Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)
O Concílio Vaticano II afirma que a eucaristia é fonte e ápice da vida cristã (LG 11). Nós somos sustentados por um alimento grandioso, valoroso que só Jesus pode nos dar do qual Ele é o pão para a vida verdadeira.
Nós festejamos o Corpus Christi como a presença de Cristo Jesus na eucaristia na qual manifestaremos esta vida nele, em Jesus nas ruas, pelas procissões, tapetes onde se ressaltam a ação de graças que é a eucaristia como dom de Deus, e como testemunho para viver a unidade, a fraternidade, o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo no mundo de hoje.
Nós sabemos que tudo converge para o grande mistério na qual somos chamados a adorar Jesus na hóstia consagrada que sustenta a caminhada rumo à casa do Pai. Jesus está presente no pão e no vinho consagrados. Ele é o pão que desceu do céu (cfr. Jo 6,51) para nos ajudar a viver bem neste mundo e um dia na eternidade. Nós veremos a seguir uma visão nos santos Padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos a respeito do grande mistério que é a Eucaristia.
A dignidade do mistério eucarístico
Tertuliano, padre da Igreja dos séculos II e III afirmou que o mistério da Eucaristia, confiado pelo Senhor no momento da última ceia e a todas as pessoas é tomado também nas assembleias cristãs que ocorrem antes da aurora, não por mãos de outras pessoas mas daquelas com as quais presidem as celebrações litúrgicas, os sacerdotes, os bispos. Os ministros celebram o sacrifício eucarístico para os defuntos, tendo presente em cada ano, a ocasião pela menção dos dias natalícios dos mártires1. A pessoa comungava do corpo do Senhor em vista de uma vida de unidade, de fraternidade, de amor.
É Cristo que nos restaura
Santo Ambrósio, bispo de Milão, século IV afirmou que a eucaristia nos alimenta e nos restaura em vista de uma vida digna aqui e um dia no Reino dos céus. Quem senão Jesus Cristo nos alimenta com os seus preciosos dons de seu corpo e de seu sangue?!. São bons alimentos os sagrados sinais de Deus em Jesus Cristo. No altar colhe-se a nova flor que efundiu o bom perfume da Ressurreição de Jesus. Colhe-se também o amor, a caridade em vista da vida eterna. Pode-se colher a rosa, isto é o sangue do Corpo do Senhor.
As Sagradas Escrituras
Santo Ambrósio também tinha presente as Sagradas Escrituras como bons alimentos que as chamavam de Escrituras celestes, nas quais nos alimentamos com uma leitura cotidiana, encontrando nelas o nutrimento e restauração quando meditamos e atuamos o texto sagrado em nossas existências, quando fazemos carne também a Palavra de Deus em nossas vidas pela sua Palavra e pelo seu corpo, pelo pão consagrado3.
A eucaristia regenera o ser humano
Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, século IV afirmava que a eucaristia em Jesus Cristo coloca a bondade do Pai, dando-nos a vida nova aos mortais, a medicina da graça por meio do Espírito Santo. Desta forma no lugar da corrupção, a eucaristia reveste o ser humano de incorruptibilidade, no lugar da fome, está a saciedade do pão descido do céu. O Pai pelo seu Filho que se faz alimento para nós e em unidade com o Espírito Santo dão forças para perseverar neste mundo em vista da glória de Deus em Jesus Cristo4.
Jesus Cristo instituiu a Eucaristia: tomar do pão
Santo Efrém Sírio, teólogo do século IV seguiu os santos evangelhos no sentido de que Jesus tomou em suas mãos um pão ordinário, o abençoou, o santificou em nome do Pai e no nome do Espírito Santo: o partiu e o distribuiu para cada um dos discípulos na sua benigna bondade. Ele chamou o pão o seu corpo vivo e o encheu de si e do Espírito Santo. Ele disse: tomai e comei todos vós (cfr. Mt 26,27). Ele quis dizer que aquele não era mais pão, mas o seu corpo5. Quem o come está em comunhão com Deus e com as pessoas.
Tomar do Cálice
Santo Efrém também teve presente a ação seguinte do pão, que era Jesus. Ele tomou o cálice com vinho, o cálice da salvação e disse que era o seu sangue, derramado para todos eles e pela humanidade. Tudo deveria ser feito em memória de Jesus (cfr. 1 Cor 11,25). Todos beberam um após o outro. Desta forma Ele queria afirmar que na comunidade, Igreja onde as pessoas se reuniriam em nome de Jesus, em qualquer parte da terra, fariam em sua memória aquilo que Ele fez de comer o seu corpo e beber o seu sangue que são a Antiga e a Nova Alianças6.
A eucaristia como preparação à vida eterna
São Basílio de Cesareia, o Grande, bispo de Cesareia, século IV disse que a participação ao corpo e ao sangue de Cristo é condição essencial preparatória em vista da vida eterna. Jesus tinha dito que se as pessoas não comiam a carne do Filho do Homem e não bebiam o seu sangue, não teriam a vida neles. Mas quem come a sua carne e bebe o seu sangue, tem a vida eterna (cfr. Jo 6,53).
São Basílio colocou o motivo pelo qual a pessoa deve comer o corpo e beber o sangue do Senhor pois este reverte à memória da obediência do Senhor até a morte, a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles (cfr. Cor 5,15)7. São Basílio disse em outras palavras que as pessoas que comungarem da eucaristia tenham a vida eterna por Jesus Cristo, na glória de Deus Pai e na comunhão do Espírito Santo.
