{"id":999697,"date":"2026-05-10T06:12:07","date_gmt":"2026-05-10T09:12:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=999697"},"modified":"2026-05-04T11:27:17","modified_gmt":"2026-05-04T14:27:17","slug":"cardeal-orani-mae-alicerce-familia-motor-espiritual-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-orani-mae-alicerce-familia-motor-espiritual-da-igreja\/","title":{"rendered":"M\u00e3e: o Alicerce da Fam\u00edlia e o Motor Espiritual da Igreja"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo domingo de maio prop\u00f5e \u00e0 sociedade uma pausa obrigat\u00f3ria e reflexiva sobre a pedra angular da civiliza\u00e7\u00e3o humana: a maternidade. O mercado e o calend\u00e1rio civil transformam a data em um gigantesco evento comercial, mas a Igreja Cat\u00f3lica resgata o sentido ontol\u00f3gico, teol\u00f3gico e sagrado desta voca\u00e7\u00e3o. A maternidade ultrapassa largamente o mero processo biol\u00f3gico de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Ela constitui uma coopera\u00e7\u00e3o direta, tang\u00edvel e sublime com o pr\u00f3prio ato criador de Deus. A m\u00e3e forja o ser humano em seu ventre e modela o car\u00e1ter do futuro cidad\u00e3o e crist\u00e3o de forma irrevers\u00edvel. O seio materno estabelece o primeiro e mais sagrado santu\u00e1rio da vida humana. A institui\u00e7\u00e3o familiar nasce, estrutura-se e sobrevive ao redor da figura materna. Sem a m\u00e3e, a humanidade perde o seu porto seguro e a sociedade entra em colapso.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, minuciosamente documentada na Sagrada Escritura, exibe a for\u00e7a imensur\u00e1vel das m\u00e3es na condu\u00e7\u00e3o dos planos divinos. O Antigo Testamento entrega ao mundo exemplos monumentais de mulheres que alteraram o curso da humanidade atrav\u00e9s de sua maternidade heroica. O Livro do G\u00eanesis apresenta Sara. Ela desafiou a esterilidade, subverteu a l\u00f3gica biol\u00f3gica humana, acreditou de forma inabal\u00e1vel na promessa divina e gerou Isaac, garantindo assim a continuidade da linhagem da Antiga Alian\u00e7a. O Primeiro Livro de Samuel destaca a figura extraordin\u00e1ria de Ana. Ela derramou l\u00e1grimas amargas no templo de Silo, suportou a humilha\u00e7\u00e3o, suplicou a Deus por um filho e cumpriu o seu voto ao entregar o pequeno Samuel para o servi\u00e7o exclusivo do Senhor. O profeta Samuel, fruto dessa ora\u00e7\u00e3o materna, ungiu os primeiros reis de Israel e organizou a na\u00e7\u00e3o eleita.<\/p>\n<p>O Segundo Livro dos Macabeus descreve a bravura insuper\u00e1vel e quase incompreens\u00edvel daquela m\u00e3e que encorajou seus pr\u00f3prios sete filhos a enfrentarem o mart\u00edrio brutal e a morte f\u00edsica, apenas para n\u00e3o tra\u00edrem a lei de Deus diante do tirano. Essa mulher an\u00f4nima, uma gigante da f\u00e9, demonstra que o amor materno aut\u00eantico aponta para a vida eterna e repudia a covardia espiritual. O Novo Testamento mant\u00e9m essa linhagem de mulheres fortes e introduz Isabel no Evangelho de S\u00e3o Lucas. Ela\u00a0concebeu Jo\u00e3o Batista na velhice, desafiando novamente os limites da natureza, e proclamou a primeira grande b\u00ean\u00e7\u00e3o e profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3 ao reconhecer, com clareza prof\u00e9tica, a presen\u00e7a do Messias no ventre de sua prima.<\/p>\n<p>O \u00e1pice absoluto da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, contudo, repousa sobre a Virgem Maria de Nazar\u00e9. O sim de Maria rasgou os c\u00e9us, encerrou s\u00e9culos de expectativa e trouxe o Verbo de Deus para a iman\u00eancia da hist\u00f3ria humana. A maternidade divina de Maria sustenta toda a arquitetura da f\u00e9 crist\u00e3. Ela gerou o Redentor, nutriu o Criador do universo em seus bra\u00e7os e, aos p\u00e9s da cruz, no momento do abandono e da dor extrema, assumiu a maternidade espiritual de toda a humanidade. A figura de Maria estabelece o padr\u00e3o definitivo, absoluto e intranspon\u00edvel de amor, sacrif\u00edcio e doa\u00e7\u00e3o para todas as m\u00e3es de todos os tempos. A Igreja Cat\u00f3lica orgulha-se de possuir uma M\u00e3e que esmagou a cabe\u00e7a da serpente e que reina sobre os anjos.<\/p>\n<p>As m\u00e3es sustentam a f\u00e9 da Igreja Cat\u00f3lica na base, na par\u00f3quia e no cotidiano mais oculto. Os grandes tratados de teologia, os documentos conciliares e a estrutura hier\u00e1rquica dependem umbilicalmente da a\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, di\u00e1ria e silenciosa das m\u00e3es no interior das casas. A mulher transmite as primeiras ora\u00e7\u00f5es, ensina o sinal da cruz, inculca os valores morais inegoci\u00e1veis e apresenta a pessoa viva de Jesus Cristo aos filhos. A m\u00e3e catequiza com a autoridade da pr\u00f3pria vida e do pr\u00f3prio exemplo. O Magist\u00e9rio reconhece a fam\u00edlia como a verdadeira Igreja Dom\u00e9stica. Dentro de seus lares, as m\u00e3es exercem um aut\u00eantico e poderoso sacerd\u00f3cio batismal. Elas purificam a sociedade ao entregarem ao mundo homens e mulheres \u00edntegros, honestos e tementes a Deus. A diocese mais ativa do mundo naufraga rapidamente sem o alicerce s\u00f3lido constru\u00eddo pelas m\u00e3es em suas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>A modernidade, no entanto, lan\u00e7a ataques ferozes, orquestrados e sistem\u00e1ticos contra a fam\u00edlia e contra a pr\u00f3pria ess\u00eancia da maternidade. Ideologias contempor\u00e2neas tentam desconstruir o modelo familiar tradicional e tratam a gravidez como um peso indesejado, uma doen\u00e7a ou um obst\u00e1culo ao sucesso profissional e \u00e0 pseudoliberdade individual. A Igreja recha\u00e7a essas narrativas destrutivas e mentirosas com vigor absoluto. A fam\u00edlia constitui a c\u00e9lula vital, origin\u00e1ria e insubstitu\u00edvel da sociedade. O Estado possui a obriga\u00e7\u00e3o moral, pol\u00edtica e constitucional de proteger a<\/p>\n<p>institui\u00e7\u00e3o familiar com todas as suas for\u00e7as. Pol\u00edticas p\u00fablicas falham miseravelmente quando ignoram as necessidades urgentes da m\u00e3e trabalhadora, da m\u00e3e solo que cria os filhos sem apoio e da m\u00e3e que enfrenta a mis\u00e9ria extrema para alimentar sua prole. A precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica castiga duplamente as mulheres, que acumulam jornadas extenuantes no implac\u00e1vel mercado de trabalho e as responsabilidades exclusivas, e muitas vezes solit\u00e1rias, do lar.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica mant\u00e9m a defesa irrestrita da vida humana e da maternidade como um pilar dogm\u00e1tico e inegoci\u00e1vel. O Papa Le\u00e3o XIV, na condu\u00e7\u00e3o firme e l\u00facida do atual pontificado, exige categoricamente dos governos e dos tribunais mundiais a implementa\u00e7\u00e3o de estruturas reais de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia. O atual Santo Padre denuncia com veem\u00eancia a mentalidade utilitarista que financia a morte, que descarta as crian\u00e7as no ventre materno e que abandona as m\u00e3es \u00e0 pr\u00f3pria sorte nos hospitais e nas periferias. Le\u00e3o XIV alerta, com raz\u00e3o prof\u00e9tica, que uma civiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o honra, n\u00e3o subsidia e n\u00e3o protege as suas m\u00e3es assina a pr\u00f3pria senten\u00e7a de morte cultural e demogr\u00e1fica. A defesa integral da vida, desde o momento exato da concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a morte natural, exige o amparo absoluto \u00e0 mulher que tem a coragem de conceber e educar.<\/p>\n<p>A sociedade precisa dobrar os joelhos em sinal de profundo respeito e gratid\u00e3o diante da figura materna. O amor de m\u00e3e reflete, de forma material e concreta, o amor incondicional e misericordioso do pr\u00f3prio Deus pela humanidade. As m\u00e3es que perdem o sono ao lado do leito dos hospitais, as m\u00e3es que choram l\u00e1grimas de sangue pelos filhos aprisionados no submundo das drogas ou do crime, as m\u00e3es que dividem o \u00faltimo peda\u00e7o de p\u00e3o no final do m\u00eas: todas elas atualizam o sacrif\u00edcio do Calv\u00e1rio no sil\u00eancio ensurdecedor de suas rotinas. A heroicidade an\u00f4nima e di\u00e1ria dessas mulheres sustenta o tecido social e impede o colapso \u00e9tico e moral do Brasil. Elas carregam o pa\u00eds nas costas.<\/p>\n<p>Neste Dia das M\u00e3es vamos rezar pelas m\u00e3es que j\u00e1 est\u00e3o junto de Deus. Elas cumpriram a sua miss\u00e3o sacrossanta de transmitir a f\u00e9 aos seus filhos e netos e manter a unidade das suas fam\u00edlias em torno de Cristo e da Igreja.<\/p>\n<p>O Dia das M\u00e3es exige muito mais do que presentes perec\u00edveis ou homenagens passageiras e superficiais. A data cobra de cada cidad\u00e3o um\u00a0compromisso imediato e efetivo com a defesa da fam\u00edlia, com o respeito absoluto \u00e0 vida e com a promo\u00e7\u00e3o da verdadeira dignidade feminina. A Igreja levanta a sua voz, de forma un\u00edssona, para aben\u00e7oar, exaltar e defender as m\u00e3es. Que a intercess\u00e3o soberana da Virgem Maria, a M\u00e3e de Deus e nossa, cubra com o seu manto sagrado todas as mulheres que abra\u00e7am a sublime, divina e \u00e1rdua voca\u00e7\u00e3o de gerar e nutrir a vida. Deus aben\u00e7oe as fam\u00edlias, sustente as m\u00e3es em suas batalhas di\u00e1rias e conceda a paz definitiva aos vossos lares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist. 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