Homilia Missa de Acolhida

Dom Benedito Araujo
Diocese de Campo Maior (PI) 

 

II Dom. comum A – IS 49, 3.5-6; Sl 39(40); Icor 1,1-3; Jo 1, 14a.12ª
“Eis que Venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!” (Sl 39(40)

É assim que a Palavra de Deus cai no chão de nossas vidas, neste II domingo do tempo comum, Palavra que penetra nosso chão vocacional convidando-nos a mergulharmos na vida do Mestre Jesus de Nazaré, conhecê-Lo e seguir seus passos. 

Ao longo da história, a revelação de João que Cristo é o cordeiro de Deus que redime e provoca reconciliação, resulta em convite insistente a todos nós! 

É preciso voltarmos a Jesus, renovando à aliança de amor, aliança salvífica de amor, aliança salvífica para com todos, porque Ele morreu na cruz amando e perdoando a todos.   

Caríssimos irmãos e irmãs, como é do vosso conhecimento, escolhi meu lema episcopal ancorado no profeta Isaías: “alarga o espaço da tua tenda” (Cf. Is 54,2).  

Armei e alarguei a tenda ao longo de 14 anos na Diocese de Guajará – Mirim, fronteira com a Bolívia, coração da Amazonia. 

Partilho convosco um simples parágrafo da carta que escrevi para o Papa Leão XIV no dia 15/10/2025. 

“Santidade, …tenho a satisfação de acolher vossa confiança transferindo-me para a Diocese de Campo Maior – PI. Quão benéfica será esta frente missionária que abraçarei com dedicação e zelo a serviço do Divino Mestre e da sua Igreja”. 

Querido povo de Deus, é com este sentimento e proposito que hoje, vim armar e alargar a minha tenda junto de todos vocês, nesta terra dos carnaubais.   

Iniciando este novo ano, é impossível esquecer a magnifica experiência do jubileu da Esperança, que embalou também as transferências, vacâncias, mobilizações e outros na riquíssima agenda de cada Igreja particular, diante da responsabilidade pastoral e da pertença eclesial que nos fez crescer ainda mais como peregrinos da e na esperança que não decepciona. 

Podemos dizer que como peregrinos da esperança, aqui chegamos vindos de todos os cantos! 

Quão próximo estamos, graças ao incansável trabalho da Pastoral da Comunicação que nos coloca em sintonia direta com aqueles que nos acompanham pelas redes sociais, pela Rádio Educadora da Diocese de Guajará – Mirim 88.7 FM – a Rádio da família, e de modo muito especial pela transmissão da Rede Vida de televisão. Nossa saudação e gratidão a todos. 

Agradeço a companhia fraterna de Dom Antônio Fontinele – Representando os bispos do Regional Noroeste, assim como os padres da Diocese de Guajará – Mirim, que me acompanharam até aqui: Pe. Manuel Souza – Vigário geral, Pe. Reginaldo Alves – Coordenador de Pastoral e Pe. Gustavo Orlandim – Animador vocacional.  

Caro irmão Dom Juarez, você é filho desta diocese (Barras e Cabeceiras), lembrei que nós somos frutos do ENSENE – Encontro dos Seminaristas do Nordeste. Assim como outros aqui presentes… 

Agora, como Arcebispo da Arquidiocese de Teresina e Presidente deste núcleo da CNBB – Regional NE IV, manifesto a minha alegria por me sentir tão bem acolhido por você, por este colégio episcopal.  

Me encontro no meio de tantos amigos de caminhada!  

A todos, manifesto grande apreço e consideração! 

Pe. Gilcimar de Lima – Administrador Diocesano neste tempo de vacância, Pe. Paulo Sergio – Representante do clero da Diocese de Campo Maior, Pe. Duarte – nosso decano; saibam que foi muito consoladora a vossa visita de três dias em Guajará – Mirim. 

De Porto velho para a sede em Guajará-mirim, 340Km; de Guajará para o sul da Diocese onde temos 4 paroquias 1340km.  

Eu percebi os senhores boquiabertos com as distancias da Amazonia.  

Agradeço à calorosa acolhida deste presbitério, dos religiosos/as, das lideranças, do povo de Deus, seminaristas, das autoridades, instituições aqui representadas, irmãos e irmãos de outras Igrejas e denominações, enfim de todos e todas desta grande família diocesana nesta jurisdição eclesial de Campo Maior. 

Ter conosco O Cardeal Dom Leonardo Steeiner – “nosso cardeal da Amazonia”, como assim carinhosamente o chamamos, acompanhado de Dom Zenildo seu auxiliar e vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazonia (CEAMA), revela nossa comunhão missionária; afinal somos aprendizes de que “Cristo aponta para a Amazonia” como nos ensinou  São Paulo VI no belíssimo Documento de Santarém (1975).  

Além da Arquidiocese de Manaus como Igreja Irmã, temos Dom Vital Chitolina da Diocese de Diamantino; vossa presença, revela sobretudo a importância e prioridade do projeto Igrejas – Irmãs, como “ferramenta privilegiada de consciência da missionariedade de todos os sujeitos da evangelização” (Cf. Estudos da CNBB/117 n. 39). 

Agradeço a amizade e carinho dos bispos, padres, amigos/as vindos de diversas dioceses do Maranhão, Piauí, outros estados e de modo muito especial a Arquidiocese de São Luís. 

Diferente da acolhida em Guajará – Mirim em 2011, desta vez minha família estar “em peso” como diz a linguagem popular, juntamente com tantos conhecidos, pessoas que tive a graça de conviver na alegria do bem servir. 

A beleza e envolvimento de todos para este momento celebrativo nos coloca no coração do jubileu desta Diocese que em junho próximo celebrará seus 50 anos de elevação.  

Reconhecemos e agradecemos ao bom Deus, sob a intercessão de Santo Antônio e demais padroeiros, o legado pastoral dos bispos predecessores:  

Dom Abel Alonso Nunez 

Dom Eduardo Zielski 

Dom Francisco de Assis – que recentemente teve a graça de ordenar 4 diáconos transitórios para esta Diocese. Recebi sua mensagem como conforto e encorajamento para prosseguir no discipulado.    

Na perpetuação deste legado, esse caminho, nós faremos juntos!  

Os frutos deste caminhar, passam pela nossa nobre responsabilidade pastoral enquanto família diocesana.  

Para isso, tenho presente o pensamento do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 1 de janeiro 2020. Ele escreveu: 

“Há muitos homens e mulheres, crianças e idosos, ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade – incluindo a liberdade religiosa -, a solidariedade comunitária, a esperança no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, se não mesmo os traumas resultantes da opressão sistemática contra seu povo e os seus entes queridos”. 

Na mesma carta, nosso saudoso Papa Francisco abre os nossos olhos, alargando nossa opção diante da consagração de nossas vidas dizendo:  

“o mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusão e manipulação”. 

E conclui: “Somente escolhendo a senda do respeito é que será possível romper a espiral da vingança e empreender o caminho da esperança”.     

Amado povo de Deus, passados justamente 5 anos, dia 01 de janeiro de 2026 o papa Leão XIV nos apresenta as digitais do compromisso da fé cristã, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz com o título: “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”.  

Ouso concluir, parafraseando a mensagem do papa, pois acredito firmemente que precisamos cada dia da vida e da missão batismal na diversidade de vocações e ministérios e serviços, experimentar, guardar e cultivar: a paz, o diálogo, a sinodalidade, a escuta, o respeito, a missão, a responsabilidade pastoral e a ministerialidade para além das fronteiras.  

Se não nos tornarmos sentinelas do verdadeiro compromisso cristão, a agressividade e a falta de respeito se espalham na vida doméstica, na vida pública, e o pior de tudo na vida da Igreja e em todas as relações. 

Abramos o coração, para dizer ao Senhor: 

Aqui estamos para fazer a tua vontade! 

Que ele nos conceda a graça de bem servi-Lo. 

 

 

 

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