Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Celebramos no dia 16 de julho a festa litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, muito conhecida por todos nós devido ao escapulário. Normalmente na missa de Nossa Senhora do Carmo são abençoados os escapulários e o padre, ou algum fiel faz a imposição do escapulário para quem não tem.
Conforme sabemos, Nossa Senhora recebe um título diferente dependendo do local e da circunstância de sua aparição, mas é a mesma mãe de Jesus. Nossa Senhora do Carmo recebe esse título devido ter aparecido no monte Carmelo em Israel para São Simão Stock em 1251 e lhe entregue um escapulário. Ela ainda pede que se propague a devoção a Virgem Maria e ao escapulário e que acreditasse alcançaria a salvação.
No dia de Nossa Senhora do Carmo seria importante se pudéssemos participar da Santa Missa, esse ano ocorre numa quinta-feira, quem sabe possamos receber o escapulário caso não tenhamos, ou se sabemos de alguém que não tenha, peçamos ao padre no fim da missa que abençoe o escapulário e entreguemos para quem não tem. Com certeza a proteção de Nossa Senhora e Jesus acompanharão quem receber, e do mesmo modo nós seremos abençoados.
O escapulário é um devocional e que cada fiel católico pode usar pedindo a proteção da Virgem Maria e de Jesus. Como sempre rezamos onde a Mãe está o Filho está presente, por isso, trazemos conosco a proteção dos dois diariamente. Dessa forma, conforme dissemos o escapulário “original” deve ter a imagem de Nossa Senhora do Carmo numa medalha e do Sagrado Coração de Jesus na outra, que foi o desejado por Nossa Senhora desde o começo. Não importa a idade, mas desde o nosso batismo até a data da nossa morte podemos usar o escapulário, é claro tomando cuidado com as crianças. É importante todo católico ter o escapulário consigo e todos os dias ter a benção e proteção de Nossa Senhora e de Jesus.
Quem ganha um escapulário ganha a benção e a proteção de Deus e de Nossa Senhora. Ganhar um escapulário significa que as bênçãos de Deus estão vindo sobre aquela pessoa que recebe. Temos que espalhar as bênçãos de Deus, fazemos isso distribuindo o escapulário. Por isso, presenteie alguém de sua família ou amigos que sejam católicos e que ainda não possuem o escapulário. Dessa forma, seremos missionários e espalharemos o amor de Deus à muitas pessoas. Ao receber o escapulário devemos aceitá-lo, pedir a benção de um padre e se possível pedir para ele impor, se ele não colocar, peça para um familiar impor, ou para a própria pessoa que lhe deu.
Nesse tempo que vivemos atualmente, onde aflorou as guerras, o ódio, violência e tantas coisas más, nós, do mesmo modo que Jesus podemos ir na “contra-mão” daquilo que a sociedade pensa, e pregar o amor, a justiça e a paz, e entregar o escapulário a alguém promoveremos a paz, e transmitindo o amor de Deus.
Nossa Senhora do Carmo é a padroeira da ordem do Carmo, que tem tanto a congregação feminina, como a masculina. São Monges e Monjas que optam por uma vida de clausura, ou seja, se retiram do “mundo externo” e intercedem pelo mundo através da oração. Os fiéis podem visitar os mosteiros e as monjas e os monges rezam pelos fiéis, como padrinhos e madrinhas de oração. Tem alguns monges que são ordenados padres e outros que não, mas todos fazem os votos perpétuos. As monjas trabalham e rezam ao longo do dia e acolhem a oração de todos.
Os primeiros carmelitas, em fim do século XII depois de Cristo, decidiram formar uma comunidade no monte Carmelo. O monte Carmelo é conhecido por sua beleza, o nome Carmelo significa: “Jardim”. Os primeiros monges eram cavaleiros cruzados, homens que cansados da violência e da injustiça e da briga para conquistar a Terra Santa, resolveram se refugiar e buscar uma vida de acordo com o evangelho.
Os primeiros monges foram atraídos ao monte Carmelo por fama e tradição do profeta Elias, que naquele monte subia para falar com Deus. Como podemos observar na Bíblia o monte é o local do encontro com Deus, desde Abraão, Moisés, Elias e tantos outros profetas subiam ao monte para falar com Deus. No Novo Testamento Jesus também sobe ao monte para falar com Deus e muitas vezes as pessoas subiam ao monte para ouvir a pregação de Jesus, como por exemplo no “Sermão da montanha” em Mateus, capítulo cinco.
Os monges fundaram ali uma capela e em torno dela construíram seus quartos ou “celas”, isso foi volta do ano de 1155. Começava a formar-se dessa forma o “mosteiro carmelita”, até chegar ao que temos hoje. Os monges dedicaram-se a uma vida de penitência e reparação por conta dos abusos dos cruzados. Exercitavam-se por meio da prática da oração e serviços manuais, que é o que as monjas e monges de hoje buscam viver. Os monges escolheram Elias como Pai espiritual e exemplo de vida monástica de oração e testemunho profético em meio a um mundo dominado pelas injustiças.
Os monges dedicaram a capelinha a Virgem Maria e sob a sua proteção, imitavam as virtudes de Nossa Senhora, sobretudo se conformando em fazer a vontade de Deus e a cada dia renovando o “Sim” ao projeto de Deus para a vida deles. Chamaram Maria de “Senhora do lugar”, renderam a Ela todo o serviço que faziam e a dedicação e doação dos primeiros carmelitas. Muitos peregrinos e cruzados começaram a visitá-los, costume que se segue até hoje, e começaram a chamá-los de “Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”.
Por volta do ano de 1209, os irmãos decidiram formalizar a sua vida pedindo uma regra de vida ao bispo Alberto, na época patriarca de Jerusalém. O bispo escreveu uma regra muito simples, com o passar do tempo, quando a congregação já estava na Europa, viajaram a Roma, com o intuito de apresentar ao Papa o pedido de aprovação da nova ordem.
No ano de 1226, o Papa Honório III concedeu aprovação à ordem. A partir da aprovação os irmãos viveram com o ideal se unirem continuamente ao Senhor, a todo o momento, e exemplo do profeta Elias, Pai espiritual da congregação e de sua mãe e protetora, a Virgem Maria, Mãe de Deus e do Carmelo. A congregação continua a viver esse ideal até aos dias de hoje, por isso, vivem enclausurados no mosteiro, pois se dedicam continuamente ao Senhor rezando pela humanidade inteira.
No ano de 1235 aconteceu uma perseguição dos Mouros contra os cristãos, e o grupo dos carmelitas acabou dividido em dois grupos, um permaneceu no Monte Carmelo, os monges foram massacrados e teve o mosteiro incendiado, o segundo grupo refugiou-se na Sicília, Itália e finalmente, na Inglaterra, no ano de 1238.
Na Inglaterra, começou um novo tempo para a congregação, passaram por algumas provas, como por exemplo, alguns rejeitavam a ordem. O Superior geral São Simão Stock, imitou os primeiros membros da congregação e se colocou em oração. Diz a tradição, que ano de 1251, no dia 16 de julho, São Simão Stock dirigiu um forte clamor a Virgem Maria e essa lhe entregou um escapulário. Ao entregar-lhe o escapulário, a Virgem diz a São Simão Stock: “Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e de amor eterno”.
Depois disso, São Simão Stock chamou todos os frades e explicou o que havia acontecido, acrescentaram o escapulário ao hábito. Depois criou-se escapulários “menores” para distribuir aos fiéis, logo a devoção espalhou-se entre o povo e os fiéis usavam em sinal de amor a Virgem Maria e símbolo de vida cristã em Deus. Isso permanece até os dias de hoje, por isso, a importância de irmos a Santa Missa nessa data dedicada à Nossa Senhora do Carmo e quem recebe abençoar e receber o nosso escapulário se ainda não o temos.
Como podemos observar o escapulário foi oferecido por Nossa Senhora a São Simão Stock e foi um desejo dela que todos da ordem carmelita usassem, e depois fosse passado a todos os fiéis. Por isso, se você ainda não possui o escapulário adquira ou peça que alguém lhe dê de presente e leve na Santa Missa para que seja abençoado e imposto pelo sacerdote.
