Jesus é o bom Pastor

Disse Jesus: “Eu sou o bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10,11-18). Desde o Antigo Testamento, o salmista nos acostumou a ver em Deus o bom pastor.

Nossas comunidades eclesiais cantam com grande ardor e confiança o salmo 23. O Novo Testamento vê no próprio Filho de Deus a imagem e o protótipo da solicitude de Deus pela sua criatura humana.

Jesus delineia as características do autêntico pastor e indica por qual sinal podemos reconhecê-lo: o bom pastor  dedica-se ao seu rebanho e tem a docilidade das ovelhas. Jesus não nos convida a renunciar às nossas responsabilidades mas requer confiança plena.

“Eu sou o bom pastor”, aquele que é chamado a sê-lo na igreja, como o Cristo, não pode pleitear nem  buscar o sucesso pessoal, como vaidade ou carreira profissional.

Cristo não é cabeça que agita as multidões. Ele propõe a cada um aquela intimidade única que une o Filho de Deus ao Pai. Ele não exalta a consciência do pequeno rebanho fiel que voluntariamente despreza as ovelhas doentes, ou não pensam nas que não pertencem ao pequeno rebanho. Jesus adverte: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste rebanho”.

Jesus mesmo indica o sinal para reconhecer o verdadeiro pastor: o que entrega a sua vida para salvar. Cristo revela a total liberdade do Filho que somente por amor se oferece à morte para vencê-la. A nós que muitas vezes sofremos nosso destino e pensamos nos esquivar com golpes de sorte, Jesus quer ensinar a compreender a nossa vida, a acolher as nossas pequenas mortes quotidianas e a nossa morte final.

Jesus é o bom pastor: somente ele, que não é mercenário, conhece as suas ovelhas, oferece a sua vida para arrebatá-las aos lobos que tentam raptá-las e dispersá-las. A preocupação do bom pastor não se limita às ovelhas que lhe estão vizinhas; há outras ovelhas, afastadas e dispersas, que ele também quer reunir para fazer um só rebanho com um só pastor (10, 16).

Porque ofereceu a sua vida por todos, o bom pastor é o único salvador e, no seu nome somente, nos é dada a esperança, ou melhor a certeza, da vitória sobre lobos rapaces e nos introduzirá exultante na páscoa eterna.

Com razão portanto podemos exclamar cheios de gratidão e de alegria: “Vede com que amor no-lo deu o Pai” (1 Jo  3,1-2). Não somente mandou o seu Filho para a nossa redenção, mas quis adotar-nos como filhos, para nos fazer participantes da glória do seu unigênito. Agora, portanto, somos realmente, pelo amor misericordioso de Deus, seus filhos, mesmo que “ainda não tenha se manifestado aquilo que seremos. Sabemos porém que no dia da manifestação do Senhor, o veremos como é, no esplendor de sua glória: a glória que sobre a terra ele escondeu na humilhação do servo  e que somente por poucos instantes revelou aos discípulos na transfiguração sobre o monte Tabor. Glória que hoje não nos é plenamente desvelada porque não a poderíamos sustentar.

Está de fato escrito: “olho não viu, nem ouvido ouviu, nem jamais entrou no coração do homem, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9). É preciso que Deus nos transforme, fazendo-nos verdadeiramente “semelhantes a ele”, para que possamos contemplar a realidade que o coração humano não pode nem mesmo intuir.

Este domingo dentro da Páscoa, marcado pela figura do Bom Pastor, é dedicado em todas as dioceses do mundo como dia especial de orações,  orientações e reflexões sobre as vocações sacerdotais. Foi o próprio Senhor Jesus que afirmou: “A messe é grande, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da Messe que envie operários para a sua messe”. Assim, as vocações que se apresentam cada ano são respostas de Deus às preces das famílias, das comunidades eclesiais e dos próprios vocacionados suplicando o chamamento de Deus. Somente nos dez anos que estou à frente da Arquidiocese de Salvador tive a graça de ordenar 54 novos sacerdotes, em cujas ordenações  recordo sempre que Deus está ouvindo nossas orações e peço que assim continuem.

O ministério sacerdotal é participação do Sacerdócio de Cristo, o Bom Pastor. Dada a escolha do próprio Cristo Jesus para demonstrar o seu amor e zelo pela sua missão, chamou a si mesmo de Pastor. Assim toda a ação da igreja é exercício do pastoreio.

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