Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)
Carinhoso epíteto, assim o chamavam: Padrinho Vigário. Foi Pároco zeloso de Santa Rita de Jacutinga, bucólica cidade que se estende como um tapete de cores pelas colinas verdejantes da serra da Mantiqueira, na região em que, pelas águas turvas do rio Preto, fazem divisa os Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Ali viveu por quase 60 anos, o Monsenhor Marciano Bernardes da Fonseca, como Vigário da Freguesia, provisionado por Dom Antônio Correa de Sá e Benevides, então Bispo de Mariana.
Sobre um singelo animal de sela, fez entrada como padre jovem, sem nenhuma solenidade, no campo sagrado de sua missão a 23 de julho de 1887 e aí permaneceu até 23 de junho de 1946, quando rezou definitivamente seu Nunc dimitis Domine, entregando sua alma a Deus e seu corpo ao chão da Matriz local.
Por causa de sua vida exemplar de moral ilibada, de pobreza evangélica, de caridade extraordinária, de trabalhos apostólicos incansáveis, de obras pias, de uma vida de piedade contagiante, de fervor litúrgico, de atuação como líder de progresso social foi sendo, já em vida, reconhecido como um verdadeiro santo, cuja fama vem crescendo, post mortem, entre os santaritenses e demais povos da região.
Nos esplendores da sua caridade não há quem se esqueça, mesmo depois de seis décadas de seu passamento, da evangélica acolhida de um leproso em sua residência paroquial, vendo a pobre criatura rejeitada por todos, pelo medo de contágio. Não há quem consinta em não se lembrar do gesto de genuíno amor ao próximo sofredor, quando, certa noite, depois de ter acudido a um moribundo na zona rural, na viagem de volta sobre o lombo de seu burro, despiu-se de suas vestes para cobrir um mendigo que tiritava de frio à beira da estrada, tendo o padre que chegar em casa coberto apenas com sua batina surrada.
Como pároco zeloso fundou a Irmandade da Santa Casa, construiu o hospital, edificou o Santuário de Nossa Senhora do Monte Calvário, entre tantas outras obras que levantou ao louvor de Deus e à caridade dos pobres. Para isto empregou até mesmo recursos próprios sem nada reter de material para si.
Por dirigir santa e eficientemente a paróquia durante tanto tempo, merece o título de Pároco Admirável, Homem Santo de Deus.
Após analisar criteriosamente sua vida e sua memória, tenho a grata satisfação de determinar a abertura do processo de beatificação deste exemplar sacerdote, que, sendo reconhecido pelas instâncias competentes da Sé Apostólica, contribuirá para o bem da Igreja e para a santificação do clero.
