Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)
Presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso
Após os acontecimentos pascais começa história da Igreja. Porém, antes de enviar os Apóstolos para pregar o Evangelho pelo mundo afora Jesus lhes promete: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: Espírito da Verdade […] Não vos deixareis órfãos”. O livro de Atos dos Apóstolos testemunha o cumprimento da promessa. O Evangelho chegou aos samaritanos e fica visível a ação do Espírito Santo (Atos 8,5-8.14-17, Salmo 65(66), 1 Pedro 3,15-18 e João14,15-21). O que aconteceu nestas primeiras comunidades cristãs sempre é referência para atuação da Igreja.
O livro de Atos dos Apóstolos diz que a pregação de Filipe resultou em “grande alegria naquela cidade”. Esta expressão não transmite uma ideia, um conceito teológico; refere-se a um acontecimento concreto, algo que mudou a vida das pessoas. Filipe chegou à Samaria por causa de uma grande perseguição contra os cristãos. Eles se dispersaram pela região, com exceção dos Apóstolos que ficaram em Jerusalém. O diácono Filipe refugiou-se na Samaria. Mesmo num contexto de perseguição anuncia Jesus Cristo. Encontrou ouvintes atentos da Palavra de Deus. Esta começou a gerar mudanças na vida deles.
O Papa Francisco na Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho” nos exortava dizendo que o “Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (1). Os evangelhos registram vários fatos onde resplandece a alegria daqueles que se encontraram com Jesus, começando com Maria. Se a alegria foi resultado do encontro com Jesus dos primeiros cristãos, a mesma experiência é para ser vivida hoje.
Diante da notícia do que estava acontecendo com a Igreja na Samaria, os apóstolos enviam Pedro e João para lá. Chegando ali, “oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. […] Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo”. Jesus prometeu o Espírito Santo. Os Apóstolos o recebem em Pentecostes. Agora a sua missão é partilhar o Dom recebido. É confirmar, acompanhar e fortalecer as comunidades que estavam se formando. A ação de Pedro e João revela qual será a missão permanente dos sucessores dos apóstolos, hoje o papa e os bispos. Congregar as comunidades para manter a unidade, confirmar os fiéis na fé, acompanhar. Um dos momentos marcantes desta missão é o Sacramento da Confirmação. Depois de toda evangelização de iniciação à vida cristã realizada na comunidade paroquial pelo pároco, catequistas e outros, o bispo impõe as mãos sobre os crismandos invocando o Espírito Santo, unge a fronte com o óleo do crisma e reza: “N. recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus”.
A Carta de São Pedro oferece várias orientações para os cristãos no relacionamento com as pessoas da sociedade. Em primeiro lugar destaca a necessária disponibilidade para anunciar o Evangelho: “estais sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir”. Jesus ensinava em todos os ambientes que frequentava, mesmo nos ambientes adversos quando era provocado. A metodologia de Jesus é a que deve orientar o cristão. Pedro faz a ressalva que nem todos os ambientes e todas as situações são favoráveis, por isso acrescenta “a quem pedir”. Mas quando alguém pedir, o cristão deve tirar tempo para responder.
São Pedro oferece outra valiosa orientação sobre a modo de ensinar: “Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência”. A transmissão da fé é para ser feita com mansidão e respeito. Converter uma pessoa à força não é conversão, mas violência, aprisionamento, constrangimento. Quem recebe o Evangelho é uma pessoa livre e a opção deve ser livre. Um ato para ser livre exige conhecimento e adesão sem constrangimento. Também sublinha que a transmissão da fé deve ser feita com “boa consciência”, isto é, levar as pessoas ao encontro de Cristo. A manipulação da consciência das pessoas é abuso espiritual. É violência em forma de engano, simulação.
Jesus nos quer seus seguidores unidos pelos laços do amor. “Quem acolheu meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei me manifestarei a ele”.
