Dom Carlos José
Bispo de Apucarana (PR)
Nesta semana, cristãos de diferentes tradições ao redor do mundo se unem em oração durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, renovando um compromisso essencial do Evangelho: caminhar juntos na busca da unidade querida por Cristo. Celebrada entre as Solenidades da Ascensão do Senhor e Pentecostes no hemisfério sul, a semana se torna um forte apelo à comunhão, ao diálogo e ao testemunho comum da fé. Neste ano, o tema “Vocês formam um só corpo e um só espírito” (Ef 4,4) recorda que, apesar das diferenças históricas e confessionais, todos os cristãos são chamados à mesma esperança e pertencem ao mesmo Corpo de Cristo. Promovida mundialmente pelo Conselho Mundial de Igrejas e pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e no Brasil pelo CONIC e pela CNBB, esta semana é muito mais do que um evento anual: é um testemunho de que a oração, a escuta e a fraternidade podem abrir caminhos concretos de reconciliação entre os cristãos. O Papa Leão XIV destacou que os cristãos devem ser “sinal visível de unidade e paz” em um mundo marcado por divisões, conflitos e indiferença religiosa. O Santo Padre recordou que a unidade não nasce da uniformidade, mas da capacidade de reconhecer no outro um irmão que também professa Jesus Cristo. Ao convidar os cristãos à humildade, ao diálogo e à oração comum, o Papa reafirma que o testemunho cristão perde força quando prevalecem a rivalidade, o fechamento e a intolerância. A unidade dos cristãos é, antes de tudo, um dom de Deus e uma tarefa permanente da Igreja. Por isso, a oração ocupa lugar central nesta caminhada ecumênica. Quando comunidades de diferentes tradições cristãs se reúnem para rezar, ouvir a Palavra e refletir juntas, testemunham ao mundo que o Evangelho continua sendo fonte de comunhão e esperança. Também a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil recorda que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um dos momentos mais significativos do ano para a dimensão ecumênica da Igreja. Trata-se de uma oportunidade privilegiada para fortalecer vínculos fraternos, superar preconceitos e construir pontes em um tempo que tantas vezes incentiva divisões. Neste contexto, a unidade cristã não é apenas um ideal distante, mas uma urgência pastoral e missionária. Em uma sociedade marcada pela violência verbal, pela polarização e pelo individualismo, os cristãos são chamados a oferecer um testemunho diferente: o da reconciliação, da escuta e da fraternidade. Que esta Semana de Oração desperte em nossas comunidades o desejo sincero de caminhar juntos, reconhecendo que há “um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4,5). E que, guiados pelo Espírito Santo, possamos ser cada vez mais sinais vivos da paz, da comunhão e da esperança que nascem do próprio Cristo.
