Na série “Memória – CF 60 anos”, o Portal da CNBB resgata documento que marca o nascimento da Campanha da Fraternidade

No próximo ano, a Campanha  da Fraternidade (CF) completará 60 anos desde que foi assumida como um ação de toda a Igreja no Brasil pelos bispos brasileiros. A Campanha nasceu por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales, em Nísia Floresta, arquidiocese de Natal (RN), como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana, dos filhos e filhas de Deus.

Portanto, o próximo ano marcará seis décadas de trajetória desta campanha que busca, no tempo quaresmal, chamar a atenção para algum aspecto da realidade brasileira e promover a conversão e gestos concretos com a doação à Coleta Nacional da Solidariedade que arrecada recursos que apoiam, a cada ano, inúmeros projetos sociais pelo Brasil.

A CF foi pensada, desde o início, como uma forma de recepcionar as inovações do Concílio Vaticano II, das Conferências Episcopais de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007). Portanto, está inserida como um projeto de Evangelização e renovação da Igreja no Brasil e na América Latina e Caribe.

Memória – CF 60 anos

Com esta matéria, o Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dá início a uma série “Memória – CF 60 anos” que vai buscar recuperar a história desta campanha, incluindo documentos, momentos importantes de sua consolidação, ações e frutos que surgiram das campanhas, hinos e pessoas que marcaram história, entre outros.

Para este início, conseguimos recuperar um documento histórico junto ao Centro de Documentação e Informação da CNBB que pode ser definido como o registro de nascimento da Campanha da Fraternidade no momento em que ela assume um caráter nacional. Trata-se de um documento, com 8 páginas, enviado pelo então secretário-geral da CNBB, dom Helder Câmara, ainda do Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro, aos bispos do Brasil.

Na publicação, o então secretário-geral da CNBB, fala do plano de uma “‘Campanha Nacional’ na linha das coletas que são feitas na Alemanha católica”. Na correspondência, na linha formativa, o documento mostra que um dos objetivos da Campanha foi “levar os fieis a ser responsáveis pela obra do Apostolado e pelas obras sociais mantidas pela Igreja”. No material, além da explicação de como a campanha se daria e quais seus objetivos, consta também um encarte com os 5 apelos da campanha.

Acesse aqui:
Documento histórico que marca a Origem da Campanha da Fraternidade 

Histórico da Campanha da Fraternidade

Para conhecer a história, é necessário olhar o contexto histórico onde nasceu a experiência de solidariedade enquanto Campanha da Fraternidade, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. O que aconteceu de extraordinário ali? É preciso retroceder até o tempo da II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos decidiram entrar no conflito. Então montaram em Natal (cidade estratégica) uma base militar enviando um contingente de soldados que elevou a população local em 20%. Da noite para o dia a cidade se transformou.

De maneira abrupta os espaços urbanos foram reorganizados e bares superlotados com comércio em dólar, espaços de lazer, mudança na linguagem, incremento da gastronomia, enfim, a cidade de Natal explodia com esses novos rumos. Mas o pior estava para acontecer. Terminada a guerra, toda essa população não brasileira também da noite para o dia desapareceu das ruas de Natal. O que deixou? Uma cidade em ruína e miséria, muitas mulheres com filhos ou grávidas. A fome rondando cada rua, cada casebre.

A crise social da região descambou para o caos social. Uma iniciativa eclesial de emergência surge. Dois padres, Nivaldo Monte e Eugênio Salles que pouco depois tornou-se bispo auxiliar de Natal, iniciaram um movimento bem amplo no campo social, urbano e rural. Iniciava-se ali o Movimento de Natal que impulsionou o planejamento pastoral, a formação de escolas radiofônicas que fizeram germinar, principalmente, a Campanha da Fraternidade realizada durante a quaresma.

Ampliação nacional

Em 1962 foi realizada na cidade de Natal. No ano seguinte a experiência ampliou-se para 16 Dioceses do Nordeste. Em 1964, os Bispos Brasileiros encamparam a Campanha da Fraternidade com texto aprovado em assembleia para o Brasil inteiro. No próximo ano iremos comemorar o 60º aniversário.

No contexto do Movimento de Natal, ainda cabe ressaltar a experiência na Paróquia de Nísia Floresta/RN. Em função da carência de sacerdotes na Arquidiocese de Natal, essa paróquia foi entregue por Dom Eugênio Sales para ser administrada pelas Missionárias de Jesus Crucificado, dando-lhes todos os direitos e deveres de vigárias paroquiais, exceto a administração dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia indo de 1963 a 1989. Era uma forma de a Igreja favorecer aos trabalhadores rurais condições para se tornarem protagonistas de seu destino.

Foi a partir do Movimento de Natal que a Igreja viabilizava daí em diante propostas de solução coerente com o pensamento da doutrina social, utilizando de seu prestígio para pressionar e sensibilizar as autoridades do país estimulando ações governamentais mais responsáveis. Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade colocava em prática o texto bíblico descrito em Isaías 58 a respeito do verdadeiro jejum a ser concretizado durante a Quaresma. Não há dissociação entre fé e vida.

Assumida pelas Igrejas Particulares da Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha. Comunhão na busca de construir uma verdadeira fraternidade; conversão na tentativa de deixar-se transformar pela vida fecundada pelo Evangelho; partilha como visibilização do Reino de Deus que recorda a ação da fé, o esforço do amor, a constância na esperança em Cristo Jesus (Cf. 1Ts 1,3).

Cronologia visual da CF

Abaixo, você acessa uma arte na qual consta a cronologia da Campanha, com o cartas, o tema e o hino de cada uma delas, deste o início da experiência.

Acesse (aqui a cronologia da CF)

 

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