Sobre o gólgota, lugar do crânio, dos condenados à morte, a justiça definitivamente estava desmoralizada, calcada aos pés dos que, por inveja, deram cabo à vida de Jesus. Onde a vida foi exterminada, o amor de Deus se manifestou plenamente e superou a morte. O justo, execrado e morto, agora ressuscitado, vive para reunir os filhos do mesmo Pai, ao seu redor.
Quem não ama permanece na morte. Quem ama doa a vida. Os filhos de Deus se dispersaram, divididos pelo ódio. Jesus, um por todos os rompidos entre si, pelo seu gesto de doação, quebra as correntes da vingança, faz cessar a reprodução dos esquemas da violência. Seu gesto de aceitação da morte, solidário com todos os crucificados da história, desmonta o conflito armado, uns contra os outros como feras que se devoram.
O justo tomou sobre si as culpas de todos os pecadores e as pregou na cruz, para dali declarar libertos os condenados a pagar as consequências de seus crimes. “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”. O gesto do perdão equivale à reconciliação, superação do mal. A conversão é sinônimo de regeneração, deixando-se amar por aquele que por nós morreu e ressuscitou. Nesse dinamismo do amor manifestado pelo Pai ao seu Filho, retomamos novos caminhos.
Nunca se paga o mal com o mal. Não posso justificar a reprodução do mal botando culpa em Deus e no mundo por causa das estruturas perversas da sociedade. Não é lícito praticar um ato mau para dele se obter um bem, um benefício, assim como não é legítimo fazer justiça com as próprias mãos. A experiência da vida nos diz: um erro não justifica um outro, na intenção de vingança. A cadeia intermitente da vingança provoca maior violência, que deve ser superada a começar de dentro do nosso coração.
A vida é feita de encontro, de aceitação, de inclusão. Se você quiser seguir Jesus Cristo compreenda que o discipulado requer sacrifício, renúncia a si mesmo, tomando a cruz de suas responsabilidades e amando sem egoísmo. Foi isso que o Pai reservou a Jesus, seu Filho. Busquemos sempre mais em Cristo crucificado e ressuscitado a motivação para viver e servir.
