{"id":999866,"date":"2026-05-10T06:05:46","date_gmt":"2026-05-10T09:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=999866"},"modified":"2026-05-13T13:35:18","modified_gmt":"2026-05-13T16:35:18","slug":"cardeal-orani-6o-domingo-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-orani-6o-domingo-da-pascoa\/","title":{"rendered":"6\u00ba Domingo da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta, O. Cist.<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caminhamos a passos largos para a conclus\u00e3o do Tempo Pascal. A liturgia deste Sexto Domingo da P\u00e1scoa nos coloca em um clima de profunda expectativa. Estamos entre a alegria da Ressurrei\u00e7\u00e3o e a imin\u00eancia da Ascens\u00e3o do Senhor, que nos prepara para o grande coroamento de Pentecostes. As palavras de Jesus s\u00e3o palavras de despedida, sim, mas, acima de tudo, s\u00e3o palavras de promessa e de consolo. Ele n\u00e3o nos deixa entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte; Ele nos garante a Sua presen\u00e7a atrav\u00e9s do &#8220;outro Defensor&#8221;. Hoje recordamos tamb\u00e9m com carinho o dia das m\u00e3es.<\/p>\n<p>No Evangelho deste domingo (Jo 14,15-21), Jesus inicia sua fala com uma condi\u00e7\u00e3o que deve ecoar em nossos cora\u00e7\u00f5es: \u201c<em>Se me amais, guardareis os meus mandamentos<\/em>\u201d. Aqui, o Senhor retira o amor do campo do mero sentimentalismo ou da emo\u00e7\u00e3o passageira. Para o crist\u00e3o, amar n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;sentir&#8221;, mas \u00e9 &#8220;aderir&#8221;. Na nossa querida Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, em meio aos desafios de uma metr\u00f3pole t\u00e3o vasta e complexa, somos chamados a mostrar esse amor atrav\u00e9s da nossa fidelidade cotidiana. Guardar os mandamentos n\u00e3o \u00e9 um peso, mas a resposta de quem descobriu um tesouro. Quem ama a Cristo, ama o que Ele ama; quem ama a Cristo, vive a \u00e9tica do Reino, que \u00e9 a \u00e9tica do cuidado, da justi\u00e7a e da caridade.<\/p>\n<p>Jesus sabe, contudo, que a nossa natureza humana \u00e9 fr\u00e1gil. Ele conhece as press\u00f5es do mundo, o medo da solid\u00e3o e as persegui\u00e7\u00f5es que a Igreja enfrentaria ao longo dos s\u00e9culos. Por isso, Ele nos faz uma promessa sublime: \u201c<em>Eu rogarei ao Pai, e ele vos dar\u00e1 outro Defensor, para que permane\u00e7a para sempre convosco: o Esp\u00edrito da Verdade<\/em>\u201d. Que conforto para as nossas almas! O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o &#8220;Par\u00e1clito&#8221;, aquele que se coloca ao nosso lado para nos defender, nos guiar e nos recordar tudo o que o Mestre ensinou. Em um mundo onde as &#8220;<em>fake news<\/em>&#8220;, as ideologias passageiras, as narrativas ideol\u00f3gicas e a cultura do descarte tentam obscurecer a realidade, o Esp\u00edrito da Verdade \u00e9 a b\u00fassola que mant\u00e9m a Igreja no rumo certo.<\/p>\n<p>Essa for\u00e7a do Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 algo abstrato ou distante. N\u00f3s a vemos em a\u00e7\u00e3o na primeira leitura deste domingo (At 8,5-8.14-17). Vemos a figura de Filipe, que desce \u00e0 Samaria e anuncia o Cristo. O texto nos diz algo maravilhoso: \u201cHouve muita alegria naquela cidade\u201d. Onde o Evangelho \u00e9 anunciado com autenticidade, a alegria floresce, mesmo em terras antes consideradas \u00e1ridas ou hostis, como era a Samaria para os judeus.<\/p>\n<p>Ao olharmos para a nossa realidade carioca, infelizmente tantas vezes marcada por not\u00edcias de viol\u00eancia e dor, devemos nos perguntar: estamos levando essa alegria de Filipe \u00e0s nossas &#8220;samarias&#8221; urbanas? O texto dos Atos nos mostra que, ao saberem da acolhida da Palavra, os ap\u00f3stolos Pedro e Jo\u00e3o foram at\u00e9 l\u00e1 e \u201cimpuseram as m\u00e3os sobre eles, e eles receberam o Esp\u00edrito Santo\u201d. Este \u00e9 o fundamento do sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o. \u00c9 o Esp\u00edrito que completa a obra iniciada no Batismo e nos torna adultos na f\u00e9, prontos para o testemunho p\u00fablico em uma sociedade que tanto sede de Deus.<\/p>\n<p>E como deve ser esse testemunho? S\u00e3o Pedro, na segunda leitura de hoje (1Pd 3,15-18), nos oferece um roteiro de ouro para a nossa miss\u00e3o como disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Ele nos exorta: \u201c<em>Santificai em vossos cora\u00e7\u00f5es o Cristo Senhor. Estai sempre prontos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que vo-la pedir<\/em>\u201d. Nestas palavras, encontramos o cerne da nossa presen\u00e7a no mundo. O mundo nos pergunta: <em>&#8220;Por que voc\u00eas ainda acreditam? Por que voc\u00eas ainda defendem a vida, a fam\u00edlia e os pobres?<\/em>&#8220;. A nossa resposta \u00e9 a &#8220;raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a&#8221;: Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p>No entanto, Pedro nos d\u00e1 uma advert\u00eancia fundamental sobre o modo de evangelizar: \u201c<em>Contudo, fazei-o com mansid\u00e3o e respeito, mantendo sempre uma boa consci\u00eancia<\/em>\u201d. Em tempos de agressividade verbal e intoler\u00e2ncia, inclusive dentro de ambientes religiosos, o crist\u00e3o deve se distinguir pela mansid\u00e3o. Dar a raz\u00e3o da esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 &#8220;vencer uma discuss\u00e3o&#8221; ou humilhar o interlocutor, mas atrair pelo brilho da verdade vivida no amor. Pedro nos recorda que \u201cCristo morreu uma vez por todas por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus\u201d. Se o Senhor nos tratou com tal miseric\u00f3rdia, como poder\u00edamos n\u00f3s tratar o pr\u00f3ximo com soberba?<\/p>\n<p>Ao retornarmos ao Evangelho, ouvimos uma das frases mais belas de toda a Escritura: \u201c<em>N\u00e3o vos deixarei \u00f3rf\u00e3os. Eu virei a v\u00f3s<\/em>\u201d. Nestas palavras de Jesus (Jo 14,18), encontramos o rem\u00e9dio para o grande mal do s\u00e9culo XXI: a solid\u00e3o existencial. Muitas pessoas hoje se sentem \u00f3rf\u00e3s de sentido, \u00f3rf\u00e3s de afeto verdadeiro, \u00f3rf\u00e3s de valores s\u00f3lidos. O Senhor nos garante que Ele permanece vivo e operante no meio de n\u00f3s. Ele se manifesta na Eucaristia, na Palavra proclamada, mas tamb\u00e9m naquele que sofre, naquele que \u00e9 marginalizado nas periferias existenciais da nossa cidade.<\/p>\n<p>Jesus conclui dizendo: \u201c<em>Quem acolhe os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama ser\u00e1 amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele<\/em>\u201d. A vida crist\u00e3 \u00e9, portanto, este c\u00edrculo de amor: amamos a Jesus obedecendo \u00e0 Sua Palavra; o Pai nos ama por reconhecer em n\u00f3s os tra\u00e7os do Seu Filho; e, nessa comunh\u00e3o amorosa, o mist\u00e9rio de Deus se manifesta em nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Neste domingo, pe\u00e7amos ao Senhor a gra\u00e7a de sermos d\u00f3ceis ao Esp\u00edrito Santo, o Defensor que nos foi enviado. Que Ele nos ajude a santificar Cristo em nossos cora\u00e7\u00f5es e a sermos defensores da vida e da dignidade humana em todos os cantos do nosso Rio de Janeiro. Que a nossa esperan\u00e7a n\u00e3o seja uma v\u00e3 ilus\u00e3o, mas uma certeza enraizada na Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que Maria Sant\u00edssima, que comemoramos neste m\u00eas de maio, e que permaneceu em ora\u00e7\u00e3o com os ap\u00f3stolos \u00e0 espera do Esp\u00edrito, nos ensine a ser fi\u00e9is aos mandamentos do seu Filho e a levar a alegria do Evangelho a todos os homens e mulheres de boa vontade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) &nbsp; Caminhamos a passos largos para a conclus\u00e3o do Tempo Pascal. A liturgia deste Sexto Domingo da P\u00e1scoa nos coloca em um clima de profunda expectativa. 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