Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
Meus caros irmãos e irmãs em Cristo. Ao celebrarmos o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, meu coração se enche de uma serena e profunda alegria. Já se passaram seis décadas desde que a Igreja, inspirada pelos ventos renovadores do Concílio Ecumênico Vaticano II, instituiu este dia para que pudéssemos refletir sobre o dom maravilhoso que é a capacidade humana de nos conectarmos, de partilharmos a vida e, sobretudo, de anunciarmos a Boa Nova. É um marco histórico que nos convida a olhar para trás com gratidão, mas também a olhar para o futuro com uma esperança renovada.
Hoje, mais do que em qualquer outra época da história da humanidade, vivemos imersos em um vasto oceano de informações. A tecnologia encurtou as distâncias de uma maneira que nossos antepassados mal poderiam sonhar. Podemos falar com quem está do outro lado do mundo em frações de segundo. No entanto, o Santo Padre tem nos lembrado com profunda sabedoria, em sua mensagem para esta ocasião, que a verdadeira comunicação vai muito além da mera troca de dados virtuais. A comunicação autêntica não nasce nos teclados ou nas telas brilhantes; ela nasce e ganha vida no coração.
Muitas vezes, em nosso cotidiano apressado, corremos o risco de nos tornarmos indivíduos incrivelmente “conectados”, porém profundamente isolados em nossas próprias ilhas. A tela do celular pode ser uma maravilhosa janela para o mundo, mas corremos o perigo de transformá-la em um espelho, onde buscamos enxergar apenas as nossas próprias opiniões e certezas. O convite da Igreja para este 60º Dia Mundial é, portanto, um chamado à comunhão verdadeira. Como cristãos, somos convidados a desarmar nossas palavras, a buscar a conciliação e a construir pontes exatamente onde o mundo, infelizmente, ainda insiste em erguer muros.
A primeira e mais importante escola da comunicação é, sem dúvida, a nossa casa, a nossa família. É no convívio diário, no sentar-se à mesa, no olhar para os pais, para os filhos e para os avós, que aprendemos a conjugar o verbo amar. É ali que aprendemos a pedir licença, a pedir perdão e a dizer “muito obrigado”. Quando a comunicação familiar é permeada pelo respeito e pela ternura, ela transborda para a sociedade e a transforma de dentro para fora.
Comunicar, na perspectiva do Evangelho, é acima de tudo um ato de amor. Quando abrimos a boca para falar, ou quando digitamos uma mensagem para enviar, devemos fazer a nós mesmos três breves perguntas: Isso edifica? Isso traz paz? Isso reflete a luz e a misericórdia de Cristo? Em um tempo em que o ruído excessivo muitas vezes sufoca a verdade, a nossa voz precisa ser um instrumento de pacificação. Não precisamos de mais confrontos ou de palavras que ferem; a humanidade anseia desesperadamente pelo bálsamo da compreensão mútua.
O documento pontifício para este ano nos convida a resgatar a beleza da “escuta com o coração”. É um desafio exigente, porém belíssimo! Escutar não é apenas ficar em silêncio enquanto o outro fala, esperando ansiosamente a nossa vez de responder e argumentar. A verdadeira escuta exige um esvaziar-se de si mesmo para acolher com reverência o mistério e a dor do outro. Foi exatamente assim que Jesus caminhou entre nós. Ele escutava os marginalizados, os entristecidos, os aflitos. E, ao escutar com amor, Ele curava. Nós também podemos ser pequenos instrumentos dessa mesma cura através de uma escuta atenta e de palavras temperadas com a doçura do Espírito Santo.
Que Nossa Senhora, a Virgem do Silêncio e da Palavra Encarnada, nos ensine a guardar em nossos corações aquilo que é bom e a proclamar com a nossa própria vida a alegria perene do Evangelho. Que cada família, e cada pessoa que lê estas singelas linhas, sinta-se chamada por Deus a ser um comunicador da esperança. O mundo ao seu redor precisa da sua palavra amiga, do seu sorriso acolhedor e do seu testemunho sereno de fé.
Com minha bênção fraterna,
