Natividade de São João Batista recorda missão de preparar os caminhos do Senhor, reflete cardeal Orani Tempesta

No dia 24 de junho, a Igreja celebra a Natividade de São João Batista, o precursor do Messias e aquele que, com a força da Palavra de Deus, preparou os corações para a chegada de Jesus. Em artigo publicado por ocasião da data, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, destaca a importância espiritual e litúrgica da solenidade e convida os fieis a renovarem sua vocação de anunciar a salvação de Deus.

Inspirado pela pergunta presente no Evangelho de Lucas – “O que virá a ser este menino?” (Lc 1,66) – o cardeal recorda que São João Batista foi escolhido por Deus para uma missão singular: ser a voz que clama no deserto e anuncia a proximidade da salvação.

“João tinha a missão de preparar o coração das pessoas para a chegada do Messias e pregava um batismo de conversão”, afirma.

Segundo dom Orani, a celebração da Natividade de São João Batista ocupa um lugar especial no calendário da Igreja. Além de acontecer seis meses antes do Natal, em sintonia com o relato evangélico da visita de Maria a Isabel, a data revela a relevância do santo para a tradição cristã. João Batista é um dos poucos santos cujo nascimento e martírio são celebrados liturgicamente. Sua morte é recordada em 29 de agosto.

A solenidade também está no centro das festas juninas, ao lado de outros grandes santos celebrados no mês de junho, e marca simbolicamente a metade do ano. Para o cardeal, esse contexto popular e litúrgico é uma oportunidade para redescobrir o testemunho de João Batista e sua fidelidade à missão recebida de Deus.

Chamado, missão e fidelidade

Ao refletir sobre as leituras da solenidade, dom Orani ressalta que a vocação profética nasce sempre da iniciativa divina. Na primeira leitura, do livro do profeta Isaías (Is 49,1-6), ele identifica uma alusão à vida de João Batista e à experiência daqueles que são chamados e escolhidos por Deus para uma missão.

“Para ser profeta, não é da noite para o dia, mas tem que ser escolhido e ungido por Deus”, observa.

Na mesma linha, o cardeal recorda que o Salmo 138(139) é uma ação de graças pelo modo admirável com que Deus forma cada pessoa. A partir dele, convida os fieis a reconhecerem a presença amorosa de Deus na própria história e a responderem com generosidade ao dom da vida e ao chamado ao serviço.

Já na segunda leitura, dos Atos dos Apóstolos (At 13,22-26), dom Orani destaca o discurso de Paulo sobre a eleição de Davi e a continuidade da promessa divina até a vinda de Jesus. Nesse contexto, João Batista aparece como aquele que precede o Salvador, preparando os corações endurecidos para acolher o Messias.

O nascimento de João e a ação de Deus na história

Ao comentar o Evangelho da solenidade (Lc 1,57-66.80), o arcebispo do Rio de Janeiro recorda o nascimento de João Batista e a alegria de Zacarias e Isabel diante da misericórdia de Deus. O episódio da escolha do nome João, confirmado por Zacarias, marca também o momento em que sua língua se solta e ele volta a louvar a Deus.

Para dom Orani, a reação dos vizinhos e parentes diante daquele nascimento – expressa na pergunta “O que virá a ser este menino?” – revela o reconhecimento da ação de Deus na vida de João. O Evangelho mostra ainda que o menino crescia e se fortalecia em espírito, preparando-se no deserto até sua manifestação pública a Israel.

“Percebemos que de fato Deus chama João Batista e o elege para ser o precursor do Messias”, afirma o cardeal.

Para ele, a vida do santo continua sendo uma inspiração para a missão da Igreja, chamada a apresentar Jesus Cristo ao mundo e conduzir as pessoas ao encontro com a graça do batismo e da salvação.

Testemunho que interpela os cristãos de hoje

Ao concluir sua reflexão, dom Orani convida os fieis a assumirem, à luz do testemunho de São João Batista, a missão de anunciar Cristo e conduzir os que estão afastados de Deus ao caminho da fé.

“Que possamos apresentar Jesus Cristo para as pessoas e conduzir muitos dos que se encontram perdidos pelo caminho ao batismo de salvação”, escreve.

 

 

Clique (aqui) e leia o artigo do cardeal Orani na íntegra.

 

 

Por Larissa Carvalho

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