Grupo de Análise de Conjuntura da CNBB reúne-se em Brasília e define metodologia e prioridades para 2026

O Grupo de Análise de Conjuntura da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esteve reunido na sede da Conferência, em Brasília (DF), nos dias 26 e 27 de janeiro, para definir metodologia, temas prioritários e o cronograma de atividades para o ano de 2026.

O Grupo é composto por representantes do mundo acadêmico, peritos convidados e integrantes de organismos ligados à CNBB. A partir da soma de saberes de áreas como economia, sociologia, direito, política, cultura e teologia, o grupo tem como missão oferecer, de forma sistemática e periódica, análises de conjuntura ao episcopado brasileiro. O objetivo é contribuir para que a ação evangelizadora da Igreja no Brasil aconteça de maneira encarnada na realidade, levando em conta os grandes desafios do tempo presente.

A iniciativa também busca colaborar com outras forças eclesiais e sociais para a construção de um novo tecido social, marcado pela justiça, fraternidade e solidariedade, com especial atenção ao cuidado com a Casa Comum.

Palavra do presidente da CNBB

Mesmo cumprindo agenda em Roma, o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, participou de forma on-line de um momento da reunião e dirigiu uma palavra de encorajamento aos membros do Grupo. Na ocasião, ele contextualizou os encontros da Presidência da CNBB com o Santo Padre e com organismos da Santa Sé, que acontecem desde o dia 19, em Roma, destacando a importância de uma leitura qualificada da realidade brasileira no cenário internacional.

Dom Jaime ressaltou a relevância do trabalho desenvolvido pelo Grupo e elogiou o crescimento da qualidade das análises nos últimos anos. Segundo ele, trata-se de um material “extraordinário”, que presta um serviço fundamental à missão evangelizadora da Igreja. O cardeal também destacou que a atenção às questões sociais, políticas e econômicas faz parte da responsabilidade cristã e pastoral, especialmente daqueles que exercem ministérios de liderança na Igreja.

“Não é algo que desenvolvemos para nós mesmos, mas em favor do nosso povo, para que a Igreja, em sua missão evangelizadora, possa desenvolver com mais propriedade a própria tarefa”, afirmou.

Cenário internacional e ano eleitoral

Atendendo a pedidos do Grupo, dom Jaime também ofereceu orientações para a elaboração das próximas análises, com atenção especial ao cenário internacional e ao contexto eleitoral. Entre os pontos destacados, ele mencionou a centralidade da Doutrina Social da Igreja, a crise das democracias em diferentes partes do mundo e o enfraquecimento de instâncias internacionais de mediação criadas no pós-guerra.

No contexto brasileiro, o presidente da CNBB expressou o desejo de que o Grupo ajude a compreender com maior profundidade o que está realmente em jogo, tanto no âmbito internacional quanto em suas repercussões na realidade nacional. Dom Jaime também recordou a repercussão positiva da mensagem da CNBB ao povo brasileiro no final de 2025, construída a partir das análises de conjuntura, e sugeriu que iniciativas semelhantes continuem sendo oferecidas à sociedade.

Organização do trabalho do Grupo

O assessor de Relações Institucionais e Governamentais da CNBB, frei Jorge Luiz Soares, explicou que o Grupo de Análise de Conjuntura é formado por especialistas de diversas regiões do país, com forte presença de representantes das Pontifícias Universidades Católicas (PUCs), além de técnicos e acadêmicos de diferentes áreas.

Segundo ele, as análises produzidas não são posicionamentos oficiais da CNBB, mas contribuições qualificadas oferecidas ao episcopado para auxiliar na compreensão da realidade sociopolítica, geopolítica e cultural que impacta a vida pastoral da Igreja no Brasil. Frei Jorge destacou ainda que, ao longo do ano, as análises são apresentadas em reuniões do Conselho Permanente, do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) e na Assembleia Geral da CNBB, sendo este encontro anual presencial um momento estratégico para planejamento e alinhamento metodológico.

Análise técnica, pastoral e evangélica

O coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura, dom Francisco Lima Soares, enfatizou que o trabalho do grupo se baseia no rigor científico e na objetividade. Formado por especialistas com sólida formação acadêmica em áreas como economia, sociologia, direito, filosofia e antropologia, o grupo não atua a partir de militâncias ou tendências ideológicas, mas a partir dos dados e análises oferecidos pelas ciências.

Para 2026, estão previstos oito documentos, salvo eventuais mudanças significativas na conjuntura. Segundo dom Francisco, o trabalho busca oferecer ao episcopado e ao povo de Deus subsídios relevantes para a leitura da realidade, especialmente em um ano marcado por eleições e por desafios no cenário político nacional e internacional.

Entre os eixos que nortearão as análises estão a metodologia utilizada pelo grupo, o cenário mundial, a realidade da América Latina e do Caribe, a conjuntura brasileira e suas especificidades regionais. O bispo destacou ainda que o Grupo procura responder a demandas apresentadas pelo próprio episcopado e por diferentes pastorais e comissões da CNBB.

“Além de analisar, o grupo tem um papel importante de oferecer orientação neste período, ajudando a ampliar a compreensão da realidade e contribuindo para o discernimento pastoral da Igreja no Brasil”, concluiu dom Francisco Lima Soares.

 

Por Larissa Carvalho | Fotos: Fiama Tonhá

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