15º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A 

Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen (RS) 

 

 

Acolher com amor a Palavra de Deus 

Hoje a Liturgia nos convida a refletir sobre algo fundamental na vida cristã: a acolhida da Palavra. Não é uma palavra qualquer, mas a Palavra que vem de Deus, poderosa, eficaz, capaz de transformar corações, vidas e até toda a criação. 

Na primeira leitura (Is 55, 10-11), o profeta Isaías usa uma imagem belíssima da natureza: “Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, […] assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito” (Is 55,10-11). 

Deus não fala para passar o tempo. A Sua Palavra tem sempre uma missão: fecundar, fazer crescer, produzir vida. Mesmo quando parece que nada acontece, mesmo quando o mundo parece surdo ou hostil, a Palavra de Deus está trabalhando silenciosamente, como a chuva que penetra a terra. Podemos não ver o resultado imediatamente, mas ela cumpre sempre a vontade de Deus. Que consolo para nós, que muitas vezes nos sentimos desanimados diante das dificuldades! 

No Evangelho (Mt 13, 1-23 (ou forma breve: 13, 1-9), Jesus nos apresenta a parábola do semeador. Um homem sai a semear. A semente é a mesma – a Palavra do Reino –, mas o resultado depende do terreno onde cai: 

À beira do caminho: o coração endurecido, distraído, que não permite que a Palavra penetre.  

Em terreno pedregoso: entusiasmo inicial, mas sem raiz. Quando vem a tribulação ou perseguição, seca.  

Entre espinhos: o coração dividido, sufocado pelas preocupações, riquezas e prazeres do mundo.  

Em boa terra: o coração aberto, que acolhe, compreende e produz fruto – trinta, sessenta, cem por um.  

A pergunta que esta parábola nos faz hoje é muito concreta: Que tipo de solo é o meu coração? 

Quantas vezes ouvimos a Palavra na Missa, nas leituras, nas pregações, mas ela não produz fruto porque o nosso coração está cheio de espinhos: ansiedade, ambição, distrações, pecados que não queremos largar? Jesus não nos condena, mas nos convida a preparar o terreno. Arar a terra significa conversão, confissão, oração, vigilância. 

São Paulo, na segunda leitura (Rm 8, 18-23), nos lembra que não estamos sozinhos nessa jornada. Toda a criação “geme e sofre as dores da maternidade”, esperando a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8,22). Quando vivemos segundo o Espírito, quando deixamos a Palavra de Deus produzir fruto em nós, estamos colaborando não só na nossa salvação, mas na renovação de todo o universo. O nosso “sim” à Palavra tem repercussões cósmicas! 

Hoje, Jesus nos chama a ser boa terra. Como fazer isso? 

Escutar com atenção: vir à Missa não só por obrigação, mas com o coração aberto.  

Meditar a Palavra: ler a Bíblia todos os dias, mesmo que seja um versículo.  

Eliminar os espinhos: confessar os pecados, reduzir o que nos sufoca (excessos de trabalho, redes sociais, consumismo).  

Ser perseverantes: não desistir quando a vida seca ou espinhos aparecem.  

Dar fruto: a Palavra não é só para nós. Ela deve se transformar em obras de caridade, justiça, perdão e anúncio do Evangelho.  

A Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela não volta vazia. Que o Senhor nos dê um coração humilde e generoso, capaz de acolher a semente e produzir muito fruto para a glória de Deus e o bem dos irmãos. 

Que Maria, a perfeita ouvinte da Palavra, que guardava tudo no coração, nos ajude a ser terra fértil para o Reino. Amém! 

Que a Palavra de Deus habite ricamente em vós! 

 

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