Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)
A Epifania é a manifestação do Senhor ao mundo das nações. Jesus Cristo é acolhido pelos povos, simbolizados nos magos que o adoraram e lhe ofereceram presentes. O tempo do Natal é um processo contínuo de acolhida na vida de todas as pessoas seguidoras do Senhor Jesus. O nascimento de Jesus é a presença de Deus na história humana. Ele veio a este mundo para a nossa salvação, tornando-se carne, gente humana como cada um de nós, igual em tudo, menos o pecado. “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14) .O amor de Deus é infinito pela humanidade a tal ponto que Deus enviou o seu Filho único para nos salvar (cfr. Jo 3,17). A seguir veremos como os Padres da Igreja contemplaram este tempo tão precioso e gracioso na vida humana e como Ele possibilite a conversão de vida em nossas vidas.
A vinda de Deus ao mundo
São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena no século V afirmou a presença de Deus no mundo por ocasião de seu nascimento na realidade humana. Ainda que os sinais da divindade de Jesus sejam perceptíveis, pelo anúncio do anjo aos pastores, o Salvador nasceu entre eles, entre nós (cfr. Lc 2,11), a solenidade da Epifania do Senhor, ligada ainda ao Natal revelou de muitas formas que Deus veio ao mundo num corpo humano, a fim de que os seres humanos não se perdessem na ignorância para alcançar a vida verdadeira através da graça do Senhor1.
A manifestação do Senhor
O Bispo teve presente o dado da manifestação do Senhor ao mundo. O fato era que Aquele que quis nascer para nós, em vista da salvação humana, não quis ser ignorado também por nós. O grande mistério de seu amor para a humanidade não deveria dar ocasião a um grande erro, mas à verdade de seu amor para com a humanidade, através de seu nascimento na terra. Os Magos, pessoas estudiosas dos astros, perceberam uma estrela diferente que os conduziu até o menino Jesus. Eles o encontraram num berço, o viram envolto em panos, Aquele que por muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.
A contemplação dos magos
São Pedro Crisólogo também disse que os magos contemplaram em Jesus, o céu na terra, e a terra no céu. Naquele menino, homem em Deus, Deus no ser humano, estava incluído no corpo pequenino, o Senhor que o universo não pode conter3. Eles perceberam a presença divina no menino pela sua humanidade. Desta forma eles o encontraram vindo de longe enquanto as pessoas de perto o rei Herodes, as pessoas estudiosas e a cidade de Jerusalém permaneceram indiferentes, angustiados (cfr. Mt 2, 1-12).
Os presentes
Os magos, aquelas pessoas que vieram do Oriente adoraram o menino ao entrar na casa onde estavam os pais adotivos de Jesus, José e Maria. A adoração é dada somente a Deus porque naquela pessoa recém nascida estava Deus. Em seguida como nos fala o discípulo e evangelista Mateus ofereceram-lhe presentes importantes: O ouro que significava que Jesus é o verdadeiro Rei, de paz e de amor; o incenso que significava a sua divindade; aquele menino era Deus; a mirra: que significava a sua humanidade, perfume que seria utilizado na sua sepultura4. Os magos trouxeram os melhores presentes da terra ao Senhor Jesus, o menino que entrou na realidade humana para nos redimir, para nos elevar até as alturas, em Deus.
A Providência divina
São Leão Magno, Bispo de Roma e Papa no século V afirmou que a misericordiosa Providência de Deus decidiu vir à realidade humana assim chamada nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, para salvar todos os povos em Cristo Jesus. Na verdade, eles formavam a descendência outrora prometida ao santo Patriarca Abraão, descendência segunda a fé, o amor de modo a ser comparada à multidão das estrelas, para que o pai de todos os povos esperasse por graça do Senhor, uma posteridade celeste e terrestre.
A adoração dos Magos
O Bispo de Roma colocou a importância dos Magos, nos quais eles representavam todos os povos. Eles adoraram o Criador do Universo naquele menino recém nascido para que assim Deus não fosse só conhecido na Judéia, mas no mundo inteiro, a fim de que por toda a parte o seu nome seja grande em Israel e em todo o universo (cf. Sl 75,2).
Duas grandes festas no único Senhor
São Leão Magno dizia que era preciso celebrar com fé e com amor duas grandes festas, como o dia das nossas primícias, no caso o Natal do Senhor, e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, à paz e ao amor, pela Epifania, dando graças a Deus misericordioso porque como disse o Apóstolo São Paulo, o Senhor nos tornou capazes da luz que é a herança dos santos pelo qual Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no Reino de seu Filho amado (cfr. Cl 1,12-13).
A alegria dos personagens bíblicos e a sua realização
O Bispo de Roma também colocou a alegria do dia em que Abraão, o grande Patriarca do Antigo Testamento percebeu na expressão de Jesus que afirmou aos judeus que Abraão viu e alegrou-se (Jo 8,56), ao saber que dentre os seus filhos seriam abençoados de sua descendência por Jesus Cristo e ao prever que seria pai de todos os povos. Da mesma forma Davi cantou no Salmo que o Senhor fez conhecer a salvação, e as nações, sua justiça (Sl 97,2)8. Essas promessas se realizaram quando os três Magos, sendo chamados de seu longínquo país, foram conduzidos por uma estrela para conhecerem e adorarem o Rei do céu e da terra, Jesus. O serviço da estrela convida a todos os fieis a imitar a sua obediência, para servir com as forças que as pessoas tem para a graça da revelação do Senhor, pois ela nos chama a viver e amar o Senhor Jesus Cristo.
A Epifania nos ajuda a viver a alegria do Natal para que assim não seja apenas um dia, um tempo, mas um continuo renascimento em Jesus Cristo, na Igreja, na comunidade, na família e um dia na vida eterna.
