Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

A palavra “pastor” vem de um verbo latino, “pascere”, que tem como significado, “conduzir ao pasto”, “levar ao pasto”, mas com uma finalidade específica, a de “alimentar”, no caso, de apascentar ovelhas ou algum tipo de animal. Na verdade, o pastor tem como compromisso cuidar, proteger e governar, tanto os animais como comunidade de pessoas. Jesus era chamado de Pastor das ovelhas. 

Em uma das cartas bíblicas, escrita por Pedro, encontramos a motivação do autor sagrado falando do papel do pastor, daquele que se coloca a serviço do rebanho de Deus (cf. IPd 5,2). Pedro ainda acrescenta a identidade do pastor, dizendo que, ser pastor, como o Cristo Pastor, exige simplicidade, humildade, amor pela vida das ovelhas e que ele se deixe guiar pela iluminação do Espírito Santo. 

A ideia de pastor é sim aplicada a Jesus, mas também às autoridades e lideranças do setor político e religioso. Todos aqueles que têm autoridade são revestidos desta identidade pastoril, de cuidado com aqueles que pastoreiam. É importante agir da mesma maneira como o fez Jesus, com responsabilidade, verdade, justiça e amor ao bem, servindo os que são destinatários da missão. 

O verdadeiro pastor, aquele que tem autoridade e missão, não pode ficar indiferente e apático diante dos problemas que, inevitavelmente, vão aparecendo. Em outras palavras, o não cumprir as próprias obrigações, deveria deixar, na pessoa responsável, um coração todo ferido pelo remorso, por um sentimento interior de injustiça. Muitos pastores são inabilitados para tarefas importantes. 

A cultura é marcada por muitas imperfeições. É justamento, por isto, que há necessidade de pastores preparados e capazes para conduzir a história das comunidades. Existem, por aí, falsos pastores, que são verdadeiros mercenários, mais preocupados com interesses pessoais do que com o bem e a vida do povo. Muitos deles são grandes exploradores do bolso, dos bens e da fé das pessoas. 

Todo administrador do setor público deve ser pessoa munida de confiança, autenticidade, e agir como pastor, com o compromisso de dar dignidade e de abrir os olhos das pessoas no caminho da libertação. Não pode ser empecilho, que dificulta e fecha portas para o desenvolvimento dos outros, pois, agindo dessa forma, estará impedindo o crescimento da sociedade e prejudicando a todos. 

 

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