Bispo de Frederico Westphalen (RS)
Tema central:
A verdadeira felicidade nasce de um coração que se deixa moldar por Deus.
A Liturgia da Palavra deste domingo nos conduz ao coração da mensagem de Jesus: o caminho da verdadeira felicidade. No Evangelho das Bem-aventuranças, Jesus não apresenta uma teoria abstrata nem uma moral distante da vida real. Ele proclama um modo concreto de viver, possível aqui e agora, no meio das circunstâncias ordinárias da nossa existência.
À primeira vista, as Bem-aventuranças parecem contrariar a lógica do mundo. Felizes os pobres, os mansos, os que choram, os perseguidos… Como pode haver felicidade nessas situações? Jesus nos revela que a felicidade não depende de possuir, dominar ou se impor, mas de confiar, amar e se colocar nas mãos do Pai. Trata-se de uma felicidade que brota de dentro, do coração que escolhe Deus como seu maior bem.
Toda a mensagem bíblica deste domingo converge para essa verdade: Deus se aproxima com predileção dos simples, dos humildes, daqueles que não se apoiam em si mesmos, mas Nele. Não se trata de exaltar a miséria ou o sofrimento em si, mas de reconhecer que um coração desapegado, pobre de espírito, é um coração livre, disponível para acolher a graça.
Jesus sobe à montanha e se senta para ensinar. É o Mestre que forma seus discípulos, mostrando-lhes que a santidade não é reservada a alguns poucos, mas é vocação de todos. As Bem-aventuranças não são um ideal inalcançável: são um programa de vida cristã que se realiza no cotidiano, no trabalho bem-feito, na paciência com os outros, na fidelidade silenciosa aos deveres de cada dia.
Aqui encontramos um ponto essencial da espiritualidade que somos chamados a viver: santificar a vida comum. A pobreza de espírito se vive quando trabalhamos com retidão de intenção; a mansidão, quando respondemos com caridade; a misericórdia, quando sabemos perdoar; a fome de justiça, quando buscamos fazer o bem mesmo sem reconhecimento. É assim, nos pequenos gestos, que se constrói uma vida bem-aventurada.
Jesus não promete uma vida sem cruz, mas garante que quem caminha com Ele encontra sentido, paz e alegria profunda, mesmo em meio às dificuldades. A felicidade cristã não elimina os problemas, mas os ilumina. Ela nasce da certeza de que Deus está presente e age em tudo, quando Lhe abrimos espaço.
Peçamos hoje a graça de acolher as Bem-aventuranças não apenas como palavras belas, mas como critério de vida. Que aprendamos a buscar a felicidade onde Cristo a coloca: na humildade, no serviço, no amor vivido fielmente no dia a dia. Assim, pouco a pouco, nossa vida comum se tornará um verdadeiro caminho de santidade e de alegria duradoura.
