Bispo de Frederico Westphalen (RS)
Tema central:
O cristão é chamado a ser sal da terra e luz do mundo, vivendo uma fé concreta, visível e transformadora no cotidiano.
A Liturgia da Palavra deste domingo nos apresenta um chamado claro e exigente de Jesus: “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo.” Não se trata de um elogio, mas de uma missão. O Senhor não diz: “esforçai-vos para ser”, mas afirma: “vós sois”. Pelo Batismo, fomos inseridos em Cristo e recebemos uma identidade e uma responsabilidade: dar sabor ao mundo e iluminá-lo com a luz que vem de Deus.
A Palavra de Deus, como um todo, nos ajuda a compreender que essa missão não se cumpre com gestos espetaculares ou extraordinários, mas na fidelidade às pequenas coisas do dia a dia. O sal age silenciosamente realçando o sabor dos alimentos; a luz não chama atenção para si mesma, mas permite que os outros vejam melhor. Assim também deve ser a vida cristã: discreta, coerente, perseverante, profundamente enraizada em Deus.
Inspirados pela espiritualidade que nos convida a santificar a vida ordinária, compreendemos que não há dois mundos — um “sagrado” e outro “profano”. Tudo pode ser lugar de encontro com Deus: o trabalho bem-feito, o cuidado com a família, o tratar-se bem e com carinho em casa, o cumprimento dos deveres, a paciência nas dificuldades, a dedicação aos estudos, a alegria simples de servir. É aí que o cristão é sal e luz.
O sal perde sua força quando se mistura demais e deixa de ser ele mesmo. Também o cristão perde o sabor do Evangelho quando se conforma com uma vida morna, sem exigência interior, sem luta espiritual. A Missa Dominical nos recorda quem somos e nos devolve a força necessária para viver como discípulos no meio do mundo. Dela deve brotar uma vida cristã coerente durante a semana.
Para as famílias e os casais, este chamado se concretiza no amor vivido com fidelidade, no diálogo sincero, no perdão oferecido todos os dias, na educação cristã dos filhos, dada mais pelo exemplo do que pelas palavras. Um lar onde se reza, onde se trabalha com honestidade e onde cada um sabe sacrificar-se pelos demais é um lar onde se aprende a amar: um lar no qual a luz que o ilumina e o sal que lhe dá gosto vão muito além de suas paredes.
Para os jovens, ser luz significa não ter medo de viver de modo diferente, com critérios do Evangelho, mesmo quando isso exige coragem e ir contra a maré do egoísmo que domina o mundo de hoje. É buscar a verdade, a pureza de coração, a generosidade, e colocar os próprios talentos a serviço dos outros. Querer ser luz e sal significa também perguntar a Jesus o que Ele quer que cada um faça da própria vida, e ter a coragem para responder de forma positiva.
Para as crianças, a luz começa nas pequenas coisas: aprender a partilhar, a dizer a verdade, a obedecer com amor, a rezar com simplicidade. São sementes de santidade que crescem com o tempo.
Irmãos e irmãs, ao participarmos desta Eucaristia, peçamos ao Senhor a graça de uma fé viva, que se traduza em obras concretas. Que ao sairmos da Missa, levemos para nossas casas, trabalhos escolas e relações a luz de Cristo, não como algo imposto, mas como uma presença que transforma, aquece e orienta.
Que Maria Santíssima nos ajude a viver uma vida simples, fiel e cheia de Deus, sendo sal e luz onde o Senhor nos colocou. Amém.
