Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! No dia 26 de julho, recordamos os VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Com o coração agradecido, quero felicitá-los, manifestando a minha gratidão a Deus por todos os avós e os idosos presentes na nossa Diocese. Vocês são o testemunho vivo da nossa história, marcada pela fé, coragem e perseverança, mas também pela superação dos desafios enfrentados no desenvolvimento da nossa região. Hoje, a sociedade como um todo colhe os benefícios do vosso trabalho árduo, feito com dedicação, cansaço e empenho. Vocês testemunham no presente os valores da vida familiar, pois souberam, à luz do amor e da fé, constituir comunidades e trabalhar os conflitos por um ideal maior, em que estava presente a família, sua unidade e seus valores.
Mesmo com tantas mudanças que acabaram deteriorando os valores, que davam um norte e apontavam um horizonte para a sociedade, vocês nos enchem de esperança em relação ao futuro, porque nos transmitem a confiança de que os problemas e os conflitos fazem parte da vida, mas não são maiores do que a vida. Eles vêm e vão, mas a vida segue seu destino, e cada um de nós continua percorrendo seu caminho e escrevendo a sua história, criando laços afetivos através de sorrisos e abraços, na família e na comunidade.
Na sua mensagem para este dia, o nosso Papa Leão XIV recorda que, muitas vezes, os nossos queridos avós e idosos infelizmente podem ter a “dolorosa sensação de serem esquecidos, por aqueles que deveriam expressar gratidão por fazerem parte da história de suas vidas”. Mas “o amor de Deus, pelo contrário, não esquece ninguém, se oferece como um ato de justiça e uma resposta ao anonimato, no qual, com demasiada frequência, a vida humana acaba por perder-se. Sobre a existência de muitos idosos, em particular, parece estender-se um véu que esbate as feições dos rostos e relega ao esquecimento. É o que acontece nas casas onde reina a solidão, e também naqueles asilos onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzida ao número da sua cama ou à sua patologia”.
Portanto, “a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus. Que este dia seja, portanto, um estímulo para todos, em particular para os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita… Fazei com que as palavras do profeta Isaías “Eu nunca te esquecerei” (Is 49, 15), assumam a forma de um encontro terno e afetuoso”. “Numa época que tende a acelerar e a fragmentar, a carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida, por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas. A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade” (Magnifica humanitas, 239).
Na vida, sempre podemos aprender com os nossos avós e os idosos, mestres formados na escola do tempo, que guardam na memória a história da vida, da família e da comunidade.
