Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

“Dai-lhes vós mesmos de comer”! (Mt 14,16)

Celebramos neste domingo o décimo oitavo do Tempo Comum, e no sábado iniciamos um mês especial para a Igreja que é o mês vocacional, em que cada domingo recordamos uma vocação em específico que todo cristão batizado é chamado por Deus a abraçar uma delas. Neste ano o tema deste mês é o mesmo do 5º Congresso Vocacional do Brasil que será em setembro: “Comunidades vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão” e tem o seguinte lema: “Perseverantes e bem unidos partiam o pão pelas casas” (At 2,46).

Neste 1º domingo do mês recordamos em especial a vocação ao ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. Na próxima terça-feira, dia 4 de agosto, celebramos a memória litúrgica de São João Maria Vianney, padroeiro dos padres, por isso, é dia do Padre, dia de nos unirmos em oração por todos aqueles que entregam a sua vida a serviço de Deus e das pessoas. No próximo dia 10 comemoramos o dia de São Lourenço, padroeiro dos diáconos. Por isso, ao longo de toda essa semana, até domingo que vem recordaremos a vocação ao ministério ordenado e somos chamados a rezar por todos os padres e diáconos. Antes mesmo de presenteá-los, rezemos uma Ave-Maria por eles e por seu ministério. Queiramos bem os nossos padres e rezemos por eles, sobretudo, para que possam atender bem ao povo de Deus!

Esse mês de agosto é um mês muito especial sobretudo para a Igreja Católica, por ser o mês vocacional. Por isso, a cada domingo rezamos de um modo geral pela Igreja, pois rezamos por todos os membros que fazem essa Igreja. Conforme dissemos nesse primeiro domingo recordamos a vocação ao ministério ordenado, no próximo Domingo recordamos a vocação a paternidade e rezamos pelas famílias iniciando a semana nacional da família (tema: “Família, torna-te aquilo que és!” e o lema “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8), no terceiro Domingo recordamos a vida religiosa e consagrada na Solenidade da Assunção de N. Sra., no quarto domingo a vocação para os ministérios leigos na igreja, e ainda, no último Domingo do mês recordamos a vocação de catequistas.

Ao longo desse mês, rezemos pelo Papa Leão XIV e por sua missão, pelos bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas, e pelos leigos que fazem a Igreja. Essa é a beleza da Igreja, cada um na sua vocação respondendo ao chamado de Deus, servindo aos irmãos com alegria.

O Evangelho deste domingo é de Mateus (Mt 14,13-21) – esse trecho do Evangelho de Mateus nos mostra que Jesus também tem sentimentos, ou seja, ficou comovido por causa da morte de João Batista, queria ficar sozinho, mas ao descer da barca vê a multidão e sente compaixão, pois estavam como ovelha sem pastor. Jesus cura os doentes que havia ali e distribui pão e peixe para a multidão. O Senhor faz isso também conosco, principalmente quando o buscamos nos sacramentos. Ele sente compaixão de nós e perdoa os nossos pecados e nos alimenta com a Eucaristia. Acorramos sempre a misericórdia do Senhor.

A primeira leitura da missa desse domingo é do livro do profeta Isaías (55, 1-3), o profeta que viveu após o exilio da Babilônia incentiva a todo o povo a criarem um novo ânimo e a viverem um novo tempo. Incentiva o povo de Deus a reavivarem a fé e a saírem das trevas e da escuridão e irem para à luz. O Senhor fala através da boca do profeta incentivando ao povo de Deus a deixarem tudo aquilo que é mundano e a buscarem refúgio no Senhor.

O salmo responsorial é o 144(155), que nos diz em seu refrão: “Vós abris vossa mão prodigamente e saciais os vossos filhos, ó Senhor”. O Senhor tudo providência, devemos confiar N’Ele e pedir que sempre tenhamos na mesa o pão de cada dia para sustentar a nós e a nossa família. É claro, que devemos fazer por onde, buscar o nosso emprego e através do nosso trabalho levar o sustento para nossa família, mas, que nunca nos falte a fé e a esperança de que nunca faltará o pão na nossa mesa.

A segunda leitura é da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,35.37-39), Paulo exorta a comunidade de Romanos e a todos nós, dizendo que nada nos separará do amor de Deus. Mesmo diante da tribulação, angústia, perseguição, fome ou nudez, o Senhor está conosco nos protegendo, e ainda, são nesses momentos de dificuldades que devemos fortalecer a nossa fé. Jesus nos deu a maior prova que Deus nos ama ao morrer na cruz por todos nós.

O Evangelho desse domingo é de Mateus (Mt 14,13-21, conforme dissemos acima, após Jesus saber da morte de João Batista ficou profundamente comovido, do mesmo modo que ficou quando Lazaro morreu. Ele queria ficar um pouco só, entrou na barca e queria retirar-se um pouco. Mas, Jesus vê a multidão e sente compaixão delas, pois estavam como ovelha sem pastor. Ele poderia ter deixado a multidão e ido se retirar um pouco, mas Jesus é misericordioso e sente que a multidão precisava dele.

Ele cura muitas pessoas e faz a “multiplicação dos pães”, distribui pães e peixes para toda a multidão e ainda sobraram doze cestos, os que haviam comido eram cerca de 144 mil homens, sem contar as mulheres e as crianças, pois na época não eram contadas.

Os números que aparecem nesse Evangelho são simbólicos e nos querem dizer muitas coisas. Primeiro o número sete, referindo-se aos cinco pães e dois peixes e que são multiplicados por Jesus. O número sete é o da perfeição ou da totalidade, ou seja, tudo aquilo que Deus faz é perfeito. São sete os sacramentos, são sete os dons do Espírito Santo e o Senhor criou o mundo em sete dias. O Número doze referente aos cestos que sobraram reporta aos doze apóstolos, referindo-se a missão que os apóstolos teriam após a morte e ressurreição de Jesus, e o que os sacerdotes fazem até ao dia de hoje, alimentando o povo com a Eucaristia. O número cento e quarenta e quatro mil referentes aos homens que estavam presente no local é referente a multiplicação do número doze, referente aos apóstolos, significando que a igreja chegaria aos confins da terra.

E ainda, conforme dissemos acima, esse trecho refere-se aquilo que vivenciamos na Santa Missa, o Senhor sente compaixão de nós, perdoa os nossos pecados, ouvimos o que Ele tem a nos dizer, e ainda, somos alimentados pela Eucaristia.

Celebremos com alegria esse décimo oitavo domingo do Tempo Comum, busquemos sempre o Senhor e sua misericórdia infinita, e que Ele sempre nos alimente e sacie com a Eucaristia. Neste dia 2 de agosto temos também a indulgência da Porciúncula ligada a à tradição franciscana, mas hoje estendida a toda a igreja. Rezemos por todos os sacerdotes e diáconos ao longo dessa semana para que tenham força e coragem em seu ministério. Sem sacerdotes não há a Santa Eucaristia e sem Eucaristia não há Igreja, portanto, rezemos pelas vocações para que nunca nos falte esse bem espiritual para nós.

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