424 anos… e aí povo?

A cidade é uma construção coletiva, porém é regida por líderes conscientes que suscitam e envolvem outras lideranças na lida renhida de sua edificação. Cidade e cidadania são conquistas, na medida em que se criem condições de participação efetiva do povo.

Cidade e cidadania, simbiose e sinônimo de compromisso democrático participativo, pessoal e coletivo. Cidade e cidadania: processo interminável, feito de definições e de etapas em permanente aperfeiçoamento, nunca dado por acabado. O que o espírito representa para o corpo assim é a presença de cada cidadão em relação à sua cidade, como um dos seus construtores co-responsáveis.

Cada povo possui sua história, por vezes nobre e por outra nem sempre edificante. A história depende de lideranças. Precisamos de líderes que nascem para tentar responder a desafios comuns. A história enuncia a vocação de vários guias proféticos, enfrentando situações conflituosas, entremeadas de ameaças, inseguranças, riscos. Esses guias temporais foram também mentores espirituais, cultores de valores éticos.

Líderes históricos demonstram profunda mística vinculada às iniciativas materiais, técnicas, comprovadas com o desenvolvimento do povo. A história comporta progressos e retrocessos, registrando índices de apurada civilização e de cáustica barbárie. Temos urgente necessidade que os nossos líderes construtores da cidade e da cidadania se manifestem e conclamem outros líderes.

Estamos enojados de falsos líderes que privatizam o exercício dos cargos públicos, desmoralizam as instituições, provocam escândalos perdulários, desfalcam o erário. Impunes, invulneráveis, engessam o povo nos moldes do imobilismo histórico. Seus interesses são de caráter particular evidente. Não nos sentimos representados por muitos deles. Nossas demandas visam o desenvolvimento sustentável, a garantia da inclusão social com oportunidades justas para a coletividade, sobretudo os mais pobres.

Perdemos a capacidade de nos indignar e nos oferecer para participar das mudanças substanciais na Política e nos políticos. Muitos parecem guias cegos ou atávicos. Em vez de apresentar projetos de desenvolvimento e envolver a população na construção dos seus destinos, maquinam estratégias para garantir seus cargos visando próximas eleições.

A mediocridade de alguns se torna sina de uma população. Ao celebrar os 424 anos da Paraíba, novas lideranças deveriam convocar o povo para instruí-lo, capacitá-lo, exercitá-lo na construção da cidade e da concidadania. Se a Paraíba é o nosso destino, estamos à espera de um projeto estruturante.

Tags:

leia também