u00e3os reafirmam seu compromisso de seguir o Ressuscitado no cotidiano da hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3>A P\u00e1scoa como sinal de Esperan\u00e7a para o Mundo<\/h3>\n<p>A P\u00e1scoa crist\u00e3 n\u00e3o separa cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o. O Crucificado da Sexta-feira \u00e9 o Ressuscitado da manh\u00e3 de P\u00e1scoa. Separar esses dois momentos seria esvaziar o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9. A cruz revela o amor radical de Deus; a ressurrei\u00e7\u00e3o manifesta que esse amor vence definitivamente o mal e a morte.<\/p>\n<p>Por isso, a P\u00e1scoa \u00e9 tamb\u00e9m an\u00fancio de um mundo novo poss\u00edvel. Na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, Deus inaugura a nova cria\u00e7\u00e3o. A esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o ignora as dores da hist\u00f3ria, mas afirma que a vida tem a \u00faltima palavra. Como escreve S\u00e3o Paulo, \u201cse Cristo ressuscitou, nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 v\u00e3\u201d (cf. 1Cor 15,14).<\/p>\n<p>Celebrar a P\u00e1scoa \u00e9, portanto, viver j\u00e1 os sinais desse mundo novo: promover a vida, defender a dignidade humana e cuidar da cria\u00e7\u00e3o. Caminhamos na hist\u00f3ria rumo \u00e0 plenitude prometida por Deus, quando Ele \u201cenxugar\u00e1 toda l\u00e1grima\u201d (cf. Ap 21,4) e far\u00e1 novas todas as coisas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para a Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica da CNBB &nbsp; A palavra P\u00e1scoa tem origem no ambiente semita e significa \u201cpassagem\u201d. Nas antigas culturas agr\u00edcolas e pastorais, a passagem do inverno para a primavera era celebrada como sinal de renova\u00e7\u00e3o da vida. 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