Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Caríssimos, a paz do Senhor ressuscitado esteja com todos vocês! É com o coração repleto da alegria pascal, tempo em que celebramos o Cristo que venceu a morte e nos enviou o Seu Espírito, que me alegro em partilhar um momento de singular importância para a vida e a missão da nossa Igreja. Na próxima semana, entre os dias 15 e 24 de abril, nós, os pastores do rebanho do Senhor em nossas terras, estaremos reunidos para a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a nossa CNBB. Este grande encontro ocorrerá sob o olhar maternal da Padroeira do nosso país, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Estado de São Paulo. A Assembleia Geral, como órgão supremo da nossa Conferência, não é um simples congresso ou uma reunião administrativa, mas é a expressão e a realização maior do afeto colegial, da comunhão e da corresponsabilidade de todos os bispos. Como nos ensina o livro dos Atos dos Apóstolos, seremos como a primeira comunidade cristã que perseverava “unânime na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (Atos 1, 14). O Estatuto da CNBB estabelece claramente que este órgão tem a finalidade de realizar os objetivos da Conferência para o bem de todo o povo de Deus, tratando de assuntos pastorais relacionados à nossa missão e aos desafios que afligem as pessoas e a nossa sociedade, sempre com os olhos fixos na perspectiva da evangelização, obedecendo ao mandato do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16, 15).
Neste ano, a nossa Assembleia terá como tema central um passo fundamental para o futuro da nossa caminhada eclesial: a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Todos nós recordamos que este processo de atualização foi sabiamente adiado para que pudesse amadurecer e receber as ricas contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo amado Papa, além de acolher os preciosos acréscimos e sugestões enviados pelas diversas dioceses, pastorais e organismos que formam o tecido vivo da nossa fé. Agora, este texto chega ao conjunto do episcopado para ser rezado, debatido, votado e, com a graça de Deus, aprovado. As Diretrizes formam o documento primordial que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar em nosso imenso país continental. Elas têm o propósito de auxiliar as nossas arquidioceses e dioceses em sua atuação pastoral diária, partindo sempre de um discernimento claro da nossa realidade atual e oferecendo propostas concretas para iluminar tanto a vida eclesial quanto a sociedade civil a partir dos valores inegociáveis do Evangelho de Cristo. É a luz da Palavra de Deus guiando os nossos passos, pois “lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para o meu caminho” (Salmo 119, 105).
Além deste grande tema central, nossa pauta será intensa e dedicada. Abordaremos três temas prioritários, vinte temas diversos, além de elaborarmos quatro mensagens oficiais e recebermos dez comunicações. Entre os temas prioritários, debruçaremos nossa atenção sobre o relatório da Presidência da CNBB. Já entre os temas diversos, dedicaremos tempo para análises aprofundadas da conjuntura social e eclesial do nosso Brasil, buscando compreender os sinais dos tempos. Trataremos do processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade em nossas realidades locais; faremos a aprovação de textos litúrgicos importantes para as nossas celebrações; e avaliaremos as nossas Campanhas da CNBB, que tanta solidariedade despertam. Um ponto de extrema relevância em nossa pauta será a Tutela de Menores e adultos vulneráveis, reafirmando o compromisso inabalável da Igreja com a proteção e o cuidado dos mais frágeis, espelhando a atitude de Jesus que nos adverte que “tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25, 40). Também prepararemos o nosso coração para eventos futuros de grande magnitude, como o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para o ano de 2029; a celebração do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a urgente e bela atualização do Documento de número 85 da CNBB, que trata da “Evangelização da Juventude”; e a organização do nosso 19º Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em 2027.
Para que todas essas decisões sejam verdadeiramente inspiradas pelo Espírito Santo, a nossa Assembleia é, antes de tudo, um evento de oração e escuta de Deus. Por isso, vivenciaremos um retiro espiritual que terá início na tarde do dia 15 de abril, concluindo-se com a Eucaristia na noite de quinta-feira. Antes dessa missa, prevista para as 18 horas, nós, bispos, sairemos em procissão do Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida até a Basílica do Santuário Nacional, rezando o Santo Terço e confiando as dores e alegrias do nosso povo à Mãe de Deus. A nossa programação diária de trabalhos será sempre sustentada pela liturgia das horas. Iniciaremos às 8 horas da manhã com a oração das Laudes. Teremos quatro sessões diárias, sendo as da manhã iniciadas às 8h30 e às 11h. À tarde, retornaremos às 15 horas com a oração da Hora Média, e encerraremos o dia de debates às 18 horas, celebrando a Eucaristia unida à oração das Vésperas no altar central da basílica de Aparecida. No final de semana, no sábado, dia 18, a missa será celebrada logo cedo, às 7 horas, e no domingo, dia 19, a celebração Eucarística ocorrerá às 8 horas da manhã, sempre em profunda união com todos os fiéis que visitam o Santuário e que nos acompanham de longe.
Esta grandiosa comunhão episcopal reflete a imensidão da nossa Igreja Católica no Brasil, que hoje possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número total de sucessores dos apóstolos em nosso país é de 497 bispos, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese ou arquidiocese, enquanto outros 173 são bispos eméritos, que continuam a servir à Igreja com a sabedoria de sua experiência e a força de suas orações. Estão convocados para esta Assembleia todos os cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, coadjutores e auxiliares. Além deles, são convidados os bispos eméritos, os administradores diocesanos e os representantes dos organismos e pastorais. Deste total, temos a alegria de contar com 373 inscritos que estarão fisicamente presentes na 62ª Assembleia Geral, unindo suas vozes e corações para discernir a vontade de Deus para o rebanho brasileiro.
Peço que toda a nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro se una a nós em oração ao longo desses dias. E para que todos possam caminhar conosco, convido-os a acompanhar o nosso encontro pelos eficientes meios de comunicação da CNBB e pelas abençoadas emissoras de rádio e televisão de inspiração católica. A sessão de abertura, as missas diárias e as coletivas de imprensa – que ocorrerão todos os dias às 10h30 com os bispos definidos pela Presidência – serão transmitidas ao vivo no canal da CNBB no YouTube e nas TVs católicas. A Assessoria de Comunicação preparou uma rica cobertura para as redes sociais e para o Portal da CNBB, oferecendo programas diários como a “Live sobre a pauta do dia” às 7h45, o “CNBB Confere” às 9h, o Podcast às 11h45, o Boletim de Rádio às 17h, e o “Boletim Igreja no Brasil” encerrando a jornada de notícias às 19h. Que possamos, juntos, rezar pelo êxito desta Assembleia, certos de que “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18, 20).
Convido a todos os nossos arquidiocesanos a rezarem por mim e pelos bispos auxiliares que vamos, em comunhão com o Episcopado brasileiro, participar da Assembleia da CNBB. Acompanhe-nos com as suas orações e, na medida do possível, sintonizem pelas TVS de inspiração católica nas celebrações diárias!
Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida e nosso glorioso mártir São Sebastião intercedam por todos nós. Deus os abençoe!
