A grandeza da maternidade à luz da fé

Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

 

O Dia das Mães, celebrado neste mês de maio, convida-nos a uma reflexão que vai além das homenagens e recordações afetivas. Trata-se de uma ocasião propícia para reconhecermos, com gratidão e responsabilidade, o valor insubstituível da maternidade na vida da família, da sociedade e da própria Igreja.

A figura materna ocupa um lugar único na experiência humana. É no coração da mãe que a vida é acolhida, protegida e, muitas vezes, sustentada em meio a sacrifícios silenciosos. A maternidade não se limita ao ato de gerar, mas se prolonga no cuidado, na educação, na presença constante e na capacidade de amar sem medidas. Em um mundo marcado por relações frágeis e, por vezes, superficiais, o testemunho das mães continua sendo um sinal concreto de doação e fidelidade.

A Igreja, ao longo de sua tradição, sempre reconheceu essa grandeza e a contempla de modo particular à luz da Virgem Maria. Nela encontramos o modelo perfeito de maternidade: disponível à vontade de Deus, firme nas dificuldades e perseverante até o fim. Maria ensina que ser mãe é também confiar, esperar e permanecer, mesmo quando o caminho se torna exigente e desafiador.

Entretanto, é preciso olhar para a realidade com sinceridade. Nem todas as mães vivem em condições ideais. Muitas enfrentam dificuldades econômicas, ausência de apoio, sobrecarga de responsabilidades e, não raramente, a solidão. Outras carregam no coração a dor da perda de um filho ou as preocupações constantes com aqueles que seguem caminhos difíceis. Diante dessas situações, nossa palavra não pode ser apenas de elogio, mas também de compromisso: é necessário valorizar, apoiar e defender a dignidade de todas as mães.

Como pastor, sinto-me chamado a exortar as famílias a redescobrirem o valor da presença materna. Muitas vezes, a correria do dia a dia faz com que gestos simples de reconhecimento sejam esquecidos. O Dia das Mães não deve ser apenas um momento pontual, mas um convite a cultivar, diariamente, o respeito, o carinho e a gratidão.

Também é importante recordar aquelas mães que já partiram desta vida. A saudade, quando iluminada pela fé, transforma-se em esperança. Acreditamos que, em Deus, a vida não se perde, mas se plenifica. Por isso, rezar por nossas mães falecidas é um gesto de amor e comunhão.

Neste contexto, o Dia das Mães torna-se também uma oportunidade de oração. Rezemos por todas as mães, para que sejam fortalecidas em sua missão; pelas que sofrem, para que encontrem consolo; e pelas que já estão junto de Deus, para que descansem em sua paz.

Que cada mãe se sinta hoje reconhecida e abençoada. E que, à luz do exemplo de Maria, possamos compreender que a maternidade é um dom precioso, que deve ser acolhido, respeitado e protegido.

Nossa Senhora, Mãe de todos nós, rogai pelas mães do mundo inteiro.

 

 

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