Coletiva de Imprensa apresenta processo de atualização das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Profissionais de comunicação participaram, na manhã deste sábado (18), de uma Coletiva de Imprensa realizada durante o quarto dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB), no Santuário Nacional, em Aparecida. Em pauta, o tema central do encontro: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), atualmente em fase de revisão pelo episcopado.

A coletiva contou com a presença do arcebispo da Arquidiocese de Santa Maria (RS), presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-catequética da CNBB e coordenador da equipe responsável pela elaboração e revisão das Diretrizes, dom Leomar Antônio Brustolin; e do bispo da Diocese de Santo André (SP), que também participa do processo de atualização do documento, dom Pedro Carlos Cipolini.

Ao apresentar o processo, dom Leomar destacou que as Diretrizes não constituem um plano fechado, mas orientações que indicam caminhos para a evangelização em um país marcado pela diversidade. “As Diretrizes são linhas da ação evangelizadora. Não são um planejamento, mas caminhos indicativos de por onde devemos andar”, afirmou. Ele ressaltou ainda o caráter sinodal da construção do texto, fruto de um amplo processo de escuta e discernimento à luz dos sinais dos tempos.

Sinodalidade é eixo central

Complementando a reflexão, dom Pedro Cipolini enfatizou que a sinodalidade é um eixo central desta nova etapa das Diretrizes, em sintonia com o caminho proposto pela Igreja universal.

“Estas diretrizes se configuram como uma resposta ao Sínodo sobre a Sinodalidade convocado pelo Papa Francisco. A sinodalidade não é apenas um objetivo pastoral, mas também o modo como essas diretrizes foram construídas, a partir da escuta, da participação e da comunhão”, explicou.

Segundo dom Pedro, o processo, que se estende há cerca de quatro anos, envolveu a escuta de diversos organismos e expressões da Igreja no Brasil. “As diretrizes são um serviço da Conferência Episcopal às dioceses. Não são impostas, mas buscam a unidade na evangelização, pois a missão confiada por Jesus deve ser realizada em comunhão, não de forma isolada”, afirmou, destacando que a vivência da unidade é essencial para a credibilidade do anúncio cristão.

Dom Leomar também evidenciou que o documento contempla desafios concretos da realidade atual, como a violência, o feminicídio, o cuidado com a Casa Comum e a promoção da paz. “A cultura da paz é indispensável. A CNBB tem uma história forte no combate às injustiças e continua assumindo a missão de educar para a paz”, pontuou. Ele destacou ainda sinais de esperança, como o crescimento do número de adultos que buscam o batismo, evidenciando uma renovada procura pela fé.

Ao abordar o sentido da evangelização, Dom Pedro reforçou que a missão da Igreja é apresentar Jesus Cristo de forma propositiva e não impositiva. “A Igreja não impõe, ela propõe Jesus Cristo e o que Ele ensinou. A transformação da sociedade acontece a partir da conversão das pessoas”, disse. O prelado acrescentou que a evangelização está intrinsicamente ligada à promoção da dignidade humana. “Anunciar o Evangelho é também promover a vida, defender a dignidade do ser humano, como fez o próprio Cristo”, afirmou.

A coletiva evidenciou o compromisso da Igreja no Brasil com uma evangelização integral, que una anúncio, formação, celebração e serviço, sempre em espírito de comunhão. O processo de revisão das Diretrizes segue em andamento durante a Assembleia, com a expectativa de que o texto final traduza, de forma atualizada, os desafios e caminhos da missão evangelizadora no país.

Veja a Coletiva de Imprensa na íntegra:

 

Por Sara Gomes

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