A Boa Nova da Coeducação entre as gerações

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

No dia 26 de julho, data comemorativa dos avós, a Igreja celebra os pais da Santíssima Virgem Maria: São Joaquim e Santa Ana. Esta memória valoriza a missão dos avós na transmissão da fé, como uma tradição viva e empolgante, guardando, não apenas recordações do passado, mas atualizando uma Aliança de Amor transcendente e significativa.

Num tempo de segregações e isolamento de gerações, por desprezo ou discriminação, apostar na coeducação e o diálogo intergeracional é profundamente cristão e humano. A antropóloga Margareth Mead fala das culturas pós-figurativas, onde os velhos ensinam aos jovens e as cofigurativas onde velhos e jovens aprendem reciprocamente e trocam seus saberes. Embora a formatação atual da família, como nuclear, e o espaço das moradias contemporâneas, dificulta a reunião e a interação, torna-se necessário ampliar a vivência familiar rumo a uma participação educativa intergeracional.

Esta possibilidade é vital, também, para superar surtos de violência e crueldade com os idosos, como o famoso psiquiatra Teodor Darlymple descreve nas praças da Inglaterra destes dias, onde os anciãos deixaram de freqüentar por medo a ameaças à sua integridade física.

A educação para a Paz e a convivialidade está a demandar um olhar respeitoso e acolhedor da cultura dos mais velhos, pois ela é impregnada do sabor (sabedoria) da rica experiência, e da importância de diminuir a velocidade e o ritmo da rapidação e vertigem do nosso tempo. Santo Agostinho, já época antiga, analisava o problema da agitação e tumulto da vida citadina: Corres muito, mas fora dos trilhos.

A coeducação além de valorizar os aportes culturais e os conhecimentos de cada geração, levanta a inadiável questão do sentido da vida e das virtudes que constroem a felicidade. Outro ganho inestimável é o desenvolvimento da espiritualidade sem a qual a existência se esvazia e fica ressequida, incapaz de encontrar e saborear a presença do Deus vivente, para quem nosso coração foi criado. Deus seja louvado!

 

 

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