Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)
Jesus Cristo, ao nascer, foi apresentado como luz, que brilhou em meio à escuridão da história. Ele é fruto do cumprimento daquilo que tinha sido profetizado no Antigo Testamento. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1). Todos os males, as guerras, o desrespeito aos direitos internacionais, são trevas, porque escondem o brilho da luz e provocam todo tipo de destruição.
Há um cenário de trevas rondando o mundo. Não estamos diante de apenas narrativas, mas de atos concretos de destruição, de atitudes desoladoras e causadoras de medo. A luz da fraternidade e do respeito, proclamada por Cristo, tem ficado no esquecimento. Por isso, reina o autoritarismo ditatorial e o domínio indiscriminado sobre outros em busca de interesses econômicos e de poder.
A tradição mostra a derrocada dos grandes impérios, porque eles não se sustentam por muito tempo. Existe uma vulnerabilidade e limites no poder da ação humana. Normalmente, fica a instituição e passam os seus gestores, correndo até o perigo da descontinuidade e falência. Sem Deus, tudo passa e cai no vazio da existência. Aliás, “Deus abate os orgulhosos e eleva os humildes” (Tg 4,6).
As divisões geram contendas e polarizações na população. Dessa realidade vem todo tipo de ataques e afrontas à dignidade do outro, chegando à medição de força de poder, como tem acontecido nos cenários de guerras, pelo mundo afora. Não é este o propósito do ensinamento de Jesus, porque ele não descarta a prática do amor, de valorização dos direitos e da identidade das criaturas.
A vida do ser humano, no contexto da cultura moderna, tem perdido seu brilho, sua estabilidade e serenidade. São muitas tensões e insegurança causadores de medo generalizado, principalmente para quem tem sua confiança em Deus fragilizada. Só Deus é capaz de dar segurança e esperança para a existência. O importante é caminhar na luz de Cristo, um coração que tenha a presença divina.
As sombras de morte têm que ser iluminas pela luz, que vem de Cristo. Supõe um processo de conversão, de percepção da beleza da vida, em sintonia com a vida de Deus. Sem consciência clara sobre isto, nunca estaremos livres das amarraras e com vida feliz. É necessário deixar muita coisa e seguir o Evangelho: “Eles, de imediato, deixaram a barca e o pai, e seguiram a Jesus” (Mt 4,22).
