Dom Benedito Araújo
Bispo de Campo Maior (PI)
Homilia
Ação de Graças pelos 14 anos de Ministério Episcopal de Dom Benedito Araujo – Diocese de Guajará – Mirim
11 de Janeiro de 2026
(Is 42,1-4.6-7; Sl28(29); Mt 3,13-17; 10,34-38)
Queridos irmãos irmãs, além de nós reunidos nesta Igreja Catedral dedicada à Nossa Senhora do seringueiro; graças à PASCOM, são muitos os que partilham e celebram conosco através das redes sociais e do alcance da nossa querida Rádio Educadora e da Rádio FM Cidade.
Hoje, domingo da Festa do Batismo do Senhor, concluímos o tempo do Natal. Com essa festa, acontece a proclamação pública de que Jesus é “o filho amado do Pai” (cf. V.17b), conforme ouvimos no Evangelho de Mateus.
Este domingo do Batismo do Senhor nos recorda o Sacramento do Batismo que nós recebemos como graça e acima de tudo, nos impele e fortalece no compromisso para com esse dom de Deus em nossas vidas.
Poderíamos continuar nos deleitando em toda a liturgia da Palavra, passando por Isaías, o próprio Salmo e o Ato dos Apóstolos para recordar a unção batismal que recebemos e a beleza no seguimento aquele que consagramos nossas vidas. Porém, optei partilhar convosco esse tempo de aprendizado, louvor e gratidão pelos 14 anos de missão junto de todo(as).
Quanta gratidão pela vossa presença, pela vossa companhia.
Penso no esforço que todos fizeram para chegarem até aqui.
Os bispos do Regional Noroeste aqui presentes: Dom Roque – Arquidiocese de Porto Velho; Dom Joaquim – Rio Branco; Dom Norbert – Ji- Paraná; Dom Santiago – Lábrea; Dom Flávio – Cruzeiro do Sul; Dom Fontinele – Bispo de Humaitá não pode estar conosco hoje, mas já confirmou presença em Campo Maior, acolhemos carinhosamente Mons. Eugênio Cotter – Vicariato de Pando-Bolívia.
Saudação fraternal às autoridades e instituições aqui representadas.
Gratidão aos padres, diáconos, religiosos, religiosas, irmãos e irmãs vindos das paróquias de São Francisco em São Francisco de Guaporé-RO, São Francisco em Nova Mamoré-RO, Nossa Senhora de Fátima em Nova Dimensão-RO, o que vieram de Surpresa, parentes de diversas etnias e comunidade boliviana.
Este ambiente de acolhida e liturgia de Ação de Graças revela nossa irmandade, amizade e reflete num simples parágrafo da carta que escrevi para o Papa Leão XIV, quando fui comunicado da minha transferência para nova sede episcopal – Campo Maior-PI. Assim escrevi:
15 de outubro de 2025
“Santidade,
Após o saudoso Papa Bento XVI ter me nomeado bispo coadjutor para a Diocese de Guajará-Mirim – Rondônia–Brasil; na alegria do bem servir, já são 14 anos de muita dedicação frente aos desafios missionários desta jurisdição territorial diocesana no coração da Amazônia; lugar onde vivenciei a consagração de minha vida e em tudo ressoa o aprendizado o louvor e a gratidão”.
Queridos irmãos e irmãs, acredito que esses três pilares: aprendizado louvor e gratidão, sustentaram o alargar do espaço da tenda que armei junto de todos vocês; como reza meu lema episcopal: “Alarga o espaço da tua tenda” (Is 54,2).
Nas minhas curiosidades como seminarista no seminário Anto Antônio em São Luís -MA sempre me chamou atenção o que disse o Papa São Paulo VI: “Cristo aponta para a Amazônia” – Encontro de Santarém – 19975.
Eu nunca pensei que esse apontar para a Amazônia provocaria uma reviravolta na minha vida vocacional.
Não posso negar que cresci num chão vocacional regado pelo testemunho comprometedor na paixão pela vida e pela Amazônia. Cresci e vivi os impactos dos testemunhos da opção clara diante das consequências do optar por Deus e pela defesa da vida e da justiça.
O chão vocacional da nossa geração acompanhou entre tantos: o assassinato de Ir. Creuza em Lábrea, de Chico Mendes no Acre, de Pe. Ezequiel Ramin em Ji Paraná, o massacre de El Dorado no Pará, o massacre de Corumbiara, e de tantas vidas ceifadas porque defendiam vidas.
Eu nunca pensei nas surpresas de Deus em meu itinerário vocacional sendo enviado e pisando estes territórios, testemunhando o ontem e o hoje de cada ação missionária.
Queridos irmãos bispos, foi aqui neste chão que entendi concretamente as alegrias e angústias de Dom Geraldo Verdier – saudosa memória – como testemunha fiel da “Paixão pela Amazônia”. Recordo sua homilia por ocasião da minha sagração episcopal onde ele destacava a jurisdição territorial da Diocese de Guajará-Mirim como região fronteiriça e desafiadora; principalmente por causa da fragilidade e inoperância no enfrentamento dos violadores da lei e promotores das injustiças.
Nestes poucos anos, cheguei e vivi o fascínio diante das florestas, rios, biomas, seus povos, mas também mudanças bruscas e preocupantes, e pior, às vezes sem limites até mesmo com o arregaçamento da lei.
Nas atividades pastorais que realizei junto de vós, eu sempre disse aos padres: “eu cumpro a agenda que foi preparada, mas proponho conhecer, visitar, conviver com as comunidades mais distantes e menos visitadas.”
Com este propósito tive a graça de conhecer o volume das lideranças, pastorais, movimentos, serviços, comunidades, grupos, conselhos econômicos, conselhos pastorais, o serviço laical que faz o coração da Igreja viva. Esse foi sempre o meu desejo a minha intenção: conhecê-los, estar próximo.
Chegando aqui, conheci a experiência marcante do Projeto Igrejas–Irmãs, assumindo pelas arqui/dioceses: Apucarana, São José do Rio Preto, Luz, Bom Jesus do Gurguéia, Passo Fundo, hoje somente a Arquidiocese de São Luís e Maringá.
Outro aprendizado para mim, foi a experiência junto da vida religiosa masculina e feminina, inúmeras congregações. Vosso trabalho, vossos conselhos/governos me fizeram experimentar a força missionária dos carismas no coração da Amazônia.
Considerando as diversas obras sociais encampadas pela Diocese, agradeço à atenção dos benfeitores da comunidade francesa diante da nobre responsabilidade da carta da Amazônia – Lettre d’Amazonie.
São eles os salvaguardas da sustentação das obras sociais junto de tantos outros parceiros: as paróquias, municípios e outras instituições.
Minha estima gratidão aos nossos colaboradores(as) da família diocesana: administradores, chancelaria, secretariado pastoral e paroquial…
Já falei demais, abusei de vossa paciência. Quero concluir falando do coração dos padres e diáconos, seminaristas desta querida Diocese de Guajará-Mirim, Pe. Gessivan da Arquidiocese de Maringá me disse: “A Diocese de Guajará-Mirim apresenta todas as experiências possíveis para um discernimento vocacional”.
Posso dizer, queridos padres quer sou testemunha viva desta fala do Pe. Gessivan. E agradeço os trabalhos e sonhos que realizamos juntos, o silêncio educativo de esperança e superação diante das dificuldades que juntos vivenciamos, principalmente pela acolhida neste presbitério, mas também pela dor, pela Páscoa prematura de alguns padres.
Peço-lhes perdão se não testemunhei a fraternidade presbiteral desejada por vós.
O altar de Deus, o meu cantinho de oração será sempre o nosso contínuo ponto de encontro.
Coragem e paciência, o Senhor nos guia para bem servi-lo.
