Celebramos em novembro, no 34° domingo do Tempo Comum, a Solenidade de Cristo Rei no encerramento do ano litúrgico. É sempre um momento de fazer um balanço geral das atividades apostólicas vividas por nossas comunidades e, ao mesmo tempo, olhar o horizonte para as atividades futuras que são necessárias programar.
O nosso Plano de Pastoral Arquidiocesano levou dois anos de consultas e reflexão para ser elaborado e, com a participação de todos, serem escolhidas as linhas principais de ação de nossa Arquidiocese.
Como o Plano nasceu em sintonia com as preocupações da Igreja hoje, além da sua inculturação neste chão amazônico ele trouxe a resposta que em Aparecida os Bispos da América Latina também iriam anunciar para todos nós – a necessidade de evangelização: consciência da Missão permanente para todos os cristãos.
A insistência desse grande evento da América Latina, ocorrido no Santuário de Aparecida, para com as missões é uma bela inspiração para este momento histórico! É um grito que sobe do nosso povo que foi consultado sobre esses passos e que o Espírito Santo traduziu pela reflexão episcopal naqueles abençoados dias de maio de 2007.
A nossa Conferência Episcopal já elaborou um texto para responder a esse apelo missionário e também insiste sempre em suas declarações para que o tema “missão” não seja apenas objeto de estudos, mas seja, principalmente, ocasião de fazer acontecer o trabalho que Jesus Cristo deixou para a sua Igreja: ide e anunciai o Evangelho a toda criatura! E sabemos que além daquilo que fazemos como valores cristãos nos trabalhos e lutas de cada dia, se o Evangelho, a vida e a missão de Jesus Cristo não forem anunciados explicitamente, não acontecerá a evangelização que penetra na cultura dos povos.
Aqui em nossa Arquidiocese essa resposta veio pelo projeto “Belém em missão” que, além de resgatar a missionariedade que deve sempre nos acompanhar pela vida, quer também ajudar-nos a estarmos preparados para as comemorações dos 400 anos da chegada do Evangelho aqui em nossas terras com a fundação da nossa capital: Santa Maria de Belém do Grão Pará.
O Evangelho, que começou a forjar os corações cristãos, trouxe muitos valores para o diálogo entre as culturas que começou a existir, e foi moldando a nossa vida.
Passado esse tempo, vemos que existe outra mudança radical em nossa cultura, principalmente nestes últimos 50 anos. Isso foi muito bem detectado no Documento de Aparecida. Pouco a pouco as transformações que ora ocorrem nos fazem perder valores importantes para nossas vidas e para a sociedade. É um momento difícil porque nem sempre conseguimos discernir os acontecimentos no olho do furacão que nos envolve nisso, que foi chamado de nosso complicado tempo!
A Palavra de Deus, tema do Sínodo dos Bispos, recém concluído em Roma, tem sido a nossa luz em meio às escuridões de nossa realidade e, conduzidos pelo Espírito Santo, saberemos também contribuir para a caminhada do nosso povo para que, aproveitando o desenvolvimento nas várias áreas do conhecimento humano, não nos esqueçamos de sua dimensão transcendental com seus valores e suas conseqüências.
Isso não é para retroceder e nem atrapalhar avanços, e sim para irmos adiante ajudando com a nossa vida, comportamento e pensamento a que o nosso mundo caminhe para melhor. Vemos quais são as conseqüências dos caminhos que hoje percorremos com relação à violência, insegurança, desesperança. Assim como na Amazônia lutamos por um desenvolvimento sustentável, na vida humana, a Igreja, perita em humanidade, luta para que o caminhar da humanidade seja sempre mais próspero, sem perder seus valores fundamentais.
Ao chegar ao final do Ano litúrgico um bom balanço é essa pergunta sobre se os passos dados nos levaram a uma vida melhor ou não. Isso não só para a Igreja, mas para todos os habitantes do planeta.
Eu creio que enquanto ainda conseguimos pensar com certa isenção, podemos ter esperança de mudanças positivas em nossa caminhada pelas estradas do mundo.
