Dom Paulo Mendes Peixoto 
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

A palavra “mistério” parece ser alguma coisa escondida e está em segredo. Dizemos que Deus, para nós, é um mistério, porque não é visto, a não ser na pessoa do outro, porque ele é sua imagem e semelhança. Talvez pudéssemos falar que existe uma excelência no mistério de Deus-Pai, humanizado na Pessoa de Jesus Cristo e agora presente na história através da ação concreta do Espírito Santo. 

A excelência do mistério da Santíssima Trindade acontece no exercício da vida fraterna e na maneira como as comunidades cristãs vivem o Amor. Ela deve ter o reflexo da forma como se relacionam, na Trindade Divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Neste contexto, a palavra que tem maior expressividade é a “unidade”, com profundo respeito pela natural diversidade entre as pessoas. 

A prática da unidade exige renúncias, superação de atitude individualista e fechamento ao outro. As consequências são saudáveis e de alegria, porque faz bem conviver bem, principalmente quando a vivência do Batismo e a prática da fé são colocadas em compromissos comunitários. O isolamento dificulta a unidade e causa desconforto na vida de quem conta com a participação de todos na convivência. 

Creio que podemos dizer de mistério da excelência o fato de Deus entregar a Moisés as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos do  Decálogo, atualizando a promessa de Aliança que tinha feito com o nômade Abraão no primitivo tempo histórico do Mistério da Salvação. Mistério que se revela como relação entre o divino e o humano. Deus se fez próximo, mesmo preservando o mistério de sua existência. 

Deus realmente é mistério para todos os humanos, por ser perfeito e onipotente, exigindo dos crentes uma verdadeira atitude de fé e de abandono nesse grande mistério. Acontece que o ser humano também não deixa de ser mistério, pois ninguém conhece a si mesmo de modo totalmente perfeito. A vida toda é espaço de conhecimento, de trabalho e de amadurecimento, com auxílio da tecnologia. 

Nesse mistério da excelência de Deus está presente, como objetivo, o mistério da salvação, que acontece através da mediação de Jesus Cristo. Agora é encontrar, nos sinais realizados por Jesus, as motivações para uma fé madura, com prática comunitária, no caminho de salvação, nossa incorporação ao amor divino. Assim devemos saber que a Trindade não é para ser entendida, mas vivida. 

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