Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Essa festa da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja foi instituída pelo Papa Francisco em 2018, e pediu que fosse celebrada sempre na segunda-feira após Pentecostes. Essa festa recorda que a maternidade divina de Nossa Senhora se estende para toda a Igreja, Ela é Mãe de Cristo e da Mãe da Igreja que é o Corpo de Cristo.
A Igreja inicia a sua missão em Pentecostes quando Jesus envia os discípulos em missão soprando sobre eles o Espírito Santo e Nossa Senhora estava presente com eles, por isso, após celebrar Pentecostes no Domingo a Igreja celebra Nossa Senhora Mãe da Igreja na segunda-feira.
Essas celebrações nos motivam a sermos a semelhança dos discípulos e de Nossa Senhora anunciadores da Palavra e propagadores da Palavra de Deus. No batismo recebemos o Espírito Santo e por meio desse Espírito recebido nos tornamos discípulos e missionários de Cristo, e ainda sacerdotes, profetas e rei. Nossa Senhora após o anúncio do anjo foi correndo ao encontro de sua prima Isabel transmitindo a Ela a alegria que trazia consigo de ser a Mãe do salvador e enche Isabel e o menino que estava em seu ventre com a força do Espírito Santo. Agora, novamente ela cheia do Espírito Santo após Pentecostes se torna a discipula e missionaria e intercede por nós e pela Igreja, por isso, Ela é a Mãe da Igreja.
Esse título atribuído a Mãe de Jesus não é novo, em 1980 o saudoso Papa São João Paulo II convidou os fiéis a venerarem Maria como a Mãe da Igreja. Antes dele, porém, em 21 de novembro de 1964, o Papa Paulo VI na conclusão da terceira sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, declarou que a Virgem Maria é Mãe da Igreja. Mais tarde, em 1975, a Santa Sé propôs a celebração de uma Missa votiva em honra da Mãe da Igreja, mas, naquela época não entrou no calendário litúrgico.
Outro motivo de Nossa Senhora ser considerada a Mãe da Igreja é o episódio da cruz. Jesus quando estava crucificado no alto da cruz, diz a Maria: “Mulher, eis aí o teu filho” e depois diz a João: “Filho, eis a tua Mãe”. A partir daquele momento o discípulo amado acolheu Maria consigo. Com esse gesto Jesus entrega a Igreja aos cuidados de Maria, pois João representa toda a Igreja.
A primeira leitura da celebração dessa festa pode ser do livro de Gênesis (Gn 3,9-15.20) ou de Atos dos Apóstolos (At 1,12-14). A leitura de Gênesis retrata quando Adão e Eva comem do fruto proibido no jardim do Edem e um fica com vergonha do outro e tentam se esconder do Senhor. Eva diz que a cobra a enganou por isso comeu do fruto proibido. Por conta disso o Senhor Deus diz que a serpente seria maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens. Ela se rastejaria sobre o ventre e comeria pó todos os dias de sua vida. Poria inimizade entre ela e a mulher e entre a descendência dela e da mulher. Ainda diz que a mulher lhe ferirá o calcanhar, como de fato acontece, Nossa Senhora é a nova Eva, pisa na cabeça da serpente e gera o salvador.
Em Atos dos Apóstolos relata quando Jesus sobe ao céu e os discípulos voltam para Jerusalém. Os discípulos se reúnem e perseveram em oração junto com algumas mulheres, inclusive Maria, deixando claro que ela é a mãe da Igreja e intercede por nós.
O salmo responsorial é o (Sl 86), que nos diz em seu refrão: “Dizem coisas gloriosas da cidade do Senhor”. Essa cidade do Senhor é onde Ele quis fazer morada, a Igreja é essa cidade do Senhor, pois, ali Ele quis fazer morada. Ele ainda, quer fazer morada no nosso coração e o Espírito Santo nos impulsiona a irmos a essa cidade do Senhor.
O Evangelho desse missa é de João (Jo 19,25-34), retrata justamente o que dissemos acima sobre o episódio da cruz. Quando Jesus entrega João aos cuidados de Maria, Ele a entregou para que ela cuidasse de todos os seus discípulos, que nos dias de hoje somos todos nós. Aquela que cuidou com carinho de seu filho Jesus cuidará com carinho da Igreja.
Todas as perseguições, martírios, influências pagãs, e tantas tormentas que a igreja passou só foi possível superá-la porque a Igreja é amparada por Nossa Senhora. Confiemos na Virgem Maria e na ação do Espírito Santo.
Segue abaixo a oração do Papa Francisco proposta para esse dia:
Ajudai, ó Mãe, a nossa fé. Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada. Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa. Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé. Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer. Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado. Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho. Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor. (Papa Francisco, “Lumen Fidei”)
Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!
