A importância da Palavra de Deus e a centralidade que ela deve assumir na vida dos batizados! 

Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

 

A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum convida-nos a tomar consciência da importância da Palavra de Deus e da centralidade que ela deve assumir na vida dos batizados. 

A primeira leitura – Is 55,10-11 – garante-nos que a Palavra de Deus é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. Ela dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. É sempre eficaz e produz sempre efeito, embora não atue sempre de acordo com os nossos interesses e critérios. Assim como a chuva garante o pão aos camponeses, a Palavra de Deus, quando acolhida, garante aos filhos e filhas de Deus o alimento da fé e a fidelidade ao projeto divino. A Palavra possui eficácia criadora. 

O Evangelho – Mt 13, 1-23 – propõe-nos, em primeiro lugar, uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e exorta-nos a ser uma “boa terra”, disponível para escutar as propostas de Jesus, para as acolher e para deixar que elas dêem abundantes frutos na nossa vida de cada dia. Garante-nos também que o “Reino” proposto por Jesus será uma realidade imparável, onde se manifestará em todo o seu esplendor e fecundidade a vida de Deus. A parábola revela a dificuldade dos pequenos produtores do tempo de Jesus de conseguir um terreno bom para produzir. Ela nos faz refletir: se o Reino de Deus já está entre nós e não avança, isso ocorre porque existem forças contrárias – pássaros, pedras e espinhos – que estorvam a vida do Reino. Assim como há vários terrenos, existem pessoas muito, pouco ou nada dispostas a acolher o projeto de Jesus. 

Nós somos convidados a semear a Palavra com perseverança. Jesus não poupa as sementes nem se preocupa com o tipo de terreno em que elas são lançadas. Ele tem consciência de que sua missão no mundo é convidar a todos, homens e mulheres, a colher no terreno do coração as sementes do Reino, as quais, se forem cultivadas, gerarão a salvação e libertação. 

A missão de Jesus está posta e Ele nos encoraja a segui-lo, como semeadores do Evangelho, seus discípulos, são sempre chamados a ser terra boa e fecunda que abria a semente da Palavra do Senhor e a faz crescer e produzir frutos, por meio do testemunho. 

A segunda leitura – Rm 8,18-23 – apresenta uma temática (a solidariedade entre o homem e o resto da criação) que, à primeira vista, não está relacionada com o tema deste domingo – a Palavra de Deus. Podemos, no entanto, dizer que a Palavra de Deus é que fornece os critérios para que o homem possa viver “segundo o Espírito” e para que ele possa construir o “novo céu e a nova terra” com que sonhamos. A existência humana está inserida num mundo marcado pelo sofrimento, enquanto não chega o dia da ressurreição gloriosa. Assim como os cristãos participam da glória dos filhos de Deus, a criação anseia pela libertação das agressões do ser humano. A humanidade é convidada a relacionar-se com a natureza segundo projeto inicial concebido pelo Criador. 

Com perseverança e paciência vamos semear a Palavra de Deus, sem esperar resultados imediatos, uma vez que a semente de uma planta, a Palavra tem seu tempo para se desenvolver no terreno do coração das pessoas que a acolhem. Neste mundo, infelizmente marcado pelo egoísmo e pela exclusão, não devemos desanimar de semear amor, justiça e a paz. A graça de Deus sempre produz frutos de bem para a humanidade! 

Jesus, o semeador da semente do Reino, não se cansa de semear. Assim como fez o Senhor, nós também somos chamados a semear o bem com confiança, sem jamais nos cansar. Dispostos a gerar, em nós e na comunidade eclesial, os frutos do Espírito, sejamos a boa semente da Palavra de Deus. 

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