Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
Ao celebrarmos a 373ª Festa do Santíssimo Salvador, percebemos com a luz da fé como o adorável padroeiro foi a matriz inspiradora e a alma espiritual da cidade de Campos.
Desde a primeira missa celebrada pelo monge Fernando de Mont Serrat a 373 anos atrás, passando pelas lutas heróicas de Benta Pereira e sua filha Mariana, contemplando os rostos de José do Patrocínio e Nilo Peçanha, destacados campistas na luta abolicionista e da educação pelo trabalho, passando pelo médico humanitarista Custódio que deu seu nome a Custodópolis, e uma plejáde de homens públicos, lideranças e trabalhadores sem esquecer os homens e mulheres simples do nosso povo, nossa história é banhada pela luz do Salvador.
Ele nos forja nas travessias e mudanças pascais que nos fazem superar as dificuldades e as barreiras da injustiça, da opressão e do preconceito.
Nossa cidade cresceu não só em população sendo um dos maiores municípios, mas em consciência cívica e cidadã, alinhando como dizia Walt Withman a nobreza de espírito com a generosidade e a hospitalidade que tornam a convivência social amável e equitativa.
É verdade que há ainda muitos entraves, uma só mulher na câmara de vereadores, aumento da violência doméstica, crescimento da população de rua sem horizontes e sem eira nem beira, saúde que mostra paradoxalmente estruturas modernas e falta de médicos, no atendimento básico.
Mas tudo isto que também constitui o via Crucis de muitas cidades do Brasil, será sem dúvida resolvido com mais união e participação o que foi sempre um atributo dos campistas.
É momento de erguer nosso olhar e visão, perceber que somos levados e conduzidos em ombros de gigantes que nos antecederam e sempre impulsionados e inspirados pela presença serena e terna de nosso querido padroeiro. Lembrar como dizia Santo Agostinho das duas filhas da esperança: a indignação contra todo mal que nos escravize e coragem para alcançar o destino e as bençãos prometidas pelo Santíssimo Salvador. Deus seja louvado!
