Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
Neste sábado, 10/09, comemora-se o dia mundial de prevenção ao suicídio que, no Brasil, é conhecido por iniciativa da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e CFM (Conselho Federal de Medicina) como “campanha do setembro amarelo”. O objetivo desta mobilização é despertar a consciência das pessoas, famílias e instituições, para não silenciar e bloquear a reflexão sobre o desafio do suicídio, mas trazê-lo à tona para ajudar as pessoas a vencerem e superarem as causas e situações que levam a pensar no suicídio ou a cometê-lo.
É um problema de saúde que envolvia, em 2014, 700.000 mortes por ano no mundo inteiro, atualmente pode-se pensar em 1 milhão, no Brasil 14.000 mortes anuais, sendo a quarta causa mortis entre os jovens de 15 a 29 anos (uma das mais altas do mundo), sendo que neste país 38 pessoas por dia se suicidam.
A pandemia, certamente aumentou os quadros de depressão, ansiedade, bullying, born out, e o luto pelas perdas de vidas de familiares, amigos, gerando um clima que pode envolver a perda de horizontes e sentido da vida. A nossa parte é ficarmos atentos, com empatia e percepção aguçada para falas, autofechamento, desânimo e a perda de desejos e interesses para com a vida, que podemos observar em pessoas próximas e, com cordialidade, encaminhar para serviços profissionais de acompanhamento.
Desde a perspectiva espiritual e pastoral, a escuta amorosa e a acolhida profunda, seja pelos ministros ou em grupos de partilha e apoio, com a ajuda da Palavra de Deus, que suscita esperança e restaura. Também não esquecer de cuidar dos cuidadores que, muitas vezes, prestam auxílio e suporte, mas não têm, muitas vezes, o amparo e a compreensão de seus coirmãos e responsáveis.
Todos os recursos têm a sua validade adaptada a cada situação pessoal, lembrando-nos que a pandemia nos fez descobrir que somos frágeis, vulneráveis e inacabados, por isso, precisamos do cuidado integral, da solicitude de irmãos e familiares que, no momento da fossa e perda do desejo de viver, nos segurem pela mão e nunca desistam de nós.
Voltar, finalmente, nosso olhar e confiança a Jesus, o Sagrado Coração, que, na fornalha ardente da sua caridade e misericórdia, nunca se cansa de dizer-nos: “Vinde a mim vós que estais cansados, e repousai”. A Igreja é Mãe e um hospital de campanha sempre disposta a curar e lavar as feridas, consolar e esperançar aos fatigados e cansados, aos aflitos e desesperados. Deus seja louvado!
